Espírito Gustavo Henrique

27 de novembro de 2004
 

Saciedade e Plenitude.

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Gustavo Henrique.

Não busque a saciedade.
Sair da mesa satisfeito é sair empanturrado.
Dormir demais é preguiça.
Fazer sexo em excesso constitui viciação dos sentidos.
Atividade física a ponto de exaustão está próximo do suicídio.

Pense que a vida foi programada para a moderação. A fome, a sede e todas as necessidades fisiológicas foram projetadas para ambientes primitivos, com carência de tudo, como a selva e seus perigos de morte, consociados a enorme dificuldade para a descoberta de itens fundamentais à sobrevivência.

Na civilização, onde tudo é facilmente encontradiço, a fartura compromete o projeto bio-psíquico humano, favorecendo o colapso da máquina orgânica, com desregramentos de variada natureza e monta.

Não busque empanzinar-se às refeições, nem acabar-se de dormir ou de fazer sexo. Saiba manter-se um pouco cansado, um pouco faminto, um pouco carente, fazendo destas lacunas um estímulo a buscar satisfações mais sutis, mais altas, do espírito. Quem se distrai com a sensação de saciedade do estômago e da genitália esquece-se da vivência da plenitude, esta sim intraduzível para quem não a viveu, e, sem dúvida, incomparável à saciedade, porque, enquanto esta condiciona um estado de modorra, de pasmaceira, de vazio inexplicável e indefinível, a plenitude representa a realização profunda e completa do ser, em uma estado inenarrável de alegria e paz interiores.

Esta idéia de ficar com um pouco de necessidade fisiológica, para conduzir a consciência para o psicológico, propelindo-o a focar as questões essenciais do espírito, embora possa soar anacrônico senão desnatural, está de tal modo assentado em princípios científicos e em a organização inerente aos sistemas biológicos complexos, que vamos citar apenas dois destes princípios, a fim de não parecermos obsoletos e medievais para aqueles que nos lêem.

1) Dietas de redução calórica.
As dietas de redução calórica, que podem atingir algo em torno de 60% do nível médio de sustentação dos organismos é a única técnica até agora segura de elastecer a longevidade de indivíduos, animais ou humanos. Uma dieta como esta é o que se pode chamar, no vernáculo de “dieta de fome”. Uma fome que, em vez de matar ou adoecer, faz o indivíduo viver até 40% a mais do tempo que lhe apontava a expectativa de vida média de sua espécie.

2) Hormese.
Por que a ginástica, moderadamente, faz bem? O sistema metabólico dos organismos, no momento do esforço físico intenso, fica próximo ao colapso, muitas vezes. Bolsões de hipóxia e de hipoglicemia (*) estrangulam a atividade vital por todo o corpo, e é justamente por esse leve ataque à saúde, que, no empenho em compensar os danos havidos, o corpo acaba por reparar-se “demais”, d’onde surgem os ganhos provenientes da atividade física, proposta universalmente por profissionais da área de saúde. O princípio da hormese, descoberto em 1943, nos Estados Unidos da América, reza que tudo que mata, em pequena dose, faz bem à saúde. Até agressões d’antes consideradas fatais, como a exposição a agentes radiativos ou tóxicos podem ter efeitos positivos nos organismos atacados. Quem, por exemplo, estava relativamente próximo, mas não tanto para estar condenado ao câncer, do epicentro das explosões de Hiroshima e Nagasaki, acabava tendo probabilidade a desenvolver tumores inferior à média planetária, daqueles que não são submetidos a tais agentes cancerígenos. Obviamente que os que estavam mais próximos ao epicentro das explosões, tiveram alto índice de desenvolvimento de cânceres diversos.(*2)

O corpo e a mente humanos são sistemas auto-organizadores pré-programados para suportar e transcender privações e ataques diversos do meio, para até mesmo se fortalecer através deles. Por isso, se você está pensando exclusivamente em sua saúde e em seu bem estar, em sua evolução e em seu amadurecimento, não busque, para si, facilidades, confortos e prazeres excessivos, para não intoxicar sua mente e seu corpo com cansaço, achaques, vícios, tédio e morte.

Nunca troque plenitude por saciedade. Uma é a vida em sua totalidade desperta e galvanizada. A outra é prenúncio da morte, em vestes sombrias de medonha ilusão de bem estar.

(Texto recebido em 26 de novembro de 2004.)


(*1) Baixa presença de oxigênio e de glicose, respectivamente, na corrente sangüínea.

(*2) Outro dado que poderíamos adir, para respaldar a tese do espírito, é o de que, recentemente, uma pesquisa foi levada a efeito com mulheres, a respeito do sono. As que dormiam menos de seis horas, bem como as que dormiam mais de oito horas e meia por dia apresentaram maior probabilidade a desenvolver distúrbios cardíacos. Muito sono, portanto, faz mal, além de cansar, como atestam psicólogos e médicos do sono, já que a atividade de sonhar esgota o cérebro, tanto quanto, paradoxalmente, é vital à sua saúde e equilíbrio.

(Notas do médium).




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