Assuntos polêmicos

20 de dezembro de 2006
 

PARTE II de “Tragicomédia da Fixação no Amor Romântico”.

Benjamin Teixeira
pelo espírito Eugênia.

(Para ler a parte inicial deste artigo, clique na opção “Mensagens Anteriores” e selecione a que foi publicada ontem. Esta segunda parte foi toda recebida já em casa do médium, diferentemente da primeira, captada, inicialmente, na reunião pública do domingo passado, no Espaço Emes, Aracaju, Sergipe.)

Diagnosticou-se, recentemente, a síndrome dos que “amam demais”, denominação que julgo inapropriada, já que se trata, em verdade, de indivíduos que amam erroneamente, e, amiúde, nem sequer amam, apenas sendo dependentes da pessoa que julgam amar, quando não são francamente tirânicos com o objeto de seu pseudo-amor, não lhe autorizando, por exemplo, o direito de não os querer na intimidade, ou de poder ser quem é, realmente.

Nos relacionamentos duradouros – referindo-me especificamente aos conjugais –, é muito mais a afinidade de valores, metas e paradigmas interpretativos da realidade que fundem o casal numa teia segura de harmonia e integração, capaz de suportar os embates e desafios externos ao matrimônio (literal ou simbólico). São, assim, contrariamente às ilusões da cultura, as semelhanças – e não as diferenças – que unem os consortes.

Supervalorizado por Hollywood (mais recentemente), pelo movimento do Romantismo (na literatura mundial do século XIX), com sua gênese provavelmente no Trovadorismo do séc. XII de nossa era, a idolatria do amor romântico faz com que os indivíduos percam o senso das proporções quanto à multidimensionalidade de suas psiques e transfiram, para a expectativa de relacionamentos eróticos felizes, outras diversas necessidades da alma, igualmente importantes, como a fome de espiritualidade (de Deus), a busca de vínculos afetivos não-eróticos (como os amicais e familiares) e as vocações profissionais e de ideal. E o resultado irônico e trágico desta lamentável obsessão pelo sexo afetuoso é que não só a pessoa se frustra em todas as áreas negligenciadas de sua vida, em função do objeto de sua compulsão afetiva, como ainda elimina as possibilidades de obter êxito no âmbito conjugal, já que sufoca o parceiro com um nível de exigências e pressões, declaradas ou sutis, que terminam por consumir a relação.

Outrossim, importante considerar, para que tenhamos uma vida afetiva feliz, que o companheiro íntimo, pela exacerbação psicológica dos impulsos de posse, desejo e poder, inextricavelmente envolvidos nas engrenagens do amor romântico, funciona como uma espécie de espelho psíquico, apresentando tanto as questões mal-resolvidas, neuróticas e malevolentes, não aceitas em nós mesmos, como também as positivas e ideais, potenciais que nos aparecem retratados, de modo idílico, sobre a imagem emocional que fazemos do parceiro. Vemos, assim, ao lado, o que somos em profundidade, o que não desejamos ser, o que podemos ser ou o que viremos a ser.

Em suma: quer ser feliz na vida afetiva? Seja feliz sozinho, primeiramente. Quer ter um relacionamento romântico saudável? Seja, antes, psicológica e espiritualmente, maduro. Então, naturalmente e em todos os sentidos, atrairá pessoas e situações apropriadas à sua realização, plenitude e bem-aventurança.

(Texto psicografado por Benjamin Teixeira, em 19 de dezembro de 2006. Revisão de Delano Mothé.)

Fonte: http://www.saltoquantico.com.br




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