Espírito Roberto Daniel

11 de fevereiro de 2008
 

Religiosos Tarados.

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Roberto.


“Dei-lhes a Tua palavra, mas o mundo os odeia,
porque eles não são do mundo,
como também Eu não sou do mundo.”
Jesus Cristo (João, 17:14)

Ateus odeiam católicos (*1).
Ateus e católicos têm repulsa por protestantes.
Ateus, católicos e protestantes deploram espíritas.
Ateus, católicos, protestantes e espíritas escarnecem daqueles que têm uma visão moderna do Espiritismo, como os componentes do Instituto Salto Quântico.

Cada um constitui uma camada de aproximação do Todo, e a escala, obviamente, não acaba na última que apresentamos, mas, numa perspectiva brasileira atual, sim, incomode a quem incomodar. Basta que os discordantes ofereçam argumentos melhores, prismas filosóficos mais apropriados e contemporâneos, que abarquem com propriedade toda a multidimensionalidade da condição humana, sem extremismos, exclusivismos ou reducionismos baratos – não os há. Fora do nosso país, porém, vejamos o que acontece:

Os maometanos xiitas regurgitam ojeriza pelos componentes da comunidade Bahá’í ou pelos monges sufis.
Os judeus ortodoxos abominam os seguidores da Cabala.
Mulçumanos detestam hindus.

Como saber em que nível você está? De que forma mensurar o quão próximo do Divino você se encontra? Quanto mais aberta, flexível, inclusiva, complexa e paradoxal (e, principalmente, não-discriminatória) for a sua perspectiva relígio-filosófica… Em contrapartida, quanto mais dogmático, radical, preconceituoso e fechado você for, mais sua linha de abordagem ideológica estará em desacordo com os desígnios Divinos.

Um teste fácil para superar a natural tendência à autocomplacência neste exame de si mesmo: você olha com desdém ou asco para os que têm conduta que fere o que considera “o certo” ou “o decente”; julga pervertidos os que pensam de modo mais amplo ou científico que você; reputa-os aberrações diante da natureza ou de Deus e os vê como condenados a punições eternas n’outra vida? Bingo! Você é um fanático tarado, com vocação para genocida – só lhe falta oportunidade de fazer o mal em larga escala, porque já o faz em menor medida, com o fel mefistofélico de sua língua dos infernos. Que Deus proteja seus semelhantes de sua fúria odiosa… e diabólica!!! Que Deus o proteja de tudo de ruim e abominável que você pode fazer por si mesmo, em termos de conta cármica acumulada sobre sua cabeça, conta esta que, mais cedo ou mais tarde (mais grave se mais tarde), entornará sobre você, como uma chuva sinistra de canivetes.

Duro demais? Jesus asseverou ser um “pecado sem perdão” julgar como proveniente do mal um “espírito santo”, no capítulo terceiro das anotações do Evangelho sinóptico de Marcos. Se você lança alguém no “fogo” da condenação, baseado em textos bíblicos, recorde-se de que as mesmas escrituras sagradas (do Antigo Testamento) foram utilizadas para conduzir o Cristo à crucificação, e que as Palavras de Jesus, nos Evangelhos, exortam à prática da mediunidade e da cura, a cada passo de Seu Ministério Sagrado.

Você, por exemplo, achou excessivo o emprego da adjetivação “tarados”, para esta categoria de religiosos a que me refiro, no título deste artigo? Que tal, então, expressões como: “demoníacos” ou “inimigos da espécie humana”? Poderíamos incluí-los no rol dos réus acusados de crimes cometidos contra a humanidade e reabrir os Tribunais Nuremberg. Assim, se você me considerou extremado, lamento informar que estou sendo demasiadamente polido, para a gravidade do assunto de que trato. Que dizer de gente que se julga superior aos outros, como os que cozinhavam em caldeirões e torturavam até a morte médiuns ou dissidentes de seus pontos de vista, em outro tempo (na época da Inquisição), e só não fazem o mesmo ainda hoje, porque a evolução do Direito e da Civilização os impedem? – no Oriente Médio e na Casa Branca parece que ainda não (*2).

E você é daqueles espíritas “de carteirinha”, bem alinhado ao movimento convencional, que me acha com “papo de obsessor”, porque estou sendo direto e uso um palavreado enfático? Cuidado, amigo, pois sua gente perseguiu Chico Xavier, no início de seu apostolado psicográfico, como o fez a maior organização espírita do país, que se recusou a publicar várias de suas obras magníficas, por anos sucessivos. Você pensa que espírito de Luz está sempre falando mansinho e doce, com as palavras “caridade”, “humildade” e “Jesus” ditas a cada parágrafo, não é? Sem dúvida, há respeitáveis ases da Espiritualidade Sublime que assim se exprimem, mas também grandes falsários, encarnados e desencarnados, que se manifestam deste modo para melhor manietarem suas vítimas, com ares de santidade, desarticulando-lhes os crivos de análise e o senso crítico. Quanto a mim, você acertou, não tenho grande evolução, mas, qual um pai consciencioso, que sabe dizer coisas duras, na hora certa, a seus filhos, jamais medirei meu vocabulário nem minha fraseologia, com receio de perder a simpatia daqueles com quem me preocupo. Nos dizeres de Emmanuel, o salva-vidas, para resgatar alguém da morte iminente por afogamento, não pode “pegar leve” com a pessoa, devendo mesmo chegar a, por exemplo, deslocar-lhe um ombro, para lhe preservar a vida. Para completar, faço uso, caro companheiro, de um recurso chamado psicologia, geminado a um outro artifício denominado “artefatos de comunicação”. Não posso me utilizar de argumentos do tipo: “Jesus mandou ser bom”, porque então as pessoas respondem: “Pois é, como sou pecador, vou continuar errando.” Se digo, entretanto: “Seu otário, ou seja bom, ou você vai se ferrar!”, num instante, todo mundo se acorda, e o objetivo da mensagem é atingido – salvar a alma do estróina displicente, adormecido para as mais graves questões da vida.

Retornando ao tema central desta mensagem, para encerrá-la: cuidado, amigo!… Hoje, você pode estar inflamado de “cóleras sagradas”, quais os antigos líderes religiosos judaicos, condenando quem você não entende, como o fizeram saduceus e fariseus em relação a Jesus. Talvez, você esteja tão cheio de certezas espirituais, como eles também estavam… Amanhã, porém, poderá tomar amaríssimas surpresas… Que Deus o guarde de sua própria loucura orgulhosa, fanática e preconceituosa!

(Texto recebido em 8 de fevereiro de 2008. Revisão de Delano Mothé.)

(*1) Sim, não me equivoquei: ateus são religiosos – eles acreditam que Deus não existe! Que “fé” impressionante esta, que contraria toda lógica e razão, afirmando poder existir uma criação sem Criador, um efeito tão complexo sem Uma causa inteligente!… Vou dizer o que penso desta seita, de modo mais claro: delírio e estupidez, na melhor opção; modismo pretensioso e patético de pseudo-intelectuais, numa alternativa mediana; má-fé e falta de caráter, na indisposição para dar contas a um Poder Superior, na pior das hipóteses. Se estes padrões psicológicos de motivação estão num nível inconsciente ou consciente de seus profitentes, não faz a menor diferença. São todos semiloucos, no sentido intelectual ou, pior: no moral. Pouco político da minha parte? Perdoem-me os de brios mais susceptíveis, mas não posso ser político com gente inconsciente e inconseqüente, que estimula suicídios diretos ou indiretos, em massas de adolescentes e pessoas incultas, sem preparo para rebater seus torpes, falaciosos e inconsistentes argumentos. O que eles têm a oferecer de conforto-substituto à eliminação da idéia de Deus – se é que sacrilegamente podemos assim nos exprimir –, em meio a tanta miséria e injustiça, para moles de sofredores solapados por adversidades crescentes, num mundo globalizado e progressivamente mais intrincado?

(Nota do Autor Espiritual)

(*2) Roberto faz uso de fina ironia, remetendo o leitor, sub-repticiamente, ao fato notório de os mandatários da maior potência mundial serem fortemente influenciados por linhas fundamentalistas protestantes, assim se nivelando à barbárie de seus inimigos do radicalismo islâmico, em iniciativas de guerra no mínimo controversas, como o foi e está sendo a atual invasão do Iraque.

(Nota do Médium)




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