Espírito Eustáquio

9 de janeiro de 2005
 

Crise Suprema.

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eustáquio.


“Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem, vos expulsarem, vos ultrajarem, e quando repelirem o vosso nome como infame, por causa do Filho do Homem! (*) Alegrai-vos naquele dia e exultai, porque grande é o vosso galardão no Céu. Era assim que os pais deles tratavam os profetas.”

Jesus (Lucas, 6:22-23.)

Teus afetos mais caros trataram-no com cruel ingratidão e suma injustiça?
Aqueles que mais se beneficiaram de teu esforço desferem calúnias medonhas a teu respeito, interpretando levianamente tuas atitudes mais sérias?
Os que jornadearam a teu lado viram-te como abjeto, quando mais te esforçavas para ofertar o melhor de ti, ainda que humano, portando carências e com falhas?

Chegou a hora da provação extrema, sempre atinente ao coração. Chegou a hora do exame profundo de valores, supremo, fazendo a triagem dos elementos, separando os trabalhadores fiéis ao Senhor dos que têm apenas a aparência de fidelidade, porque somente os verdadeiramente leais à própria consciência e ao próprio ideal logram sobreviver a estas crises máximas.

Não te suponhas sozinho e abandonado de Deus. Neste instante, o Senhor segue a teu lado, quiçá carregando-te nos braços.
E, principalmente, apieda-te deles, que não fazem idéia da nuvem de desgraças que acumulam sobre suas cabeças.

Hoje, podem desdenhar de teu empenho, de tua renúncia, de teu idealismo honesto. Segue, porém, como tem feito, silenciando tuas dores no oculto sacrifício da própria felicidade, para que outros possam sorrir, gratificando-se em ser um semeador de alegrias, um construtor da felicidade alheia.

Vives esgotado, por estares sobrecarregado. Vêem-te a luz, desconhecem o preço que pagas, diuturnamente, para viveres o alto padrão de nobreza que te define em diversas áreas. Mas, se de fato cogitas em desertar do posto de serviço que te foi designado, olha para cima e recorda: confiam em ti. Sabes, todavia, que ainda que quisesses, não poderias: não tens estrutura moral para dar as costas à própria consciência, e sabes o que deves fazer, e sabes que deves prosseguir.

Assim, aturdido por diversos lados e notando as pernas d’alma fraquejarem, retém o passo por um momento, ora, sorri, e, restabelecido da vertigem momentânea, estende as mãos mais uma vez aos sofredores que te buscam amparo, e segue, quão possível, como se nada houvesse acontecido.

A despeito disso, sê sempre aberto à reconciliação, ao perdão, ao esquecimento completo das ofensas, porque nada vale mais que o amor e a paz, e primeiro se beneficia quem toma a dianteira da fé e da iniciativa fraterna de olvidar os equívocos alheios e doa, generosamente, a vibração da renúncia ao ego e ao desejo de supremacia e destaque, de estar certo, de obter a vitória. Os desatinados pelas forças da obsessão e do ódio são os que mais nos merecem a caridade da indulgência e da misericórdia. Não têm noção do que fazem nem aos outros, nem a si mesmos, e seguem surtados, manietados por inteligências invisíveis voltadas ao mal, senão por vetores abstrusos de seu próprio inconsciente, intoxicado e enlouquecido. Entretanto, não estando dispostos a reatar laços de carinho e confiança, segue, impávido, sem olhares para trás, mas, de quando em vez, ofertando o óbolo moral de tuas preces e a amizade da perpétua boa-vontade para o recomeço, mostrando-te invariavelmente receptivo e afetuoso.

Do Alto, percebem teu esforço sincero de fazer o melhor. E se não te compreendem na Terra, não te surpreendas – é assim que foi e sempre será, enquanto este mundo não for predominantemente regido por agentes encarnados do Bem. Mesmo que os mais estimados entes queridos te crivem o coração de injúrias, retira os espinhos que te trespassam a alma, calmamente, sem revidar, e volta para casa (o lar secreto de teu próprio mundo interior), a pensar as chagas abertas no teu coração, com o ungüento espiritual das lágrimas da prece, pondo-te nas mãos de Deus, que nunca te abandonará.

(Texto recebido em 9 de janeiro de 2005.)

(*) Cumpre esclarecer que este “Filho do Homem” representa a fidelidade à própria consciência, ao próprio ideal.

(Nota do Autor Espiritual)




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