Benjamin Teixeira de Aguiar

6 de janeiro de 2006
 

O Anjo Desce à Terra (*).

por Benjamin Teixeira.

Estamos nas primeiras horas da madrugada do dia 6 de abril de 2005. Há poucas horas atrás, entre as 20 h e as 21 h do dia 5, para ser preciso, recebemos a visita do Anjo, no transcurso da nossa reunião mediúnica fechada de terças-feiras.

Já às 16 h, avisara-me ela, através da acústica mediúnica, que me preparasse para recebê-la, excepcionalmente, pelo processo completo de “incorporação”, a fim de que pudesse conversar diretamente com os que comparecessem ao nosso encontro semanal de serviço aos desencarnados sofredores e de aprendizado espiritual para a vida eterna.

Uso a psicofonia, muito sutilmente, ao final das palestras públicas, praticamente utilizando-me, em verdade, da psicoaudiência e apenas repetindo em seguida o que ouço. Eugênia queria, entretanto, que eu a “recebesse” por inteiro, fenômeno raríssimo, já que ela, normalmente, dada sua elevadíssima envergadura evolutiva, sequer desce à crosta para trabalhar comigo, nas psicografias, por exemplo, e nas diversas orientações que dá ao projeto Salto Quântico, diuturnamente. Para tais misteres, uma espécie de psico-celular funciona, como já aqui descrevi, e ela, então, se comunica comigo à distância, teleguiando-me nas atividades. Desta vez, contudo, ela queria descer.

Todo um trabalho especial de ambientação na nossa reunião mediúnica fechada foi levado a cabo, por técnicos da outra dimensão de vida, a fim de que não houvesse interferências indesejáveis, fossem de desencarnados perturbadores ou mesmo de pensamentos indevidos dos circunstantes encarnados, na tarefa de intercâmbio com o plano superior.

Ainda nas leituras preparatórias, já algumas senhoras e moças mais sensíveis choravam, sofrendo a doce pressão da fabulosa aura de Eugênia, que se estende, normalmente, a vários metros em torno de si.

Apagadas as luzes principais e deixando-se o suficiente de luminosidade para que todos se vissem sem dificuldade, mas em meio a suave penumbra, Eugênia pediu-me que solicitasse, de minha mãe biológica, presente a convite dela, fizesse a prece inicial, e, logo em seguida, em meio já a uma cacofonia de fungados discretos (a comoção já se disseminava pela sala, com apenas 23 encarnados presentes) e da agradável melodia de “Ave-Maria’s” de fundo, executada por aparelho de som em volume baixo, senti um curioso calor tomar-me a medula vertebral em sua parte superior, que a conecta à base do encéfalo, e, logo em seguida, senti-me girar para trás, como se houvesse um pino como eixo giratório, no centro da cabeça e eu ficasse deitado em decúbito ventral, flutuando no ar (o psicossoma)… em regime, portanto, de semi-desdobramento. Voltei a justapor perispírito e corpo, pouco depois, reacoplando-me incompletamente ao soma, para que pudesse acompanhar conscientemente todo o processo de comunicação, sem, todavia, estar mais ligado totalmente a ele.

A esta altura, as vibrações da adorável mentora espiritual fizeram-se mais fortes, fortíssimas – seria melhor dizer – principalmente na altura do chacra cardíaco. A amiga encarnada que estava sentada ao meu lado já se debulhava em lágrimas, acompanhada de várias outras pela sala. A respiração, por alguns segundos, fez-se-me opressa. As energias de amor profundo, penetrante e universal de Eugênia pareciam me sufocar.

A pedido dela, que falava comigo, internamente, sem ainda me “tomar” diretamente na incorporação, enlacei a mão à da companheira ao meu lado, que seria a primeira felizarda da noite a interagir com a grande mestra desencarnada. Poucos segundos depois, inclinava-se Eugênia, já se assenhoreando de meu organismo físico, sussurrando palavras maternais, próximas ao ouvido da jovem senhora, fazendo-a desaguar-se num oceano de emoções sagradas.

Depois de ligeiras palavras especificamente voltadas a ela, pediu vênia para se dirigir a todos, o que fez, comovendo a cada um dos presentes, com palavras espetacularmente tocantes a respeito de fé, compaixão e serviço fraterno. Eugênia vertia lágrimas, serena e elegantemente, com seu porte de diva greco-romana, usando um Português castiço, discretamente polido, mas sem afetações ou formalidades.

Terminada a rápida preleção, passou a nomear, em voz baixa, um a um, cada qual dos que compunham aquela assembléia restrita de companheiros e amigos diletos de ideal, e, um deles, que assessorava a grande mestra, neste mister, ia chamando, em voz alta, os que ela pedia se aproximassem, para dialogar rapidamente com ela, na cadeira postada ao meu lado, adrede para aquele fim. Com alguns, abordava questões íntimas, que não só não eram de meu conhecimento, como de nenhum dos outros encarnados no grupo, a não ser do próprio interlocutor, favorecendo o fortalecimento da fé. Para outros, abria revelações ternas sobre o passado remoto, quando estiveram reencarnados perto de Eugênia, em Aquitânia, quando o guia espiritual pertenceu à realeza em França. Ainda para alguns mais, ofertava promessas de proteção e amparo no futuro e para os entes queridos, estimulando a esperança e a tranqüilidade, nesta era de incertezas cruentas.

E seguiam-se, por parte dos agraciados com a dádiva da comunicação mediúnica direta, em meio a copiosas lágrimas, os: “Muito obrigado por tudo”, “Deus lhe pague”, “desculpe-me”, etc. E, quando a matrona desencarnada perguntava, a cada qual: “Quer me pedir ou perguntar alguma coisa?”, com poucas exceções, só repetiam agradecimentos e louvores de forma monossilábica, tamanha a emoção, diria mesmo o êxtase do momento.

Aquela uma hora de aconchego transcendente e fraterno passou célere. Nunca houvera, até a presente data, vivenciado incorporação tão longa de um mentor do plano maior, nem mesmo de Eugênia, com quem convivo, psiquicamente, há mais de 17 anos. Já havia psicografado por várias horas seguidas, inúmeras vezes. Mas em fenômeno pleno de psicofonia, como aquele, nunca. Ao final da reunião, Eugênia já apresentava dificuldades para se manter ligada, com seu psicossoma, ao meu, extremamente limitado, como sou, em minhas vibrações. A energia psíquica, gasta a mancheias, para aquela ponte provisória escancarada entre os dois mundos, começava a se dissipar… Foi quando pediu que Wellington Viana, meu braço direito na direção do projeto, fizesse a prece final.

Fiquei pasmo com a maturidade dos amigos ali congregados, e, com isto, mais uma vez, compreedemos: recebe quem está preparado para receber. Ou, como reza o antigo provérbio oriental: “Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece.”. Apesar da intensa elação e arrebatamento do instante sagrado, ninguém caiu de joelhos aos “pés de Eugênia”, embora visivelmente alguns tivessem este impulso, vindo falar trêmulos e nervosos com ela, além de apresentarem voz embargada, desfeitos em lágrimas abundantes. Alguns curvavam-se tanto, constrangidos ante sua presença espiritual majestosa, que mal o anjo podia aconchegá-los num abraço, como era seu desejo com todos. Outros, deitavam a cabeça em seu ombro (meu ombro, no caso) e choravam terna e intensamente, embora sem alarde.

A noite de atividades mediúnicas terminou e ninguém sabia o que dizer… talvez só agradecer… agradecer…
Um anjo nos visitara, em caráter extraordinário, e pediu que apenas nos lembrássemos de Deus, fizéssemos o bem que pudéssemos a todos, e levássemos a felicidade, o amor e a paz ao máximo número possível de pessoas.

Tudo se fez indelével em nossas mentes e memórias: o sentimento de inenarrável contentamento, na transposição mística entre as duas dimensões de vida, a realidade espetacular e magnífica da interação interdimensões, a certeza da imortalidade da alma… a convicção de que somos amados e protegidos por grandes seres de luz, do outro lado da vida…

Eles, que compõem a comunidade dos Anjos de Deus, ou a “Comunidade dos Espíritos Superiores”, prezado companheiro leitor, velam também por seu destino, sua ventura, sua tranqüilidade.

Espalhe amor e fé, esperança e sabedoria, alegria e benefícios diversos, ainda que de forma modesta e discreta, no dia-a-dia, com todos que puder alcançar com seu serviço cristão, e estes bens voltarão em sua direção, potencializados, mais cedo ou mais tarde; e, normalmente, em medidas bem além das que oferta, tanto cedo, quanto, mais ainda, tarde…

(Texto redigido em 6 de abril de 2005.)

(*) Afastado de Aracaju até sexta-feira, e sem condições de acessar internet na localidade onde estarei, não haverá, assim, disponibilização de psicografias inéditas neste período. Para que os prezados internautas que têm o hábito de acessar nosso site diariamente, no intuito de ler a mensagem do dia não “fiquem na mão” em seu esforço de começar o dia com uma boa meditação, selecionei, ajudado por Eugênia, algumas mensagens que já foram publicadas neste sítio eletrônico. Assim, a cada dia desta semana, à 0 h (hora Aracaju), um texto já apresentado será exposto mais uma vez, como “mensagem do dia”. Como sempre que tornamos a um escrito encontramos motivos novos de reflexão e aprofundamento de estudos, sugiro aos caros amigos sigam as sugestões de releitura. Na próxima semana, mais especificamente na segunda-feira, dia 9 de janeiro, estaremos voltando à publicação habitual de psicografias novas.

Confiando-os à Divina Bondade, Infinita, e aos bons amigos que A representam,

Irmão em Cristo,
Benjamin Teixeira.
Aracaju, madrugada de 3 de janeiro de 2006.




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