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(Capítulo 2)
– Por que me sinto tão abobalhado? É apenas uma moça jovem, quase uma adolescente… – martelava-se, intimamente, Matheus, tentando tranqüilizar-se, no transcurso dos poucos passos que precisou vencer, até Alice, a fim de “não fazer feio”, quando, postado ante ela, tivesse que lhe falar. A aura de Alice começou a rodopiar em torno de seu corpo esbelto, num magnífico espetáculo espiritual, para os que o pudessem contemplar da dimensão extrafísica de existência, muito raro na crosta do planeta (em função da quantidade diminuta de espíritos pertencentes a seu patamar evolutivo, entre os encarnados), como se fosse um grande vórtice multicolor, expandindo-se, tendo-a como epicentro fotoemissor, do canto em que estava do salão, até tomar metade de todo o ambiente. Coração amantíssimo, era capaz de paroxismos de sentimento sublime, que uma mente comum não teria condições de compreender. E, como o turbilhão de luz, em matizes cambiando ao infinito, se intensificasse, à medida que seu admirador se aproximava, atingindo-o, em cheio, sobremaneira no chacra cardíaco, Matheus, em vez de se acalmar ao chegar perto dela, não obstante todo seu esforço em contrário, foi ficando progressivamente mais nervoso, de tal modo que estacou à sua frente, qual se estivesse totalmente hebetado. Sentia-se uma criança, perante a figura de uma rainha piedosa. Em estado de choque, deu-se conta de que não teria forças sequer para falar. Foi então Alice quem, tendo noção clara do que se passava, adiantou-se, em tom doce e natural, tentando mostrar-se comum e simples, quanto possível, para que o “desconhecido” interlocutor se “desarmasse”, esforçando-se por dar um tom quase infantil à sua abordagem, convocando a comparecer o ego do “cavalheiro-dono-da-situação” que existe em todo homem. – Olá. Tive a impressão de conhecer você… Continue lendo Benjamin Teixeira Querido irmão em Cristo: Torna teu caminhar um despejar constante de bênçãos, na jornada de teus irmãos em humanidade; lembrando, todavia, que doçura demais cristaliza o doce, assim como sal em demasia torna completamente impalatável o prato fumegante e aromático. Sê quem distribui a bênção, tanto no silêncio ante a ofensa injusta, quanto na fala firme com coração querido, salvando-o das garras do mal. Esquece o desejo de prestar tributo às aparências sociais e às conveniências pessoais. Procura, antes de atender a impositivos das expectativas dos que te amam (ou te querem possuir e controlar, por algum motivo íntimo, talvez inconfessável), dar-lhes, de fato, o de que carecem. É assim que, amiúde, o pai enérgico pode se fazer melhor canal de Deus, para seu filho, do que a mãe indolente e complacente, que amolenta o caráter do rebento de seu seio, com mimos excessivos, apesar de jamais ter a intenção, ao menos conscientemente, de prejudicar a própria cria. (Ego sabotador; compensando-se por erros do passado; os grandes mestres; famintos de Luz.)
Perceber os mecanismos sabotadores do ego é de estratégica importância para que, por conseguinte, possamos superá-los, contorná-los, ou, ao menos, não nos deixar ser por eles conduzidos, controlados e paralisados. # Muito mais importante é a continuidade de um padrão de crescimento do que um instante de vitória, que pode se fazer aparente, provisória. Naturalmente, quem evolui se dá conta de que se poderia ter saído melhor em episódios do passado (mesmo porque o aprendizado e a experiência propiciados pelo tempo levam a criatura a fazer avaliações diferentes sobre situações por que atravessou). Mas, exatamente em função de enxergar um erro no pretérito, a pessoa pode reagir tão bem no presente, no sentido de se ressarcir por esses antigos equívocos, que venha a compensar, em muito, o mal que haja perpetrado, a ponto de, num futuro remoto ou mesmo próximo, este mesmo indivíduo que resvalou em erro, chegar a abençoar os deslizes em que incorreu, por lhe haverem gerado o impulso de reparação, responsável por lhe fomentar um progresso bem maior que o que teria logrado, caso não houvesse caído no desvão da falta. # (Objetivos de vida; profissionais de vanguarda; isenção terapêutica.)
O esforço para atingir os próprios objetivos compõe, de alguma maneira, estes mesmos objetivos. Devemos ter a lucidez para perceber que não há como alcançarmos, do dia para a noite, metas complexas, que demandam tempo e disciplina, recursos e treinamento que não podem, simplesmente, de hora para outra, ser amealhados. # Até os grandes mestres, que fizeram suas áreas de atuação avançar, em passado próximo e remoto, foram vítimas de violento ataque, por parte de seus coevos. Quem representa um novo padrão de atuação profissional ou de patamar de conhecimento e entendimento de algum departamento da cultura humana é naturalmente encarado com desconfiança (se não, com declarada hostilidade), pelos que preferem a acomodação no “status quo” ou que simplesmente não têm como compreender os princípios da nova proposta. Continue lendo Benjamin Teixeira Aquele receio, aquele pequeno defeito, aquela fraqueza renitente, que você reconhece injustificável, tornou a incomodá-lo. É um alerta para o quanto ainda você está vulnerável às forças maléficas, que tramam contra o sucesso dos planejamentos divinos. Cada vez que isto acontecer, trate de orar com mais intensidade e trabalhar com mais afinco na obra redentora a que dedica os seus esforços. Deste modo, munido de maturidade, conferida pela devoção integral a Deus, que dá toda confiança que o ser humano necessita para labutar na seara divina com segurança, você se estará candidatando a novos, maiores e melhores empreendimentos. Não queira ter o controle da situação: entregue-se, confiantemente, a Deus, muito embora, por isso, não se renda a comportamento temerário ou negligente. Faça da sua vida um hino constante de confiança no Todo-Poderoso. Hoje, uma situação menos agradável pode convidá-lo a qualquer desatino, mas, se se mantém fiel a seus princípios, tudo acaba se encaminhando para o bem, por mais que as tempestades ameacem afundá-lo em desgraças. Um ou outro medo que se faz recorrente pode servir de incentivo à reflexão, e, assim, ajudá-lo a andar com mais critério pelas trajetórias sinuosas da auto-superação. Continue lendo (Capítulo 1) (*)
Linda, inteligentíssima, impecavelmente educada, serena, virtuosa. Alice era um muito bem-acabado modelo de qualidades que parecia desafiar a máxima de sabedoria universal de que ninguém é perfeito. Cabelos caprichosamente caindo sobre os ombros, em artísticos anéis, num matiz indefinível, entre o dourado e o castanho muito claro, olhos cor de mel de um cintilante e inexprimível brilho. Presença que se fazia notar, com discrição; silenciosa quanto possível; graciosa continuamente; sábia nas colocações simples; inalteravelmente amistosa, com todos com quem convivesse. Ironicamente, apesar do invulgar e irresistível carisma que a envolvia, fugia de qualquer situação que a pusesse em evidência. Como encontrar tantos atributos, numa menina-moça de apenas 21 anos? Ninguém sabia muito claramente – a não ser alguns espíritas que tinham a honra de com ela privar contato –, mas Alice era um ser de elevadíssima envergadura evolutiva. Uma dama da antiga Roma dos Césares, ciosa (desde aqueles longínquos dias de dois milênios passados) das tradições e da moral familiares. Não chegara, naquele recuado tempo, a se converter ao Cristianismo, então em seus movimentos primordiais; entretanto, se fizera um vivo baluarte da decência e do equilíbrio, na corte decadente de Nero – o mais célebre anti-Cristo da História. Continue lendo Benjamin Teixeira Acompanhei o trabalho de assistência que um religioso sincero despendia, por meio de atendimento à distância, pela antiga via da correspondência convencional. Amigo dileto de nossa dimensão, que funciona como orientador espiritual do velho sacerdote, convidou-me a observar seu método de trabalho de inspiração psicográfica. Ou seja: sem chegar a executar uma psicografia plena, o mentor desencarnado conseguia imprimir sentido ao texto em processo de redação, enxertando idéias e conceitos, quando julgava apropriado. Assim, apesar de expressivo percentual anímico, no produto final escrito, o sacerdote, ao menos em metade (às vezes até dois terços do que grafava), reproduzia o que lhe era insuflado, na câmara secreta da própria alma, pelo que se poderia denominar voz da intuição. Era isso relativamente fácil, ao companheiro encarnado, em função do profundo equilíbrio interior, haurido em anos de disciplinas oracionais rígidas e em largas quotas de autoconhecimento e autodomínio. O reverendo tomou a caixa de correspondência sobre a escrivaninha antiga, e passou a abrir as primeiras cartas. Jovem senhora agradecia-lhe o socorro prestado, surpresa por receber atenção especial dele – ela, que era tão-somente uma ouvinte anônima de seu programa de rádio dos domingos pela manhã. O servidor do Cristo ajustou a máquina de escrever (não conseguira ainda se libertar do hábito) e teclou, com a velocidade típica conferida pela prática de dedilhar sobre os botões mecânicos do aparelho rústico: Continue lendo |
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