Espírito Eustáquio

2 de junho de 2005
 

A Mancheias.

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eustáquio.


Prezado amigo:

Reconheces-te em total soçobro psicológico. As provações abundaram e vacilas, à beira do precipício emocional.

Considera, entretanto, que, por mais fraco te sintas, mãos intangíveis te virão em socorro, renovando-te as forças, se persistires na senda que ora te assinala a existência na Terra.

A ninguém é dado aquilo que não lhe é suportável. Destarte, vê se te é possível adotar perspectiva melhor do quadro problemático ora enfrentado, e, assim fazendo, renuncia à lei do menor esforço e procura assimilar a lição da adversidade, com valor varonil. Enrijece as “carnes da alma”, ao sabor das intempéries da existência, e busca aplainar os excessos emocionais, calando melindres pessoais e melodramas a que te sintas inclinado, focando a mente no essencial: a tarefa a cumprir, os ideais do espírito, as grandes questões impessoais e intemporais, sempre muito superiores às questiúnculas encontradiças na senda do cotidiano.

Sim, tombaram sobre ti críticas descabidas. Deste teu melhor e, porque te mostraste humano, acusaram-te de charlatão.

Sim, os afetos mais caros zombaram de teus mais nobres sentimentos, enquanto ofertavas a linfa pura de teus mais elevados exemplos morais.

Lembra, todavia, que sempre foi assim. No passado remoto, almas santas passaram pela Terra, carregando fardos de inominável sobrecarga psicológica e moral, para que a multidão desse alguns passos rumo à civilização e à espiritualidade. E se te reconheces personalidade ainda distante da virtude de tais heróis da pureza e da dignidade de antanho, não menoscabes as oportunidades singelas, que te são propiciadas por Deus, de exibires os teus próprios ganhos espirituais, já hoje, ainda que pequeninos, assim consolidando-os, por meio de testes amaros, mas indispensáveis ao progresso do espírito.

És, assim, um estafeta da Luz, apesar de te encontrares, em muitos aspectos, ainda toldado pela sombra do passado arquimilenar, em faixas primitivas de consciência, que te envolve o coração de angústias e de tristezas diversas, pela enorme dificuldade que te impõe no escalar, definitivamente, a montanha da ascese. Diante disto, porém, concentra-te nos aspectos nobres de ti, e verte-os para teus semelhantes, a mancheias, na certeza de que, em dando, receberás; se não deles, de Cima; se não hoje, muito mais amanhã…

(Texto recebido em 1º de junho de 2005.)




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