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21 de agosto de 2004
 

Diálogo sobre a “revolução dos velhos”

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

Eugênia, em revista de grande circulação nacional, falava-se sobre a “revolução da terceira idade”. As populações, envelhecendo, estão criando uma paridade entre número de velhos e de jovens como nunca houve na história da humanidade. Teria algo a dizer sobre o assunto?

Não nos interessam os aspectos sócio-político-econômicos que estão em jogo, numa verdadeira revolução paradigmática e estrutural na organização das sociedades – esse será um desafio para a modernidade próxima, como a questão dos sistemas de previdência e os conceitos do que seja trabalho, aposentadoria e invalidez. O a que poderíamos aqui chamar a atenção seriam os aspectos simbólicos, psicológicos e espirituais implicados nesta curiosa revolução. E o primeiro deles é de que o ser humano não é corpo, basicamente, mas sim espírito, já que a juventude não passa de um intróito para a terceira idade. Jovens são sementes de velhos. A não ser que se morra antes, fica-se velho. Por melhores que sejam as técnicas de prolongamento da saúde, vitalidade e longevidade humana, fica-se velho. Ironicamente, os avanços da Medicina estão dando ganhos ao ser humano, em termos de qualidade de vida e de longevidade justamente no que se poderia chamar de terceira idade. Os velhos estão vivendo mais. Isso indica que o ser humano não pode se fiar em sua casa física, não pode identificar-se ou estabelecer seus critérios de segurança ou objetivos de vida, valores ou significado, em função de uma estrutura evanescente e frágil como o corpo material.

E o que diria ao confrontar o que acabou de nos dizer com os conceitos da cultura jovem?

Simplesmente infantis. Quem se identifica com o corpo e com uma aparência jovem, como o valor máximo de si, já revela pouca profundidade de idéias e de sentimentos. Dispensa comentários.

Culturas primitivas dão muito valor aos mais idosos, tanto quanto as mais evoluídas. Que diria nessa linha de raciocínio?

Acertada. Quanto mais esclarecida uma população, mais valoriza os elementos mais velhos que a compõem, por representarem o estrato mais experiente e sábio da mesma. Postos de comando e de responsabilidade, assim, cada vez mais serão confiados a pessoas mais velhas, muito embora exceções venham a ser abertas, para aqueles que se apresentarem qualificados para ocupar tais posições de destaque, ainda que pertencentes a faixas etárias mais próximas à base da pirâmide demográfica (por sinal, cada vez menos piramidal) (*).

Você tocou numa questão que seria pertinente para alguns de nossos leitores. Para nós, que sabemos que o espírito é eterno, não seria uma contradição aquiescermos com essa linha de pensamento, já que um espírito mais velho pode estar asilado num corpo jovem e vice-versa?

É tolo supor que um cérebro virgem, pouco treinado, seja igualmente capacitado a receber informações complexas e processar dados intrincados, como um cérebro mais experiente. Lembremo-nos de que os maiores sábios do passado, começando por Buda e Jesus, esperaram atingir a maturidade do corpo, para poderem agir com maior acerto e segurança. Hoje, as neurociências avançaram o bastante, na Terra, para endossarem as colocações que aqui faço. Corredores neurais completamente novos surgem, pelo exercício da intelecção, de modo que cérebros mais experimentados vêem com mais clareza e mais amplitude. Por outro lado, é importante considerar as questões simbólicas e arquetípicas envolvidas no processo de envelhecimento do corpo. A mente é convidada ser mais ponderada e serena, o ser vive o “papel” do ancião (ou é a isso exortado) a cada vez que, nunca encarnação, seu corpo avança em senectude. O esquecimento de outras vidas pede exatamente esse mergulho completo na “situação” da casa orgânica e, é óbvio, tal imersão tem poderosa influência sobre estados de espírito e formas de sentir e entender o mundo. Desde o plano endócrino e neurofisiológico até questões pertinentes a funções sociais e responsabilidades nos relacionamentos interpessoais (na condição do “vovô” ou do “o homem mais experiente da empresa”), tudo convida o espírito ao exercício e à vivência da sabedoria.

Muito interessante. Teria algo mais a acrescentar ao assunto?

Não. O que mais nos importa dizer é isso.

(Diálogo travado em 19 de agosto de 2004.)

(*) “Menos piramidal”: justamente porque a base, composta pelas fatias mais jovens das populações, está se estreitando; enquanto que o topo, de reversa maneira, constituído pelos partícipes mais velhos das sociedades, está “engrossando”.

(Nota do Médium)




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