Assuntos polêmicos

19 de março de 2007
 

Masturbação (diálogo mediúnico)

Vampirismo, compulsão, fantasia, perversão; surtos de possessão pela sombra, canalização e extravasão de impulsos

Benjamin Teixeira de Aguiar
em diálogo com o Espírito Eugênia-Aspásia
18 de março de 2007

Benjamin Teixeira de Aguiar – Seria abusivo perguntar sobre masturbação?

Espírito Eugênia-Aspásia – Claro que não. A forma de você fazer a pergunta já revela a necessidade de ventilarmos a temática. Tudo pode ser falado, sob a perspectiva da Espiritualidade, sobremaneira o que é foco de tabu, a fim de que os automatismos neuróticos e destrutivos implicados, quanto as fixações culturais e sociais subjacentes, em sendo evidenciados, deixem de agir livremente a prejuízo de indivíduos e comunidades.

BTA – No passado, a masturbação era vista como pecado ou como desequilíbrio que até poderia causar distúrbios mentais e físicos. A medicina, auxiliada pela psicologia e pela sexologia, eliminou os fundamentos de tais crendices populares, que inclusive tiveram apoio de gente instruída, em tempos idos. No meio espírita, por exemplo, a masturbação ainda é associada a vampirismo ou desvio de função e desperdício das energias sexuais, como se toda prática masturbatória indicasse uma queda em tentação. Poderia nos dizer algo sobre isso?

EEA – Sim. É gritantemente necessário que um dos postulados básicos do Espiritismo – acompanhar os avanços da Ciência – seja lembrado entre aqueles que desejam, sinceramente, desposá-lo como filosofia de vida. Apegar-se a velhos conceitos, por tradição, por medo de enfrentar o novo ou pela falta de coragem em se responsabilizar plenamente pelos próprios atos, é uma atitude tão descompassada com a modernidade, que nos eximimos de expender mais comentários a respeito. Importante frisar que todo médium filtra, inconscientemente, o pensamento das inteligências que se manifestam por sua casa mental, de modo que refrações conceptuais ocorrem sempre, em algum nível, das sutis às mais graves. Eis por que a vigilância deve ser acentuada, principalmente quando condicionamentos culturais e convenções muito cristalizadas estão envolvidos.

O que tem dito a Ciência sobre o assunto? Que a masturbação é algo natural e até desejável para o indivíduo adulto. Mesmo entre pessoas que já têm a vida afetiva disciplinada nos corredores da educação conjugal, é compreensível aconteça o fenômeno do onanismo (para os dois gêneros), que muitas vezes se revela até imperioso, quando os ritmos sexuais dos parceiros não se alinham. Nesses casos, o autoerotismo permite que um não incomode o outro, na satisfação de suas necessidades de fundo psicofisiológico, nem se frustre ou gere recalques evitáveis, relacionados à quota excedente de libido que lhe não seja possível imediatamente canalizar para atividades não sexuais.

Quer na tenra juventude, quer em idade avançada, para solteiros ou casados, héteros ou homossexuais, a experiência masturbatória deve ser encarada como uma necessidade natural do corpo. Há abusos, sem dúvida, como os há em tudo na existência humana. Os ritmos sexuais podem ser exacerbados, na compulsão, ainda que se não tenha parceiro(a) para o intercurso carnal. Cada caso é um caso, e somente com profundo autoconhecimento a criatura descobre o sistema que lhe seja mais apropriado, em função de seu bem-estar geral, produtividade, criatividade e sentimento de equilíbrio íntimo, que constituem alguns dos resultados da sexualidade bem vivida.

Quanto ao vampirismo, pode acontecer também na vida afetiva a dois, sempre que os desajustes da perversão e da promiscuidade invoquem, para a alcova do casal, presenças extrafísicas de baixo padrão vibratório, pelo próprio diapasão de desequilíbrio com que se expressam em seu momento de intimidade.

BTA – Que bom, Eugênia! Creio que estes esclarecimentos vão ajudar muita gente. Entretanto, o termo “perversão” me parece amplo e difuso demais, e os preconceitos costumam adentrar facilmente esse campo valorativo. Temos enorme dificuldade em aceitar nosso lado animal e com ele conviver com naturalidade. Muitos são os que, por vergonha, não se soltam em funções elementares de sua própria fisiologia, tudo interpretando como sinal de depravação, primitivismo e imoralidade. O que você quis dizer com “perversão”? Pergunto, porque, na temática “masturbação”, normalmente entra em jogo o fator “fantasia”, que pode incluir itens melindrosos ou inadmissíveis na relação a dois – estou certo?

EEA – O tema é muito complexo, e, sem dúvida, não o esgotaremos nesta nossa primeira abordagem. Por outro lado, ainda não temos autorização, de Nossos Maiores, a discorrer abertamente sobre esse tópico, já que mentes menos amadurecidas, levianas, despreparadas para nos ouvir, poderiam fazer mau uso de nossas proposições.

Compreendamos, no entanto, que podem ser enquadradas no capítulo “perversão” quaisquer iniciativas que se façam lesivas a alguém, física, emocional ou espiritualmente. Em contrapartida, aquelas que fomentem o bem-estar biopsíquico, o crescimento psicológico e o bom relacionamento entre os parceiros não devem, dessarte, ser consideradas como distúrbio moral ou patologia psicossexual.

O quesito “fantasia” se apresenta ainda mais intrincado. Frequentemente, é melhor liberar certos conteúdos indesejados (e ainda não de todo domesticáveis) da psique, por meio das ferramentas imagéticas, do que fazê-los colapsarem no próprio comportamento, em surtos de “possessão pela sombra” (1), assim denominados pela psicologia junguiana. Os princípios de civilização, todavia, devem sempre reger tais processos mentais, de molde a promover a educação e a melhoria progressiva dos indivíduos, desde os gestos mais singelos e secretos aos grandiosos e públicos. A gerência de semelhantes impulsos (que, como dissemos, não podem ser de pronto sublimados, em sua totalidade) corre por conta da responsabilidade de cada pessoa, em função do seu próprio bem e o da coletividade em que se insere.

BTA – Algo mais desejaria acrescentar, por ora?

EEA – Que cada um(a) procure, quanto possível, a perspectiva do bom senso, do equilíbrio, da visão de conjunto, e dificilmente incorrerá em erros graves de conduta, seja na relação consigo mesmo(a), seja nas relações interpessoais.

(1) Quem já não se viu fazendo ou dizendo o que não desejaria? Fácil atribuírem-se tais atos inconvenientes à influência de entidades malévolas ou viciosas da outra dimensão de vida. Mas a questão é: ainda que isso seja verdadeiro, num dado caso, quais os motivos por que, em certa circunstância, abrimos guarda moral a esses vetores de indução do comportamento?
(Nota do Médium)




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