Benjamin Teixeira de Aguiar

5 de março de 2007
 

Busca e Necessidade de Mudança da Própria Identidade.

(Culto do Evangelho com Eugênia – 02.)

Benjamin Teixeira e o espírito Eugênia.

Reunidos mais uma vez em pequeno grupo, para o almoço em minha casa, no último dia 2 de março, uma das amigas presentes questionou-me sobre a possível causa de dores na região temporal esquerda do crânio. Obviamente excetuando-se causas físicas – o que não se aplicava ao caso – e baseando-me em descobertas recentes de neurociências, disse-lhe, então, que o lóbulo parietal esquerdo é relacionado à função de construir o sentido do “eu”, concluindo por aplicar o conceito científico à sua situação, propondo-lhe que a tal cefaléia era provavelmente provocada pelo grande esforço desempenhado pela companheira de ideal em tornar-se uma pessoa melhor.

O relógio nos chamou ao culto do Evangelho (diário, em meu lar), e começamos com a leitura inicial, proferida por Maisa Marante, do clássico “Pão Nosso” (Chico Xavier/Emmanuel), no capítulo intitulado “Sexo”. Logo após, Hilton Rocha fez a prece inicial, seguida da leitura de “O Livro dos Espíritos”, realizada por Paulo Soares: os dois primeiros parágrafos da questão 455, versando sobre o fenômeno do sonambulismo. Encerrando a compulsão de livros clássicos de nossa corrente espírita de pensamento, Gilmara Andrade abriu, ao acaso, o item 5 do capítulo XIV de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, abordando a temática da verdadeira família – a do espírito –, ao término de cuja leitura concentrei-me para a canalização do Plano Sublime de Vida.

Eugênia então, generosamente, fez uso da psicografia e escreveu, em dois blocos de texto, uma página de orientação para cada um dos presentes, novamente entrando em íntimas ocorrências ou detalhes prosaicos do cotidiano (fora de meu conhecimento) concernentes a cada um dos participantes.

Li os comunicados de ordem pessoal, distribuindo-os entre os destinatários, e a nobre mentora espiritual passou a grafar, por meu intermédio, a riquíssima mensagem que se segue abaixo, unindo o tema discorrido na conversa do almoço com os três trechos de leituras sorteadas no transcurso do culto do Evangelho, com o brilho de síntese e percepção de significados que lhe é peculiar à condição de grande sábia desencarnada.

Para gáudio espiritual e intelectual dos convivas, sequiosos das palavras da mestra do Além, li o artigo produzido mediunicamente e passei a voz a Úrsula Rangel, que se responsabilizou pela prece de encerramento das atividades espirituais daquele início de cálida tarde de verão.

“Como seria de esperar, então, minha fala a respeito dos tópicos coletivos estudados em nosso culto.

De fato, como discorreu o médium, já sob nossa orientação inspirativa, necessário que haja o despertar da consciência para níveis mais altos de lucidez, para além dos limites estreitos do ego, para os campos sem fronteiras da transpessoalidade.

Não por acaso, a palavra Buda, trocada, amiúde, como sinonímia de ‘iluminado’, significa, literalmente, ‘aquele que despertou’.

Mister se faz, para aqueles que se candidatam a um padrão mais elevado de felicidade e de realização íntima, que se rompa o estado de sono parcial em que seus sistemas psíquicos operam, escravizados às determinações dos instintos ou às solicitações caprichosas do ego. Assim, o estado ‘sonambúlico’ das consciências egóicas, materialistas, hedonistas, imediatistas, dará lugar, por uma crise de transição e de identidade, a novo diapasão psicológico, em que o altruísmo, o idealismo, a vocação, o serviço ao próximo e a Deus, o sentimento de devotamento e gratidão ao Criador fazem-se características corriqueiras da personalidade, esteja encarnada ou desencarnada.

Neste patamar mais nobre e complexo de manifestação do ser, expressões afetivas, como as sexuais, passam a ser regidas, estritamente, pelo ascendente do espírito, conforme suas afinidades psíquicas e seus ímpetos de criação, bem como as relações familiares deixam de estar submetidas aos ‘currais’ da parentela consangüínea, distendendo-se, sem medidas, primeiramente para os círculos de afinidade intelecto-moral, até englobar, nos arroubos do amor incondicional, a humanidade inteira.

Indubitavelmente, não se deve forçar a própria natureza, exigindo-se uma conduta acima do permitido pelas condições evolutivas atingidas. Mas, fazendo uso do bom senso e auscultando as vozes conjugadas da consciência e da intuição, é perfeitamente viável disciplinar-se a estrutura emocional de si, de forma a comportar uma maior expansão afetiva e um menor apego a fronteiras, que propiciem, por conseguinte, maiores níveis de plenitude e bem-aventurança.

Eugênia.”

(Texto composto em 2 de março de 2007. Revisão de Delano Mothé.)




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