A Expansão do Instituto Voltaire.

Capítulo 2.

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

Isadora tinha 14 anos. A professora de Português havia-lhe incumbido – e a toda sua turma de 8ª série do ensino fundamental – uma redação sobre determinado tema, concedendo, para conclusão da tarefa, um período de 40 minutos. Eu mesmo estive lá, já comprometido com o desenvolvimento de suas faculdades psíquicas. A jovem sentiu o cérebro fervilhar. E, enquanto vários adolescentes protestavam contra a delegação desagradável de escrever a partir das páginas em branco, Isadora desatou a redigir com velocidade estupenda. Ela mesma se surpreendia com o que ocorria consigo. A mão mal conseguia acompanhar a caudal de idéias que se despejava em sua mente. A certa altura, colegas que a circundavam, na disposição dos lugares na sala de aula, começaram a observá-la, admirados. Dava-se a psicografia veloz, ao modo semimecânico dos grandes médiuns do passado, qual Chico Xavier, que se celebrizou com este padrão de escrita paranormal (que Isadora viria a não prestigiar tanto, quando adulta, para desenvolver outras formas de comunicação mediúnica, mais suaves). O fenômeno da escrita-relâmpago sobre o papel chamara a atenção de vários de seus colegas. Atrás da jovem, um amigo começou a chamá-la, com muita insistência, para que desse alguma sugestão do que compor sobre o assunto proposto, e a menina levantava a mão, num gesto a dizer-se ocupada. Como o companheiro não suspendesse o chamado, resolveu comunicar-lhe diretamente que estava ocupada, girando a cabeça para trás. O condiscípulo não se deu por satisfeito, e, ato contínuo à sua iniciativa mais educada, travou com ela, aproveitando a deixa, um diálogo sobre o que poderia ser redigido com aquele tema. Renovando a paciência, Isadora pincelou-lhe, sem fazer-se de rogada, alguns breves alvitres do que rabiscar no papel. Só que ela fez isso… sem parar de escrever… e na mesma velocidade de antes… e com a cabeça e o ombro girados para trás… Os amigos ficaram deveras impressionados com tudo aquilo. Ela mesma, perplexa, declarou-se, para si mesma, surpresa com a própria “inteligência”… Sim, era uma forma de inteligência, mas não exatamente a que ela supunha ser, e sim uma sensibilidade excepcional para captar ondas mentais, além da faixa de consciência dos encarnados. Continue lendo