Sucesso Invejado.

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

Certa vez, um homem estava entristecido por não dar um pouco mais de conforto a seus filhos. Em meio a privações, eles cresceram, e assim se constituíram, na dura fímbria do trabalho. Não era fácil. Todos os dias, os pequerruchos acordavam cedo, antes mesmo de o sol raiar, comiam frugalmente e partiam para muitas horas de serviço estafante, na carpintaria de que a família era proprietária, cujo ofício aprenderam, por sua vez, de seu próprio pai. Após o almoço também leve, as crianças, mal terminada a refeição, iam correndo para a escola, aprender as primeiras letras. Eram três meninos, traquinas, como todos de sua idade, mas, ao chegarem do colégio, perto do crepúsculo, quando poderiam, então, ter algum tempo para os folguedos naturais da infância, já era tão tarde, que logo estariam sendo chamados pela mãe devotada, a fim de se banharem e participarem da ceia, que encerrava o dia. Deitavam-se de tal modo esgotados, que mal recostavam as cabecinhas nos travesseiros e já estavam ressonando profundo.

O homem contemplava a cena de exaustão completa de seus filhos tão jovens e lembrava-se dos dois petizes de seu vizinho rico – um pequeno industrial próspero –, de idade similar à dos seus. Via-os saírem em um automóvel de luxo, logo cedo, para um colégio refinado, no centro da cidade. Após o almoço, percebia um silêncio tumular no casarão, que denunciava o respeito à sesta dos garotos. E, sempre às duas ou três horas da tarde, podia ouvir – e seus filhos também –, já que a carpintaria ficava num anexo da própria residência, a balbúrdia alegre dos meninos, que brincavam todo o resto do dia, até o sol se pôr. Ele sentia injusta aquela realidade distante e, ironicamente, tão próxima a ele e a seus filhos. Inúmeras vezes, viu-se tentado a dispensar os meninos do serviço e deixá-los usufruírem, como os seus pares ricos do lado, plenamente sua infância. Mas detinha-se, no último instante: não podia prescindir da colaboração eficiente dos garotos, ou o pão na mesa e os livros da escola faltariam para eles mesmos. Suspirava, então, fundo, nesses momentos, olhava para o Alto e entregava a situação a Deus, que deveria ter um plano para os seus queridos rebentos. Continue lendo

Alice – Uma História de Amor, Além da Morte.

(Capítulo 5)

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

Hoje vamos encontrar quatro personagens importantes, no drama de nossa história. Valorosos auxiliares de Alice – como anjo dos abismos, a resgatar almas para Deus –, antes de reencarnarem (na mesma época que ela, com diferença de poucos anos). Um deles, extremamente ligado ao seu coração, por profundíssimos elos de amor, foi seu filho por sucessivas existências. Entre os outros três, duas eram componentes do gênero feminino: uma, a despeito de muito feminina, também portava fortes traços de decisão e coragem; a outra, adoravelmente doce e terna, parecia existir apenas para amar e perdoar, como um grande coração de mãe. O último deles, por fim, um nobre cavalheiro de tempos idos, guardava a distinção de conduta como uma constante, por reiteradas reencarnações.

Assumiriam encargos de vulto, nas tarefas que seriam dirigidas por Matheus, na crosta do orbe. Em verdade, um deles, o filho de Alice, acabaria tendo mais destaque, ante o público, do que o próprio Matheus, porque seria exposto, na mídia, na condição de emérito professor, ao passo que o enamorado de Alice estaria com o incumbência de administrar a organização, de seus bastidores.

Algo, entretanto, curioso, aconteceu, ao planejarem seus corpos, no âmbito da sexualidade, e é sobre isso que trataremos neste capítulo de nossa narração. Para entender de modo completo o que se passou, no campo das intenções dos orientadores desencarnados, responsáveis pela programação prévia daquelas encarnações de relevo, para os interesses da coletividade, precisaríamos fazer um estudo detalhado, em torno de ascendentes cármicos complexíssimos e finalidades intrincadíssimas, de repercussão no seio das comunidades humanas da dimensão material de existência, que aqui preferimos omitir, porquanto não constitui nosso propósito estudar esta temática profunda e obscura, para os padrões de entendimento da Terra na atualidade. Restringir-nos-emos a pincelar alguns tópicos sobre os quatro, que se seguem abaixo. Continue lendo

Relato de um Médium Suicida, parte 1 (*1).

Benjamin Teixeira
por
um espírito anônimo.

Digam aos médiuns que essa orientação, que vocês fornecem, enfaticamente, em sua Instituição, do Culto do Evangelho Diário, é extremamente importante. Quando encarnado, eu não conseguia fazê-lo nem semanalmente – uma vez na semana! (*2). Essa inconsciência e inconsistência na disciplina era tão comum… Descobríamos, eu e meus íntimos, as falhas, mas tudo contribuía para que não realizássemos o culto… Percebíamos até as obsessões se estabelecerem, criando tramas para nos afastar das atividades espirituais. Essas obsessões, todavia, pareciam invencíveis.

Freqüentei uma casa espírita, durante algum tempo. Era um centro pequeno, e havia sincera devoção. Devíamos orar mais, todos nós. Falando por mim, dedicava-me muito pouco à prece; achava que precisava só amar as pessoas, já que o amor constituía a essência do ensinamento do Cristo. Só que, por falta de bases meditativas e oracionais, que me propiciassem viver o amor fraterno, em regímen de desinteresse – em função de minha humanidade precária –, o sentimento que me motivava rapidamente se transformou em ressentimento, cobrança, manipulação, culpa, vaidade, recalque… Tanta coisa ruim era instilada nos componentes do grupo, pela insuflação dos agentes das trevas (que encontravam brechas na nossa fragilidade vibratória): crítica, suspeita, maledicência… Nos primeiros anos de trabalho, havia mesmo um transbordamento de ideal, de boa vontade, de desejo de ser útil. Entretanto, com o passar do tempo, foi-se tornando cada vez mais difícil manter esse desejo original de servir, preservar a empolgação saudável do período inicial, de descoberta… Hoje, atribuo isso à insuficiência de oração, à falta do culto do Evangelho, à precariedade ou quase ausência de práticas meditativas e terapêuticas. Continue lendo

Além das Contradições.

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Anacleto.

Há a dor de ser feliz (pelo medo de se perder a ventura e não se poder dela garantir fruição perene), como há a tristeza de se não conseguir a felicidade (como se a idealiza).

Não busque viver pólos de opostos: são enganadores. Viva o Fluxo, que constitui a conjugação permanente dos dois princípios de força (positivo e negativo), por onde as correntes de energia podem trafegar e, com isso, gerar criatividade, renovação, realização e felicidade.

O tédio e a frustração, construtivamente aplicados, podem ser fonte de crescimento e alegrias maiores, mais profundos e duradouros que os usufruídos na fase anterior ao surgimento do fastio. A boa sorte, mal administrada, em contrapartida, facilmente conduz à bancarrota, em todos os sentidos, do físico (saúde orgânica) ao espiritual (realização da consciência), passando pelo material (posses) e por questões psicológicas e sociais (relacionamentos interpessoais).

Você ainda precisa estabelecer fronteiras claras entre o bem e o mal, o certo e o errado? O maniqueísmo bem/mal, certo/errado pode dividi-lo, na aflição contínua da insatisfação, e levá-lo a comportamentos radicais, destrutivos (incluindo os autodestrutivos) e alienantes de uma percepção mais completa da existência e suas múltiplas facetas e inextricáveis complexidades. Continue lendo

Onde e Como Ouvir a Voz de Deus.

(Sopros de Sabedoria – 109.)


Benjamin Teixeira
pelo espírito
Roberto.

Para ouvir a voz de Deus, procure, nesta ordem:

1) Sua própria consciência, desvestindo-a de preconceitos, desejos do eu-animal, caprichos de poder e posse do eu-egóico, submetendo-a, ainda, ao crivo da racionalidade e do pragmatismo, sob a inspiração de ideal do eu-espírito, para não delirar em fantasias escapistas de pseudomoral.

2) A voz dos seus guias espirituais, desencarnados ou encarnados, mestres do plano físico ou extrafísico de vida, como terapeutas lúcidos e líderes espirituais genuinamente esclarecidos. Para que seja legítimo o que lhe digam estes representantes do Altíssimo, deverão suas sugestões estar endossadas pelos recursos de avaliação e interpretação do primeiro item. Continue lendo

Glória Eterna.

(O Ideal da Excelência.)

Benjamin Teixeira
por
espírito incógnito.

Ninguém atinge a excelência, sem o esforço hercúleo da disciplina continuada. O talento inato brota fácil, mas, quase na totalidade das vezes, em erupções rudes de habilidade malconformada, sem os primores que constituem a base do êxito e da excelência.

Muito trabalho bem dirigido, com uma competência mediana, faz infinitamente mais que a genialidade ociosa. E tornar-se gênio desconhecido-escondido pode ser tudo, menos meritório, embora muita gente prefira, inconscientemente, permanecer assim, por receio de, em se esforçando, descobrir que não o é. Ao revés de haver qualquer sombra de mérito, representa tal atitude um grave demérito, pela fuga à responsabilidade, pela presunção, pela preguiça ou pelo narcisismo auto-idolátrico de quem não se empenha nem dá nada de si a ninguém.

Virtuoses da instrumentação musical treinam à exaustão, amiúde ultrapassando a carga de oito horas diárias de exercícios.
Campeões do atletismo esfalfam-se em ginásticas estafantes, consumindo-se em dias seguidos de suor, dor e privações variadas, na disciplina total do corpo. Continue lendo

Testemunho de Amigo.

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Roberto.


(O prezado visitante do site deve se lembrar de que não publicamos nova “mensagem do dia” em dias não-úteis, de modo que a publicação do capítulo 5º do romance mediúnico “Alice – Uma História de Amor, Além da Morte” não acontecerá nesta sexta-feira “da Paixão”. Sê-lo-á, tão-somente, na sexta-feira da próxima semana, 28 de março.)

Eu estava triste, muito triste. A notícia de uma moléstia incurável, fatal e com velocíssimo desenvolvimento, deixou-me bem mais do que arrasado. Não havia completado 28 anos, e todos os meus sonhos de realização e felicidade estavam ruídos para sempre…

Sentei-me num pequeno jardim, no fundo de casa, e pedi a Deus um sinal. Ato contínuo, uma borboleta multicolor pousou numa rosa branca, exatamente em minha frente. Lembrei-me, então, da metáfora da lagarta, disforme e rastejante, que se converte em borboleta, linda e alada. Enchi os olhos de lágrimas, voltando-os para o Céu, e agradeci ao Senhor Amoroso, que me enviava um bálsamo às dores cruciantes daquele instante amaríssimo.

Passados muitos anos dessa crise extrema, recapitulo o episódio e noto como a esperança, que me confortou, era completamente acertada – em verdade, bem mais do que eu poderia supor. Nem de longe imaginaria, naquela época, como tudo se resolveria, para bem melhor do que eu conseguiria conceber. Pretendia realizar um conjunto de obras literárias e de mobilização política (não-partidária) que, segundo me informaram, era impróprio (por inoportuno), por aqueles dias em que estava encarnado. Desejava gritar para os gays – como eu também era (sei, leitora amiga, que gosta de mim: já escrevi textos, pelo médium, como se eu fosse heterossexual – tudo pela causa do bem!… risos) – que nós tínhamos direito à vida, à dignidade, à felicidade. Não me ouviriam. Houve missionários desta ordem, no meu tempo de juventude, na última encarnação, mas não me cabia realizar aquele tipo de trabalho de vanguarda, e tive que silenciar meu verbo inflamado. Linchariam-me, em praça pública, pelos artigos que viria a publicar e pelos discursos empolgados que proferiria, em menos de um ano – foi-mo dito quando aqui cheguei, na pátria espiritual. Mas eu não portava aquele carma, para sofrer tal ordem de ultraje público. Continue lendo