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Benjamin Teixeira
Prezados condiscípulos do ideal espiritista: Agradecemos a ensancha fraterna de nos comunicarmos por esse intermédio, a fim de vos trazer a mensagem dos altiplanos maiores de que somos meros representantes. Assim, na condição de um mero estafeta da Dimensão Verdadeira da Vida, digo a todos aqui congregados, nesta assembléia de amor e de assistência fraterna: compenetremo-nos da gravidade das responsabilidades associadas a todas as atividades concernentes ao espiritismo cristão. Chegou o tempo de expandirmos além-fronteiras do Brasil, de forma mais profunda e efetiva, as bases do cristianismo, conforme as propostas racionais e lógicas que o espiritismo kardecista trouxe à Terra, desde o século XIX. É, portanto, importante considerarmos que, muito embora seja válida a idéia da difusão ecumênica dos princípios espiritualistas, não deixa de ser um sofisma perigoso, disseminado de modo pertinaz, por falanges de pseudo-sábios desencarnados, que apenas essa proposta bastante universalista seja suficiente para libertar a humanidade do jugo da escravidão do materialismo, que destrói massas humanas de milhões, conduzindo-as ao desperdício completo ou quase completo de suas existências e as preciosas oportunidades correlacionadas a elas. Isso porque somente o espiritismo cristão contém todos os elementos lógicos, filosóficos e comprobatórios capazes de persuadir e suprir de fé e paz a mente crítica e céptica do homem ocidental. Benjamin Teixeira
Prezados irmãos: É bem verdade que todos nós somos, em diversas circunstâncias da existência – e assim, até certo ponto, podemos nos considerar – joguetes de forças que não podemos controlar. Entretanto, apesar de submetidos a estas ingentes forças, a estes vetores de indução do comportamento, a estes fatores patogênicos, não podemos jamais nos eximir da responsabilidade ante toda conduta por que enveredemos. Gostaríamos de, a respeito disto, minudenciar algumas questões. Primeiro: importante considerar que fatores genéticos, embora importantes, jamais são determinantes. Indicam tendências hormonais, bioquímicas, neurofisiológicas; jamais obrigações de conduta. Segundo: elementos sociais – poderíamos chamar sociopáticos – igualmente, seja no nível mais amplo da sociedade, seja na esfera diminuta do lar, impingem, sobre o indivíduo, uma série de distorções na formação da personalidade e do caráter. Sobrepairando, todavia, também este elemento indutor da conduta, impera o atributo fundamental, característico indissociável da condição humana, do livre arbítrio. A par disto, é sabido que, amiúde, a margem de manobra do livre arbítrio é extremamente estreita, dado tanto o calor dos elementos bioquímicos do corpo, bem como do magnetismo cultural do contexto social em que o indivíduo está inserido. Entrementes, a Divina Providência jamais exige de ninguém aquilo que não possa fazer. Benjamin Teixeira
A mente funciona como uma corda de feixes psíquicos. Cada feixe enovela-se sobre si mesmo e sobre os demais, tecendo uma rede de significados, de troca de idéias, de percepções, de sensações, de sentimentos, de ajuizamentos. Não pretenda torná-la um conjunto de linhas retas, trabalhando em sistema codificado precisamente, pois que, além de tudo, este feixe é vivo, metamorfoseando-se a cada momento, criando novas teciduras (ou seja: não só novos fios como novas voltas entre os fios) em sua intimidade, à medida que vivencia novas experiências. Benjamin Teixeira
Para que entendas o esforço de abnegados embaixadores do Plano Espiritual Superior, no trabalho de canalização de agentes do Mundo Maior, entende que, em matéria de mediunidade, não existe atividade sem preparação, como, de resto, em quaisquer esforços humanos, em toda área do pensamento ou da realização. Anos e, por vezes, décadas são despendidos, até que possamos ter instrumentos aptos ao que almejamos, com isso podendo evitar a parte mais grosseira das distorções de tradução psíquica, ao encontrarmos filtros mentais mais puros, por efeito do buril do tempo e do empenho de auto-melhoria e treinamento dos discípulos aplicados, porque em nada adiantaria o tempo passar, sem que tivesse havido esforço continuado e sincero, por parte do candidato ao mandato mediúnico, no sentido de alcançar faixas mais altas de consciência. Grandes missionários, com tarefas coletivas assinaladas em seu planejamento existencial, constituem, inclusive, resultado de numerosíssimas reencarnações de preparação psicológica, intelectual e moral, para que possam surgir com faculdades abençoadas pela sintonia superior, superiores que se fizeram, em muitos outros departamentos da psique, desapegados de quase tudo que relacionado ao mundo material e engrandecidos em tudo que diga respeito ao mundo espiritual (no campo da virtude e da sabedoria), assim refletindo, com mais pureza, a Luz dos Planos Superiores. Benjamin Teixeira
Eugênia, neste próximo dia 2 de abril, comemoraremos o que seriam os 95 anos de vida orgânica de Chico Xavier (*). Teria algo a nos dizer? Três anos sem Chico Xavier representa um chamado alegórico para que se averigúe o quanto os que ficaram para trás (nas lides da existência física) têm feito, no sentido de preencher a lacuna deixada por ele. Não existem substitutos de quem quer que seja, muito menos de espíritos da envergadura evolutiva de Chico, mas há deveres e responsabilidades a serem cumpridos, tarefas estas de ordem coletiva e impessoal, que não estão necessariamente adstritas a uma única personalidade. Chico, em verdade, já vinha se afastando das atividades de intermediário do Mundo Maior, há muito tempo, dado a avançado estado de depauperamento de suas forças orgânicas. Todavia, a morte biológica é sempre um marco simbólico e psicológico muito importante, que bem enfeixa, neste caso em particular, o conjunto de exortações ao trabalho, o chamamento a todos, que Chico materializou, com o exemplo de sua vida impoluta de devotamento, caridade e serviço ao Plano Superior. Benjamin Teixeira
Há a ingenuidade e a inocência. Quem é ingênuo olha para o mal, e não o enxerga. Não seja irresponsável em negligenciar medidas enérgicas, quando o dever assim o pedir. Entretanto, cuidado para, em nome da severidade pelo bem, não se torne um tirano inspirado no mal, a afligir almas boas, mas pouco buriladas, que lhe foram dadas a conviver. Benjamin Teixeira
Todo sepultamento constitui uma forma de incubação (*), e, como tal, de renascimento. A metáfora da semente no ventre da terra, comprimida, sufocada e dilacerada, no tormento da ruptura de suas estruturas íntimas, para a germinação da planta. A alegoria da lagarta, aprisionada viva, no túmulo da crisálida, para, na tortura da metamorfose, ressurgir transfundida em borboleta. O paciente grave, em operação cirúrgica de emergência, no simbólico leito fúnebre da sala de cirurgia, sendo vivissecado e mutilado tecnicamente por profissionais da cura, e na eletrônica encubação (*) posterior da UTI, para, em seguida, reaparecer, vencida a convalescença, renovado, no viço e na vitalidade, na saúde e no equilíbrio orgânico. São todos exemplos do que pretendemos dizer. Atente-se, assim, para estas sugestões místicas da vida, e, não se assustando com seus momentos ruins, faça deles períodos de fermentação criativa, a fim de que renasça deles em nível mais alto de consciência, equilíbrio, sabedoria e fortaleza interior. |
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