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23 de outubro de 2007
 

Esperneando fora de hora

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Lidiane.

Meu querido: você me disse ter sido atacado pela esposa, que seria uma ingrata, que só focaria o pior em você; que é incompreendido e massacrado pelo chefe, que lhe quereria arrancar o sangue d’alma todos os dias, não lhe reconhecendo os valores; que os colegas de trabalho seriam todos falsos e perigosos, esperando oportunidade para lhe dar uma rasteira.

Você tem noção de como este quadro é meio patético e do quanto você mesmo se torna patético, ao sustentá-lo e reagir ao mundo deste modo? Você precisa de apoio psicoterápico de qualidade e não de conforto espiritual. Cuidado com essa ordem de conjecturas, mormente se estão se convertendo num hábito, porque estará tomado por um padrão infantil e superficial de análise dos eventos da vida – sente-se a vítima, o mártir, o pobre coitado.

Talvez a esposa esteja na perspectiva da mãe cansada com um filho relapso – só que você não é filho realmente, o que significa dizer que seu casamento pode estar por um fio.

Quem sabe o chefe lhe está dando as últimas chances de se corrigir de vícios insustentáveis na atividade profissional, cogitando seriamente de sua demissão ou recolocação a um posto inferior, na organização da empresa?

Seus companheiros de trabalho, com boa chance de ser verdade, podem ter tantas virtudes, quantos defeitos você vê neles, pois que provavelmente esteja projetando questões mal resolvidas de insegurança e de falta de autocrítica nos outros.

A bronca da esposa ou do chefe pode ser merecida – já pensou nesta hipótese? O olhar de desdém do colega de serviço pode ser decorrente da desagradável companhia em que você se tem tornado, no correr do tempo – passa-lhe isso pela mente?

Quase sempre os chatos de galocha, quanto os relapsos e negligentes, culpam os outros por seus problemas, por ser esta uma forma mais cômoda de conviver com a própria consciência, ou porque, às vezes, nem consciência muito elaborada, para uma percepção mais apropriada, abrangente e complexa da realidade, chegam a apresentar.

Amadureça, amigo. O adulto reage de modo diferente. Não adianta espernear no chão da vida, como a criancinha histérica, que faz uma cena em público, para a mamãe submeter-se-lhe ao capricho de comprar algo de seu agrado. Sua mãezinha pode ter sido deficiente em lhe dar o corretivo à época. Deus, esteja certo, não é como uma mãezinha abobalhada, e a Vida, em nome d’Ele, pode ser de uma dureza implacável, como não precisamos, acredito, argumentar neste sentido: as tragédias pessoais de tantas pretensas-vítimas “reclamonas” são um coro suficientemente persuasivo e trágico, revelando o que ocorre com os que têm a inclinação mesquinha à autocomplacência. Quem muito cobra de tudo e de todos, sem estar realmente se dando como deveria ao mundo, acaba sendo abandonado, pisoteado e tripudiado pelos eventos da existência.

Há verdadeiras vítimas, há quem tenha sido de fato injustiçado. Mas, quase sempre, estas experiências atuam num contexto maior de transformação interior. Ou seja: tudo acontece para fazer a criatura sair do lugar, reagir, crescer, produzir no bem. Conclusão: ainda que você esteja certo, na postulação de estar sendo realmente desfalcado em seus direitos, tomar a ótica da vítima sacrificada e render-se à situação de massacre é uma atitude completamente indefensável. Confiar-se ao sentimento de derrota e mágoa contra os outros e contra a Vida será sempre uma postura psicologicamente regredida, a indicar sérias deficiências emocionais no indivíduo.

Levante-se agora, amigo, do chão ominoso de seu derrotismo e complexo de perseguição (que dá origem ao que, tecnicamente, denomina-se “paranoia”). Se a ceninha da criança batendo as pernas, no piso da loja de departamentos, já é pouco cabível em faixas etárias mínimas, não logra ser mais que um morbo inaceitável, em quem tenha mais idade.

(Texto recebido em 22 de outubro de 2007.)

(*) Aproveitando a data de meu natalício, nesta sexta-feira, 26 de outubro, e em função de uma série de ajustes, levados a efeito recentemente, nos trabalhos mediúnicos que desdobro com os bons espíritos, estarei reiniciando, pelo tempo que Deus permitir, a publicação de mensagens mediúnicas de interesse coletivo, neste sítio eletrônico, também em dias não úteis, a começar do próximo fim de semana. Muita paz.

(Nota do Médium)





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