Espírito Eugênia-Aspásia

19 de março de 2003
 

Perigosas Ilusões.

Benjamin Teixeira pelo espírito Eugênia.

No comércio humano de trocas, tácitas ou expressas: Este dá dinheiro e conforto, esperando receber amor. Aquele dá proteção e segurança, aguardando obediência e submissão. Aquel’outra se sacrifica, exigindo fidelidade. Aquela mais supõe possa anular-se, garantindo, com isso, uma relação eterna.

Não adianta, porém, mascarar situações. Não será pagando algo que se fará a realidade deixar de ser o que é. Melhor despertar, o quanto antes, para uma percepção lúcida dos fatos e, assim, adaptar-se a eles, sem ilusões.

Ver as coisas como são não inviabiliza a felicidade, como se teme (e é por isso que as pessoas preferem mentir para si mesmas e até enlouquecer a enxergar a verdade). Justamente o contrário é o que ocorre. Quanto mais nitidamente se percebe o que está em torno de si, mais habilitado se está a gerir a própria existência com eficiência, favorecendo o bem estar e o êxito em todos os sentidos.

Procure despertar, amigo. Procure um terapeuta, um conselheiro, um amigo mais velho e experiente. Leia obras de conteúdo notadamente superior, ore, medite, reflita. Não alimente ilusões, no ciclo vicioso nefando da auto-sabotagem. Melhor notar agora tudo que está errado em sua vida, para que possa corrigir prontamente, e então passar a usufruí-la plenamente, a perpetuar posturas auto-destrutivas, fazendo como a criança pequena que fecha os olhos, quando na iminência de ser atropelada, em vez de saltar do percurso de um veículo automotor, na certeza de que, se ela se nega ver, o perigo deixa de existir.

Estude-se. Verifique o que mais o incomoda nos outros (que revela problemas não resolvidos em si mesmo). Faça um diário de sentimentos e experiências íntimas, ainda que sistematicamente destrua seu conteúdo (o que é recomendável, para que haja mais honestidade na manifestação de si para si, e não se exponha, com tal documentação, a riscos desnecessários de ser mal interpretado).

Faça um inventário de projetos e objetivos de vida malogrados. Levante o aproveitamento de todos os recursos à sua disposição: tempo, amizades, talentos pessoais, recursos materiais, potenciais adormecidos, e veja quanto tem desperdiçado ou feito bom uso de todos eles.

Assim, todos os dias, ou ao menos uma vez na semana, faça um balancete geral de a quantas vai sua vida, a fim de que não venha a ser pego de surpresa, com mais freqüência e intensidade do que o necessário, por grandes e graves crises existenciais, senão com o confronto trágico do fenecimento total de certas oportunidades, ou até do próprio período atual de existência física.

Hoje é o dia de renovação, recomeço, reforço de propostas de mudança, realização e vivência. Não há um amanhã, na verdade. Adiar constitui mero mecanismo procrastinatório que carreia conseqüências angustiantes de sobrecarga, tensão e sentimento de impotência para a mente do indivíduo.

Comece hoje, ainda que seja pelo planejamento criterioso do que pode vir a ser feito, mas não protele. Amanhã, o ensejo poderá ter-se dissipado; e você, talvez, ressurja mais amargo, fraco e infeliz, quiçá totalmente impossibilitado de iniciar o que hoje, para você, pode constituir uma questão de honra, por tão exeqüível e fácil de fazer.

Sem desculpas. Levante-se agora e seja, e faça e viva. Não se adia a vida. Não se adia a felicidade.

(Texto recebido em 18 de março de 2003.)




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