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Notas sobre o Masculino e o Feminino Internos.por Aline Rangel. Em recente diálogo publicado neste site (*1), o Espírito Eugênia abordou a questão do masculino de forma objetiva, profunda e ao mesmo tempo didática, convidando o leitor, independente do sexo ou da orientação sexual, a buscar, despertar e desenvolver em si as qualidades masculinas, valorizando-as como instrumentos de crescimento e amadurecimento pessoal. Sua proposta é enfatizar a necessidade de sermos completos, de portarmos, independentemente da condição sexual em que estejamos, aspectos que nos aproximem da conformação andrógina, existente com freqüência em faixas de consciência do Plano Sublime. Os indivíduos apresentam, normalmente, um ou outro pólo mais ativo, a depender do quanto se identifiquem com o funcionamento feminino ou masculino, procurando nos outros, sejam parceiros afetivos ou não, os elementos que lhes faltam ou que estejam pouco desenvolvidos. Em psicologia analítica, os conceitos de Anima e Animus auxiliam na compreensão desta delicada e melindrosa temática. Definidos como o feminino e o masculino internos, respectivamente, ambos seriam projetados externamente nas pessoas de quem nos aproximamos, por quem nos apaixonamos, por exemplo, dando-nos conta do quão pouco normalmente conhecemos acerca do que somos. A esse propósito, Sanford, renomado analista junguiano, ressalta: “Muito maior é nossa ignorância dos componentes masculinos ou femininos existentes dentro de nós, que escapam à nossa atenção, por serem completamente diferentes do que nossa consciência conhece a respeito de nós. Por esse motivo, Jung denominou a integração da sombra usando o termo ‘a peça-aprendiz’ no processo de tornar-se inteiro, e chamou a integração da anima ou do animus de ‘obra-prima’.” (*2) Quanto mais polarizada um pessoa é, mais se sente atraída por seu “oposto”, estabelecendo vínculos de dependência, mútua castração, pouquíssima empatia, entre outros graves problemas. Daí a necessidade de reconhecermos os atributos que precisam ser ativados (sejam masculinos ou femininos), para que possamos escolher estar em companhia de quem se afine conosco em profundidade, em busca de experiências de completude num nível mais alto de consciência, e não por desejo de manter perto e aprisionado aquele que nos supre uma necessidade que nem mesmo percebemos como falta, mas sim como angústia. Não se trata de caminho de facilidades, este de investir na integração psicológica… Mas, sem sombra de dúvida, não há comparação com o sofrimento disfarçado de amor, com a loucura maquiada de paixão, tão presente nas relações baseadas no medo da perda… do outro e de si mesmo.
(*2) Extraído do livro “Parceiros Invisíveis – o masculino e o feminino dentro de cada um de nós”, de autoria de John A. Sanford. (Revisão de Delano Mothé)
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