Espírito Irmã Brígida

28 de outubro de 2004
 

Companheiros e Jesus.

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Irmã Brígida.

Agradece a Jesus a oportunidade que te foi ofertada de conviveres com aqueles que privam contato contigo.

É possível que desejes esposa mais amorosa ou marido mais atencioso; filho mais obediente; patrão mais consciencioso; amigos mais leais e camaradas; companheiros de jornada mais presentes e justos. E, é óbvio, podes buscar e deves, não só melhorar a situação que vives, como até buscar outras, que melhor se afinem com o seu modo de ser e tuas atuais necessidades relacionais.

Entretanto, antes de te precipitares a decisão dramática, no carreiro de tua existência, considera que Jesus sabe sempre o de que precisas:

O narcisismo do colega iconoclasta, que tem o prazer de te atacar a fé, conduz-te a níveis mais profundos de maturidade e serenidade, reforçando as fibras da própria convicção, pois que estará sempre sendo testada, enquanto aprendes tolerância e perdão, no mesmo tempo em que, paradoxalmente, aprendes a cultivar a coragem de dizer o que tua consciência pede, sem medo de passar por ridículo ou ser ainda mais atacado.

A companheira pouco dotada de beleza física, ensina-te a amar além das aparências, quanto o esposo sem beleza na alma te leciona a difícil lição de amar, sem ser amada.

O chefe semi-esquizofrênico e paranóico ensina-te administração da própria vida em regímen de caos e crise; enquanto o filho adolescente, em voragem de angústias íntimas, rebeldia e desmazelo com as próprias responsabilidades sugere-te ponderação e constitui-te desafio à inteligência e ao coração, transfundindo-te a alma, da condição de discípulo da Vida a mestre de almas.

Por outro lado:

A pessoa que parece ser cônjuge ideal pode ser atormentada e tirânica, cobrando-te o prazer do sexo e da intimidade ao preço de lágrimas angustiosas, tanto quanto o patrão que se te afiguraria perfeito pode ser apenas máscara de idealidade, ocultando terríveis distonias com teu modo de ser e pensar, muito provavelmente vindo a se converter, caso efetivasse a relação empregatícia com ele, em terrível glade de provações para teus dias. E, por fim, até mesmo filhos obedientes demais poderiam apresentar distúrbios da vontade e do caráter, inclinados a se submeter sem luta, assim vindo a falir na vida, em fragrossos espetáculos de fracasso e decadência, para seu profundo e indescritível desgosto, que estaria assistindo a tudo, de camarote, quiçá se culpando amargamente.

* * * * *

Sei que tais idéias podem te soar anacrônicas, com forte tom medieval de culto ao sofrimento ou de acomodação a seus trâmites. E, sem dúvida, poderás buscar, alhures, conforto para tua alma, rompendo compromissos e quebrando cadeias de responsabilidade, criando hipotecas espirituais para o porvir e dívidas morais para esta e outras vidas.

Entretanto, mister se faz reconhecer que, para quem deseja atender à consciência, em seus reclamos mais subidos, indispensável se faz silenciar o prurido de satisfação imediata e desenvolver maturidade emocional e moral, para ver além do momento presente e aguardar tempo melhor, no futuro, para realizar a própria ventura.

Não há felicidade, amigo, sem consciência em paz. E, para quem quer seguir de cabeça erguida e coração tranqüilo, só há um caminho: atender à voz geminada da intuição e do ideal, e, com isso, estará, indubitavelmente, na senda da própria paz e felicidade.

(Texto recebido em 25 de outubro de 2004.)




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