Alice (*) – Uma História de Amor, Além da Morte.

(Capítulo 2)


Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

– Por que me sinto tão abobalhado? É apenas uma moça jovem, quase uma adolescente… – martelava-se, intimamente, Matheus, tentando tranqüilizar-se, no transcurso dos poucos passos que precisou vencer, até Alice, a fim de “não fazer feio”, quando, postado ante ela, tivesse que lhe falar.

A aura de Alice começou a rodopiar em torno de seu corpo esbelto, num magnífico espetáculo espiritual, para os que o pudessem contemplar da dimensão extrafísica de existência, muito raro na crosta do planeta (em função da quantidade diminuta de espíritos pertencentes a seu patamar evolutivo, entre os encarnados), como se fosse um grande vórtice multicolor, expandindo-se, tendo-a como epicentro fotoemissor, do canto em que estava do salão, até tomar metade de todo o ambiente. Coração amantíssimo, era capaz de paroxismos de sentimento sublime, que uma mente comum não teria condições de compreender. E, como o turbilhão de luz, em matizes cambiando ao infinito, se intensificasse, à medida que seu admirador se aproximava, atingindo-o, em cheio, sobremaneira no chacra cardíaco, Matheus, em vez de se acalmar ao  chegar perto dela, não obstante todo seu esforço em contrário, foi ficando progressivamente mais nervoso, de tal modo que estacou à sua frente, qual se estivesse totalmente hebetado. Sentia-se uma criança, perante a figura de uma rainha piedosa. Em estado de choque, deu-se conta de que não teria forças sequer para falar. Foi então Alice quem, tendo noção clara do que se passava, adiantou-se, em tom doce e natural, tentando mostrar-se comum e simples, quanto possível, para que o “desconhecido” interlocutor se “desarmasse”, esforçando-se por dar um tom quase infantil à sua abordagem, convocando a comparecer o ego do “cavalheiro-dono-da-situação” que existe em todo homem.

– Olá. Tive a impressão de conhecer você… Continue lendo