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por Benjamin Teixeira
Muito embora o objetivo de estar encarnado e sofrer os efeitos da lei de causa-e-efeito seja favorecer a evolução das consciências, ninguém duvide de que o princípio do carma exista, como se o compreende classicamente – de retorno automático do que se faz aos outros, seja de bom ou de ruim, mais cedo ou mais tarde. Se você está comprometido com a busca espiritual, então, melhor ainda para observar a existência e operação deste princípio universal, porque, para aqueles que estão incursos e engajados, séria e sinceramente, no processo de ascese e iluminação, auto-conhecimento e auto-melhoria, há uma resposta mais imediata e clara deste vetor de organização do universo, como uma dádiva preciosa que favorece a pronta retificação de conduta e rumos, para melhor aproveitamento das oportunidades de aprendizado e realização no campo do bem. Se tiver alguma dúvida, experimente. Se você for duro com alguém, da mesma forma o universo será duro com você. É justamente quando se é tolerante e compreensivo com as pessoas que o cosmo é condescendente conosco também, sendo até suave e mesmo indulgente na aplicação da lei do carma, amiúde suspensa e convertida em ensejos de fazer o bem (para pagar o mal que se tenha feito ou permitido acontecer), tanto quanto seja possível no caminho da pessoa misericordiosa. Benjamin Teixeira
Diante de questões por demais complexas, deixe que o inconsciente processe seus conteúdos. Não pretenda, “a toque de caixa”, “da noite para o dia”, resolver problemas que demandam tempo de digestão psicológica, nos corredores viscerais do psiquismo. Assim, permita transformar decisões em eventos, em vez de encará-las como realizações, e, portanto, como obrigações suas, como deliberações que você deva tomar, porque vai ficar paralisado na terrível sensação de impotência que o ego-racional fica, ante o psíquico. Processos psicológicos são fenômenos que acontecem, que surgem, que espocam para a consciência, após um ritmo próprio de maturação ter sido consumido; e não tarefas que se realizam, trabalhos de que se desincumbe, como quem empacota ou desempacota embrulhos. Evidentemente que não estou falando de negligenciarem-se medidas essenciais de iniciativa pessoal. Ler sobre o assunto em torno do qual gravita a problemática vivida, consultar-se com gente mais experiente, tentar, racionalmente, descobrir alternativas de solução são deveres impostergáveis e óbvios, que nem nos damos ao trabalho de enunciar, pressupondo que o leitor, além de conhecer tais atividades como responsabilidade pessoal, já as desdobra sistematicamente. Quero dizer que, após fazer tudo que se espera de uma mente lúcida e responsável, a pendência ainda irresolúvel, por fim, deve ser confiada ao campo do imponderável, do imprevisível e, também, paradoxalmente, do invencível – porque Divino. Benjamin Teixeira
Para fazer a humanidade avançar, a Divina Providência faz reencarnarem espíritos nobres, de alta estirpe evolutiva para os padrões da Terra, a fim de que conceitos, perspectivas e significados sejam expandidos em todos os sentidos. Sempre há característicos especiais a denunciá-los. Dotados de inteligência invulgar e múltipla, dominam grandes áreas de habilidade como a lógico-analítica, a lingüística, a intuitiva, a relacional e a artística, a um só tempo, quando poucos são articulados em uma ou outra. Com colossal arquivo de experiência e maturidade acumulado em outras vidas, falam de diversos assuntos, como se fossem especialistas em vários deles, e invariavelmente discursam na linha de ponta de cada ramo do saber, ainda que sem os termos técnicos respectivos às diversas disciplinas. Compreendem tudo rapidamente, e, enquanto os peritos de diversas campos do conhecimento estão perdidos em enigmas, eles já estão apresentando a solução, ao menos em esboços de respeitável coerência. Sorriem em meio a tragédias pessoais. Levantam caídos, quando não têm quem os levante. Choram com os outros, mas não amolecem o caráter de ninguém, com excesso de mimos. Olhos flamejantes de vida (porque evolução indica mais vida acumulada), despertam admiração ou repulsa imediata, mas dificilmente indiferença. Normalmente, porém, quando alguém digno deles se aproxima, sente imediata impressão de reverência e simpatia, quando não de temor. Por isso, carismáticos de um modo inexplicável, despertam amor ou medo, por se pressentir que não só dão muito, mas que têm o poder do espírito dentro deles. Benjamin Teixeira
Quando a vertigem do mal enlouquece seus entes queridos, deixe-os passar. Não admita ficar sob saraivada de impropérios. Se alguém surta, numa explosão de fúria, retire-se do ambiente e só volte a falar com a pessoa ou a procurá-la – caso julgue possível uma reconciliação – quando ela tiver retornado a um padrão mínimo de normalidade. Mas, se você supuser impossível refazer a harmonia de uma relação saudável, abdique do contato, da intimidade e mesmo da amizade. Seja fraterno, ajude, respeitada a devida distância, mas não force uma amizade que se tenha tornado impraticável (por distonias e incompatibilidades profundas que se tenham feito ou descoberto entre você e a pessoa que o atacou) para que a amizade não se converta em inimizade. Quando “a hora chegou” do término de um ciclo, seja ele de que for, de um aprendizado, de um relacionamento, de um trabalho, forçar a manutenção do vínculo com a pessoa, instituição ou cidade a que se enlaça, faz com que os avisos do fim de ciclo fiquem cada vez mais intensos, e, portanto, dolorosos e destrutivos. Por isso, desligue-se civilizadamente do amigo complicado, para não ter que conviver, à distância, com um inimigo declarado. Benjamin Teixeira
Vim até aqui dar meu depoimento, a respeito de como tudo é evanescente e de como vale a pena confiar na vida e em seu poder de renovação. Na minha infância, acompanhei notícias de uma Europa distante, imersa, em muitos aspectos, em sistema feudal de organização sócio-política-econômica, como bem era exemplo a Rússia de antes da Revolução de ’17. Mal havia entrado na adolescência, assistia às minhas primeiras “fitas” – os filmes mudos que eram, para garotos pobres como eu, novidade rara, ainda que nascido na metrópole carioca, a maior do país – e eclodiu a primeira grande guerra. Já era homem, um homem jovem, mas já adulto, quando a terrível conflagração internacional acabou, em novembro de. 1918. Assistimos, então, ao surgimento de esperanças risonhas, com a “Liga das Nações”, criada em 1919. Meu pai, homem culto, que fazia questão de manter o filhos a par do que ia no mundo, exigindo-nos mesmo que sentássemos para ler, diretamente, algum trecho que fosse dos periódicos diários, falava-nos empolgado do fim de todas as guerras, agora que o horror supremo havia acontecido, aquela tão sanguinária guerra de ’14. Benjamin Teixeira
Boa noite. Boa. Qual seu nome? Estou proibido de entrar em detalhes sobre minha identidade. Sexo, profissão, algo que possa nos dar uma idéia do que você foi quando encarnado? Homem, empresário, casado, com filhos. Para que melhor situemos seu estado de surpresa no além-túmulo, permito-me perguntar uma intimidade: foi homem rico e prestigiado? Sim. Não muito; mas, para os padrões brasileiros, sim, posso dizer que era rico e importante. Tem alguma mensagem em particular a comunicar? Não, mas posso falar sobre minha visão do espiritual, de quando encarnado. Às ordens. Achava tudo isso baboseira de gente ignorante; ou, por outro lado, jogatina escusa de homens espertos e de mau-caráter. Por quê? Porque não entendia o objetivo das comunicações da espiritualidade no mundo físico. Minha mulher era espírita – tive esta bênção, que hoje talvez julgue maldição, porque desperdicei a oportunidade de despertar, hoje estando mais comprometido em espírito, justamente por causa disto. Julgava, por exemplo, que os espíritos deveriam me dar provas de que existiam, dar-me evidências suficientes para que eu abandonasse a idéia que fazia deles: de constituírem mero produto da crendice de minha esposa sensível e “supersticiosa”, como eu supunha que ela fosse. Achava-a muito mística (no mau sentido), que acreditava facilmente no que se lhe dizia; e reputava isto à sua condição feminina… sempre achei que as mulheres eram mais dadas a “estas coisas” que indicariam “miolo mole”, falta de lógica e de busca de fatos concretos, para as próprias avaliações de certo e errado. Foi isto. Hoje, sei que os espíritos, quando alinhados com a Vontade de Deus, não se comunicam para impressionar ninguém, e fazem questão de serem ouvidos apenas pelo poder de argumentação, pelo sensato de suas colocações, como, inclusive, tento fazer aqui. Ainda que eu quisesse dar provas mais cabais de minha identidade, seria proibido, como já dei a entender acima, pelas instâncias superiores de nossa hierarquia espiritual – aqui tudo é muito disciplinado, nada desta baderna que há em nosso país, no plano físico. Além disto, hoje também sei – pedem-me agora que diga isto a vocês: – que há limitações nas faculdades mediúnicas da maior parte dos médiuns ativos que devem ser respeitadas. Por serem basicamente telepatas, muitos deles têm dificuldade em receber dados precisos, como datas, lugares, nomes. Que bom que tenha vindo falar conosco. Há algum motivo maior, da parte dos orientadores espirituais, para que você venha neste momento se comunicar, e, por outro lado, de você ter sido escolhido para isto? Benjamin Teixeira
Para os estudos do Evangelho da tarde de hoje, abra, por favor, as anotações de Marcos, no capítulo 13, versículos 34 a 36. “Será como um homem que, partindo em viagem, deixa a sua casa e delega sua autoridade aos seus servos, indicando trabalho o trabalho de cada um, mandando ao porteiro que vigie. Vigiai, pois, visto que não sabeis quando o senhor da casa voltará, se à tarde, se à meia noite, se ao cantar do galo, se pela manhã, para que, vindo de repente, não vos encontre dormindo.” A existência humana, quando encapsulada a consciência no ergástulo de carne, assemelha-se a fogo-fátuo na eternidade. Fenômeno efêmero, que passa qual piscar de olhos, aguardando de seus experimentadores máxima atenção, para que oportunidades preciosas e fugazes não passem desapercebidas ou terrivelmente defenestradas. Por quanto tempo acha você que estará vinculado ao seu veículo orgânico? Dez anos? Cinqüenta? Ou será que apenas por mais dez dias? Todos os patrimônios circunstanciais no plano físico constituem depósito divino à criatura, em função de determinadas responsabilidades e tarefas que lhe foram confiadas. Concessão esta que pode ser suspensa, a qualquer hora, caso um feixe de fatores como: merecimentos individuais, débitos vultosos em relação a desatinos perpetrados no presente e intercessões de amigos encarnados e desencarnados venham a propiciar a bênção da interrupção, como do prolongamento do estágio físico de vida. Assim, é curioso notar que gente que parece estar cometendo erros graves, fica mais tempo na Terra, a incorrer em mais estultícias, porque chegou sua “hora evolutiva” de muito errar, para muito aprender mais tarde, muito sofrendo. E outros, por pequenos deslizes, têm a bênção da suspensão imediata de oportunidades, como divórcios, demissões, falências ou mesmo morte física própria ou de um ente querido, a fim de que possam, imediatamente, repensar valores e objetivos e, por conseqüência, corrigirem conduta e rotas de vida. |
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