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Saciedade e Plenitude.Benjamin Teixeira Não busque a saciedade. Pense que a vida foi programada para a moderação. A fome, a sede e todas as necessidades fisiológicas foram projetadas para ambientes primitivos, com carência de tudo, como a selva e seus perigos de morte, consociados a enorme dificuldade para a descoberta de itens fundamentais à sobrevivência. Na civilização, onde tudo é facilmente encontradiço, a fartura compromete o projeto bio-psíquico humano, favorecendo o colapso da máquina orgânica, com desregramentos de variada natureza e monta. Não busque empanzinar-se às refeições, nem acabar-se de dormir ou de fazer sexo. Saiba manter-se um pouco cansado, um pouco faminto, um pouco carente, fazendo destas lacunas um estímulo a buscar satisfações mais sutis, mais altas, do espírito. Quem se distrai com a sensação de saciedade do estômago e da genitália esquece-se da vivência da plenitude, esta sim intraduzível para quem não a viveu, e, sem dúvida, incomparável à saciedade, porque, enquanto esta condiciona um estado de modorra, de pasmaceira, de vazio inexplicável e indefinível, a plenitude representa a realização profunda e completa do ser, em uma estado inenarrável de alegria e paz interiores. Esta idéia de ficar com um pouco de necessidade fisiológica, para conduzir a consciência para o psicológico, propelindo-o a focar as questões essenciais do espírito, embora possa soar anacrônico senão desnatural, está de tal modo assentado em princípios científicos e em a organização inerente aos sistemas biológicos complexos, que vamos citar apenas dois destes princípios, a fim de não parecermos obsoletos e medievais para aqueles que nos lêem. 1) Dietas de redução calórica. 2) Hormese. O corpo e a mente humanos são sistemas auto-organizadores pré-programados para suportar e transcender privações e ataques diversos do meio, para até mesmo se fortalecer através deles. Por isso, se você está pensando exclusivamente em sua saúde e em seu bem estar, em sua evolução e em seu amadurecimento, não busque, para si, facilidades, confortos e prazeres excessivos, para não intoxicar sua mente e seu corpo com cansaço, achaques, vícios, tédio e morte. Nunca troque plenitude por saciedade. Uma é a vida em sua totalidade desperta e galvanizada. A outra é prenúncio da morte, em vestes sombrias de medonha ilusão de bem estar. (Texto recebido em 26 de novembro de 2004.)
(*2) Outro dado que poderíamos adir, para respaldar a tese do espírito, é o de que, recentemente, uma pesquisa foi levada a efeito com mulheres, a respeito do sono. As que dormiam menos de seis horas, bem como as que dormiam mais de oito horas e meia por dia apresentaram maior probabilidade a desenvolver distúrbios cardíacos. Muito sono, portanto, faz mal, além de cansar, como atestam psicólogos e médicos do sono, já que a atividade de sonhar esgota o cérebro, tanto quanto, paradoxalmente, é vital à sua saúde e equilíbrio. (Notas do médium).
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