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18 de abril de 2004
 

A dor maior

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

“E todo aquele que, por minha causa, deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa, receberá o cêntuplo, e herdará a vida eterna.”

(Mateus, 19:29)

Há 14 anos, por via inspirativa, escrevi, através da pena do médium, um texto, à época publicado em diário de Aracaju, sobre o tema-tabu dos dias que correm, numa sociedade hedonista e fixada em gratificações imediatas e materiais: a dor – título, inclusive, do tal artigo a que aludimos. Em 26 de abril comemoramos, assim, o décimo quarto aniversário de tal publicação, que, de certa maneira, deu início às atividades públicas do Projeto Salto Quântico, muito embora já delineássemos outros programas de atividade, em escala menor, antes dessa data.

1990, para os que estão em existência física, pode soar distante, e, de fato, em termos de oportunidades de experiência e aprendizado, três lustros podem ser significativos para os que estão atentos à “hora que passa”. Basta lembrar que o ínclito codificador do Espiritismo realizou todos os seus estudos e publicações sobre o Espiritismo, num espaço de 15 anos. Não por acaso, hoje, outrossim, comemoramos a vinda a lume de “O Livro dos Espíritos”, no, este sim, longínquo 18 de abril de 1857. Mas, para nós, do Plano Maior de vida, que compreendemos o século dezenove como “o ano passado”, e 1990 como a “semana retrasada”, podemos dizer: apenas uma estação de ano da eternidade se passou, desde que o insigne francês publicou os alicerces capitais da “Doutrina Libertadora”.

Nesta oportunidade, todavia, gostaria de retornar à temática de nosso artigo seminal, com uma abordagem diferente, dando-lhe completamento necessário. A dor construtiva não está na decepção, na desgraça, na frustração ou na miséria, mas sim na força que se faz para se levantar, no esforço que se aplica para encontrar motivação, energia e inspiração para seguir adiante, sorrir e ser feliz, apesar de tudo que esteja contrário ao bem estar e à prosperidade geral do indivíduo. A dor não é a dor propriamente – essa dor é pequena; a verdadeira dor é a felicidade, principalmente quando se tem, como parâmetro de análise, às existências físicas, onde tantos motivos há para se sentir abatido, derrotado e triste.

Ser pessimista é fácil, na dimensão material de vida. Na Terra, ainda, o mal abunda. Fixá-lo é uma obviedade gritante, um problema de nível de dificuldade primário, infantil. Já descobrir e sintonizar o bem, por detrás do mal aparente e abundante “a ordem que subjaz ao caos”, isso sim é valor, aptidão e excelência. Mas desenvolver e manter tal atitude psicológica, de um realismo mais profundo: o otimismo, não é fácil, dói, exige disciplina e escolhas difíceis de serem feitas, a todo momento. Assim, quem quer ser feliz está se submetendo ao mais doloroso e complexo dos carmas, mas será bem sucedido se realmente se determinar a isso, com todas as suas implicações, desde ser determinado a ampliar o acerbo de conhecimentos e experiência, até o galgar de graus mais elevados de sabedoria que lhe são conseqüentes. Ou seja: a dor é maior, ao se vivenciar essa política existencial, mas a alegria resultante dela é extremamente compensatória.

Ser feliz é difícil; ser otimista, sem perder o bom senso e a lucidez, idem. Mas é aí que reside o desafio. A opção alternativa a esse caminho é a dor improdutiva, ao passo que o otimismo, a fé, a esperança, e todos os seus corolários de humanismo, serenidade, equilíbrio e paz são muito mais saudáveis e constituem uma escolha inteligente, apesar de também custar sofrimento para ser gerada e mantida na consciência.

Determine-se a ouvir a voz da paz, da verdade, do amor, da serenidade, do equilíbrio, em seu coração. Filtre, com maturidade e senso crítico, qualquer voz que lhe venha em tom tenebroso. Ouça-a, mas apenas para lhe extrair a lição implícita, e em seguida dissipe-a, com seu poder decisório de sintonizar o melhor. Esse poder de escolha, de construção do destino e da própria mente, é a grandeza maior de um ser consciente.

Deste modo, não fuja do seu calvário (o caminho para atingir e viver seus ideais de paz, felicidade e amor) ou outros calvários o escolherão, mas com um custo-benefício horrendamente descompensatório para você. Siga sua “via crucis” de disciplina, determinação, coragem e sintonia com Deus, pelos arcanos mais profundos de sua alma, e, esteja certo: chegará à ressurreição de sua consciência, num nível mais alto de expressão, ainda nesta encarnação e, além… só Deus saberá que paraísos de maravilha, encantamento e êxtase lhe aguardarão…
Porque, como disse Jesus, aquele que renunciar a pai, mãe, cônjuge, propriedades, etc., por amor a Ele (leia-se: quem priorizar o ideal, o essencial acima de tudo), receberá cem vezes nesta vida, e, depois, a vida eterna!…

(Texto recebido em 18 de abril de 2004.)







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