Espírito Irmã Brígida

5 de agosto de 2008
 

Com a Alma Ferida.

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Irmã Brígida.

Olha fundo, nos olhos de tua companheira de jornada, e perdoa. Ela mente, para agradar-te; supõe que te engana e apenas te subestima. Releva, todavia, amigo, porque se ela sorri, com dissimulação, por medo de desagradar-te, ao mesmo tempo, sinceramente, quer se emendar. Foca tua atenção, assim, no desejo sincero de melhoria que a empolga, e não na luta da irmã sofredora, por ocultar quem é de ti, mesmo sabendo que és apto a enxergar além das aparências. Oferta-lhe, sim, o pão da orientação, de modo indireto e suavizado, favorecendo-lhe “pescar” as sugestões mais apropriadas para si, mas não a rejeites do ambiente, em que carece estar, para educação de sua mente e despertar de seu espírito.

Alguém está com a alma ferida, e acaba por ferir-te, ainda quando deseja ser amável contigo? Não tenhas dúvida de que te procura exatamente com o propósito de que a cures, mesmo que não possas fazê-lo, mesmo que somente a ela caiba determinar o início da própria redenção. Pode até, pobrezinha, acreditar, secretamente, que vem em teu encalço, com outras intenções – e, no entanto, está caindo, embora nem sequer suspeite, numa “armadilha do bem”, como bem denominou, nossa mestra Eugênia, o curioso processo existencial-evolutivo, por meio do qual o Self, dentro da criatura, e os mentores e guias espirituais, fora dela, pugnam por conduzi-la ao cominho da Luz.

Religa teu coração às Fontes inexauríveis do Amor Divino, e perdoa, perdoa, perdoa. Se a irmã de destino, para completar o quadro vexatório que se te descortina aos horizontes d’alma, ainda te ofende o caráter, por concluir que és tão dissimulado quanto ela, por ocultares tuas opiniões e tratá-la bem, animado por impulso cristão, também isso desculpa: ela não tem vibração, nem referenciais psicológicos, para compreender que tua motivação é de amor sincero, aceitação, acolhimento e fé em Cristo, que mandou receber a todos, sem distinção, e não levar vantagem sobre as pessoas, engabelá-las e manipulá-las ao próprio bel-prazer, como o faz a companheira em foco.

Por fim, se consegues apiedar-te da sofredora, que não sabe quanto está sofrendo, nem quanto haverá de padecer, pelo vício de encenar a todo tempo, reforça este impulso de amor fraterno, tornando-o uma tendência permanente, porque será pela compaixão legítima, sem motivações pessoais escondidas, que o Reino dos Céus se constituirá, não só por dentro de ti mesmo, como em torno de teus passos, cobrindo de bênçãos a própria irmã em evolução que queres alcançar, com teu intento benemerente.

(Texto recebido em 5 de agosto de 2008. Revisão de Delano Mothé.)




Cadastre-se e receba mensagens por e-mail: