Espírito Gustavo Henrique

26 de março de 2007
 

Culto do Evangelho com Eugênia – 06.

(Gratuidade dos serviços espirituais e mediúnicos. Demagogia, hipocrisia e pretensão de superioridade dos acusadores no âmbito. O espírito da verdadeira gratuidade, em todas as atividades humanas. A fala de Jesus, nos Evangelhos, a respeito.)

Benjamin Teixeira e o espírito Gustavo Henrique.

Uma verdadeira catarse coletiva através do riso – seria talvez a melhor forma com que poderíamos traduzir o almoço em que nos inseríamos, em nosso próprio lar, basicamente dominado pela presença de senhoras na meia-idade. Falamos de fraquezas individuais, com tom de descontração e apoio psicológico compartilhados, cada um procurando tirar melhor proveito de sua própria falibilidade humana, de modo que todos nos sentimos irmanados e unidos, na mesma condição de seres imperfeitos, sem pretensões a superioridade. Fraternidade e transparência eram as notas prevalentes do pequeno conselho de almas irmãs.

O relógio, naquele começo de tarde animada, já nos acusava pequeno atraso de minutos, para o início das atividades a que nos jungíamos pela disciplina, e, embora soubéssemos que dez ou quinze minutos de atraso são perfeitamente tolerados pelos mentores espirituais, demos por principiada nossa reunião de estudos evangélicos-espíritas.

Foi aberto, primeiramente, no sistema habitual do sorteio, o capítulo 85 do clássico “Fonte Viva”: “Impedimentos”. Proferida a prece inicial, um trecho do Evangelho de Mateus, capítulo XVII, a respeito da descida do monte, após a transfiguração de Jesus diante dos Apóstolos, ínsito nos comentários da questão 222 de “O Livro dos Espíritos”, foi compulsado. Em seguida, desembocamos na leitura do item 7 do capítulo XXVI de “O Evangelho segundo o Espiritismo”: artigo “Mediunidade Gratuita”.

Concentrei-me para o trabalho mediúnico, e Eugênia autorizou-me a receber, pela psicografia, uma pequena aula do espírito Gustavo Henrique, discorrendo sobre a controversa temática da gratuidade das atividades espirituais. Em continuidade, ele mesmo (já conectado psiquicamente a mim, para a transmissão do capítulo 3º de “O Instituto Voltaire” – o que fez, depois de terminada a reunião fraterna) enviou mensagens de outras entidades do plano extrafísico presentes, entre elas: o esposo de uma amiga viúva; o avô de uma jovem na casa de trinta anos; a mentora espiritual de duas outras jovens senhoras; e mães de duas outras convivas. O próprio Gustavo Henrique dirigiu-se, por fim, ao único companheiro homem, encarnado, além de mim, no pequeno núcleo de almas afins, terminado o que pediu para ser feita a prece de encerramento das atividades do culto.

As mensagens pessoais, no tom direto, mas amoroso, do querido romancista desencarnado do Salto Quântico, continham, como sói acontecer nestas ocasiões, tocantes provas da imortalidade da alma: itens íntimos que não eram de meu conhecimento, de banalidades a grandes questões existenciais de cada destinatário (com exceção de duas das missivas psíquicas, estas sem elementos comprobatórios de tal natureza).

Segue-se, abaixo, o texto de interesse coletivo, nos comentários instrutivos do orientador do Plano Sublime de Vida, que envergou os trajes sacerdotais da Igreja Romana.

Gratuidade em Todas as Atividades Humanas.

Queridos amigos e amigas:

Que Jesus nos abençoe a todos. A grande questão a considerarmos, hoje, é a necessidade de serviço gratuito, por dentro de nós mesmos. Muito nobre e correto que não se façam seguir de cobranças pecuniárias trabalhos de ordem mediúnica, espiritual e religiosa, mas muito mais relevante, digo mesmo essencial, é o espírito de gratuidade com que todas as coisas devem ser realizadas (e não apenas as atividades religiosas), para que, assim, sejam feitas santa, coerente, verdadeiramente…

Notamos lamentáveis e cínicos disfarces do interesse pessoal, às vezes invisíveis aos olhos dos homens, mas muito claros aos olhos de Deus:

A mãe que cobra obediência dos filhos, em escolhas que competem a estes últimos, em retribuição aos desvelos maternais de desde o berço.

O marido provedor, que paga as contas do lar e supõe adquirir, com isto, direito a exigir, da companheira, renúncia a seus sonhos profissionais.

O religioso que se esforça por oferecer serviços, sem o justo numerário indispensável à sua dedicação integral, num mundo de necessidades materiais, mas que, internamente, cobra tributos de gratidão ou veneração dos beneficiários.

No sentido diametralmente oposto, há aqueles que demonstram sintonia com o bem, na suma essência da palavra, apesar de obterem benefícios de ordem material, pelo trabalho que executam.

O cirurgião consciencioso, muito bem pago por seu ofício, mas que o realiza com o coração e a mente voltados a cumprir dignamente seu mandato sacerdotal de curador, atento a dar o melhor de si pela saúde e pela vida de seus pacientes.

Existe, outrossim, o homem público que, a despeito das suspeitas de muitos (quanto a seu caráter), das pressões ingentes de diversos segmentos de interesse e mesmo das solicitações sagradas da família, tudo sacrifica pelo bem comum e a nobre ambição de deixar uma marca pessoal de crescimento e melhoria das condições de vida de seu povo. E este homem não só é bem remunerado, como recebe muito poder em suas mãos.

Preste atenção, companheiro, para não se ver presa de sofismas baratos ou demagogias e hipocrisias da má-vontade e da inveja, do preconceito e do conservadorismo dos que não estão dispostos a enxergar, com olhos no propósito e nos frutos, as realizações do bem.

Disse-nos Jesus que se conhece a árvore pelos frutos – que, sendo bons, a árvore necessariamente seria boa. E, da mesma forma que a árvore não prescinde dos benefícios da chuva e dos sais minerais do solo, para desenvolver-se e frutescer, igualmente o gênero humano, quando em suas reencarnações físicas, não dispensa os recursos materiais, através dos quais se organizam as estruturas de civilização.

Tudo pode e deve ser vivido no espírito da gratuidade, e não apenas a mediunidade. A inteligência do médico ou do empresário lhe foram concedidas por Deus, pelo processo evolucional da consciência, tanto quanto a mediunidade, que é resultado da complexificação do organismo psíquico. Mas, assim como um médium pode viver indevidamente o serviço de intermediário entre as duas dimensões de vida, com o foco no tributo à vaidade, um cirurgião brilhante (e bem-sucedido) ou um empresário milionário podem, respectivamente, salvar vidas e conduzir impérios econômicos, com tal espírito de realização e serviço, que mereçam ser recebidos, quando aportarem à verdadeira vida, a do espírito, com os louros da vitória espiritual reservada a mártires e santos.

Cuidemos de não nos deixarmos fascinar pelos “falsos Cristos” e “falsos profetas” das idéias bisonhas e inconsistentes dos que se preocupam com aparências, esquecidos da essência. E, para encerrar nosso colóquio breve sobre o tema, lembremos mais uma vez Jesus, quando disse, a respeito da remuneração devida a seus discípulos: “Ao trabalhador cabe o jornal pelo seu trabalho”.

O amigo Gustavo Henrique.


(Texto composto em 22 de março de 2007. Redação e psicografia: Benjamin Teixeira. Revisão de Delano Mothé.)




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