Benjamin Teixeira de Aguiar

4 de dezembro de 2007
 

Hospedado na Fábrica de Graham Bell.


por Benjamin Teixeira.


A pedido dos mestres desencarnados, em particular Eugênia, eis-me novamente a redigir “por mim mesmo” o texto a figurar como “mensagem do dia” em nosso sítio eletrônico. Coloquei entre aspas a condição de autor do artigo, porque, quando os orientadores espirituais solicitam o trabalho direto de minha personalidade, na confecção destas redações, sinto, amiúde, como se estivesse psicografando de modo inspirado – ou seja: embora sem ver nem ouvir nada do mundo espiritual, percebo estar, nitidamente, sendo conduzido no que escrevo, desde a concatenação das idéias à escolha do vernáculo. Assim, costumo me sentir agindo como médium ainda, pela via da intuição e pelas vibrações do ideal partilhado com os mestres do Domínio Excelso de Existência.

Fiz, pela primeira vez, palestra em Lowell, Massachusetts, antiga cidade industrial do século XIX (com destaque para o setor têxtil), em muitos aspectos organizada como os aglomerados urbanos do interior norte-americano na famosa região de New England, mas que não passa de uma sombra do próspero centro fabril que foi há 150 anos.

Estou hospedado em casa de brasileiros, que residem num apartamento localizado em um prédio que, no ano de 1879, sediou a primeira fábrica de aparelhos e suprimentos telefônicos dos Estados Unidos e do mundo, fundada pelo próprio Alexander Graham Bell, que inventara o telefone apenas três anos antes, expondo-o na feira de ciências de 1876, em celebração do primeiro centenário da independência ianque. Devemos ao nosso imperador, D. Pedro II, presente ao evento, o patrocínio do projeto do jovem inventor, em quem ninguém queria depositar confiança. É de nosso monarca a famigerada frase que entrou para os anais da história da telefonia mundial, ao ter contato com o engenho de Bell: “Meu Deus, isto fala!” Graças a este apoio direto e pessoal de nosso soberano, o Rio de Janeiro, à época capital do Império tupiniquim, seria a primeira cidade do planeta a ter uma companhia telefônica, no mesmo 1979, em que Graham Bell abriu as portas de sua fábrica.

Interessante a sincronicidade de estar digitando estas linhas neste prédio histórico. Por duas razões principais. A primeira, porque trabalho com um sistema de comunicação à distância: a tele-visão, equivalente visual e coletivo do tele-fone. A segunda, pelo fato de eu ser um trans-comunicador – uma outra forma de comunicação à distância: a psíquica ou interdimensional, mediúnica ou espiritual.

Esta região, circunvizinha a Boston, é dos núcleos de maior densidade intelectual do planeta. Algumas das mais importantes e prestigiadas universidades do mundo, como Harvard, estão por aqui. Ao todo, na área metropolitana de Boston, há, atualmente – pasme-se –, 54 universidades! Quando, em 1999, palestrei neste Estado pela primeira vez (Massachusetts), não por acaso denominado “The Spirit of America” – que poderia ser traduzido mais ou menos como “A ‘Inteligência’ ou a ‘Mente’ da América” –, senti uma estranha propensão à erudição e à complexidade. Frases inteiras em grego e latim pululavam-me à mente, e os raciocínios estavam misteriosamente elaborados, como se a atmosfera psíquica do lugar (psicosfera) exalasse intelectualidade em cada centímetro cúbico de ar… Desta vez, novamente, percebi a impulsão forte à cognição sofisticada, com conceituações intrincadas espontaneamente brotando no cérebro, mas consegui me ater mais ao coração do que em ocasiões pregressas. Estarei ainda proferindo palestra na terça-feira, na cidade de Marlboro, pertencente à mesma “bolha do saber” – ousaria chamar –; vejamos como procederei por lá.

Juntando todas as peças simbólicas deste texto: gênios e inteligências excepcionais do passado criaram uma espécie de vácuo psíquico e intelectual por onde trafegamos hoje, quais vias expressas e pavimentadas rasgadas no meio de um deserto gigantesco da brutalidade e ignorância primordiais. Aproveitemos a bênção do legado com que homens e mulheres de extraordinária inteligência nos presentearam, em gerações pretéritas, espíritos de escol que desceram à ribalta da existência física, a fim de, com mastodôntico sacrifício de si mesmos, isolados em ambiente que lhes era substancialmente inferior, fermentar e catalisar o progresso da mente popular. Valorizemos o estudo, a pesquisa, a leitura, para que cresçamos o quanto pudermos, nesta era de conhecimento facilmente acessível em bibliotecas abertas ao grande público – tanto convencionais como eletrônicas, ofertadas pela rede mundial de computadores a qualquer psiconauta do intelecto.

“Espíritas: amai-vos, eis o primeiro ensinamento; instruí-vos, eis o segundo” – afirmou, categoricamente, o Espírito Verdade, em máxima-lema exarada na codificação kardequiana. Curiosamente, o mesmo princípio “binômico” foi levantado, por pesquisadores de EQM’s (experiências de quase-morte), em relatórios minuciosos delineados a partir do estudo de milhares de casos documentados, de gente que foi ao Outro Lado da Vida e voltou para contar o que vivenciou durante sua morte clínica – os dois maiores valores da existência humana, nesta ordem, seriam: amor e conhecimento.

Valhamo-nos, à distância (significado do prefixo grego “tele”), da sabedoria e lucidez destes seres, estudando-lhes as obras. E, por outro lado, busquemos-lhes a inspiração, por meio da ativação de nossa intuição e pelo despertar da vocação, porque, de Altiplanos da Espiritualidade Sublime, eles almejam nos maximizar o aproveitamento das reencarnações, para nosso e para o bem de quantos possam estar no círculo direto ou indireto de nossa influência pessoal.

(Texto redigido em 3 de dezembro de 2007. Revisão de Delano Mothé.)




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