Espírito Eugênia-Aspásia

28 de março de 2003
 

Luz e Trevas.

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

Quer ser feliz? Saia de si, de sua circunstância, de seu momento. A felicidade não é uma meta – é o resultado de um estado de espírito, decorrente de se cumprir o que se veio fazer no mundo, de se atenderem a propósitos, vocações, tendências, necessidades profundas da alma.

Quer superar problemas? Não os queira resolver do dia para a noite. Foque o objetivo final, faça o que está ao seu alcance, e renuncie a controlar processos e ritmos de resolução das questões. Você pode facilitar a ocorrência de uma gravidez, mas não pode conduzir os mecanismos da gestação. O mesmo existe no campo do espírito e da mente humanos: existem prenhezes da alma, que têm seus próprios ritmos e meandros, inacessíveis à mente de vigília, racional, analítica, envolvendo bilhões de variáveis completamente imponderáveis e inabordáveis, em seu todo, pela estreita inteligência humana.

Quer dar cabo de crises? Contemple-as, medite em torno de seus significados profundos, em suas finalidades de aprendizado. Fugir delas ou reprimi-las é programá-las a retornarem mais tarde, pioradas, pelo acúmulo de tensões evolutivas, que se farão ainda mais dramáticas, pela procrastinação a que se confiou, levianamente.

Tem dúvida se pode ou não pode fazer algo agora? Veja o que é que o bom senso, o espírito de praticidade, o equilíbrio entre pólos de opostos, e, principalmente, os avisos de sua consciência lhe sugerem como melhor. E, ponderando todas as medidas com cuidado, verifique o que funciona melhor, considerando a sua totalidade indivisa de ser físico, espiritual, emocional, social, tomando sua decisão, embora flexível e reajustável, para eventuais adaptações de procedimentos ou mudanças de rota, sempre que as necessidades das circunstâncias ou de suas próprias transformações íntimas o pedirem.

Refaça cronogramas de realização. Não seja tão rigoroso no traçado de metas. Nem sempre se pode ser muito cartesiano, em assuntos que envolvam fatores demais, subjetividade demais, imprevisibilidade demais, para que se possa ser preciso, linear e metódico. Acostume-se ao caos. Caos não representa inferno, mas sim ambigüidade, complexidade e imponderabilidade relacionados intrinsecamente ao fenômeno da vida, de modo que o caos deve ser considerado não como colapso, mas sim como introdução de forças fomentadoras da criatividade, já que exigem, continuamente, a transcendência de paradigmas, a reformulação de conceitos, a alteração de leituras da realidade, a revisão de princípios, objetivos, valores de vida, diante de mudanças substanciais no sistema de interação com o mundo externo ou do que se vê como realidade externa.

Talvez você sofra muito mais por se ver de forma incoerente com o que é. Se você for mais razoável, menos ambicioso e mais realista, talvez solucione, ato contínuo, metade de seus problemas.

Ouse questionar o que julga inquestionável. Rupturas paradigmáticas começam pelo questionamento do tabu, de certezas indiscutíveis, pela revelação de verdades proibidas, de medos, dúvidas e angústias banidas da consciência.

Tome, como disse Jung, consciência de suas trevas interiores, e se estará iluminando. Ou, como rezava o Credo Católico, Jesus “desceu à mansão dos mortos”, para ressuscitar “ao terceiro dia”. Ou seja, assim como o Cristo passou 40 dias no deserto, antes de começar seu trajeto luminoso de messias, também, após a morte, teve que integrar a treva, para ser Luz.

Você também deve fazer o mesmo. Seja, plenamente, você mesmo. Incorpore aspectos menos desejáveis ou mesmo condenáveis de si, não para render-se a eles, mas para dissecá-los, processá-los, desmembrar-lhes os elementos constituintes, e, por fim, após elaborar seu conteúdo, re-assimilar sua energia, a fim de aplicá-la a seu agrado, conforme seus objetivos centrais de vida, e não de acordo com os impulsos “caóticos” do momento. Caos pede criatividade, e fomenta-a, como falamos. Mas se você não fizer isso, de fato, vai resvalar para a decadência, para a desagregação, para a morte em todos os sentidos, principalmente começando pela morte da paz, do bem estar e do equilíbrio íntimo.

(Texto recebido em 27 de março de 2003.)




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