Assuntos polêmicos

20 de janeiro de 2003
 

Casamentos Abertos, Monogamia, Poligamia e Relacionamentos Extra-Conjugais (*).

Benjamin Teixeira
por
espíritos incógnitos.

Ultimamente, tem surgido um movimento, que tem se expandindo rapidamente, com ares de modernismo, com grande penetração principalmente entre os segmentos mais informados e abertos das sociedades humanas: o de se julgar que a fidelidade conjugal é coisa do passado e que escapadelas ao compromisso podem fazer bem a um relacionamento. O que vocês têm a dizer sobre isso?

Que se trata de um comportamento animal. Não se pode resolver um problema psicológico com descargas fisiológicas. Quem faz isso sente-se preso, e o casamento – incluindo relacionamentos não oficializados – não constitui um prisão e sim uma escolha. Se alguém, todavia, está numa fase de transição, precisando se libertar do relacionamento, a dubiedade provisória de um ou mais dos elementos do casal, com o intuito de angariar forças para se descondicionar da dependência emocional do parceiro que já se percebeu inconveniente, é válida.

Extremamente complexo. Então vocês admitem que a traição pode ser compreensível em algumas situações?

Não há traição, quando não há mais vínculos emocionais profundos, nem o intuito de se preservar a relação e quando, por outro lado, já se está buscando libertar-se de um liame afetivo que se tornou perturbador. O ideal seria que a pessoa primeiro resolvesse a situação com o cônjuge do momento e depois, com o coração livre, interessasse-se por outra pessoa. Mas isso é uma condição ideal que nem todos conseguem atingir. Muitos mesmo nem sabem que podem um dia libertar-se, a Divina Providência, por misericórdia, põe outro alguém em sua vida.

Quer dizer que Deus dá um jeitinho para a pessoa pular a cerca?

Não. Deus promove meios para a pessoa se libertar de uma escravidão psicológica (observe que esse é o princípio básico da obsessão) em que o matrimônio atual se converteu, e, então, possa se decidir por seguir a nova vida, proposta pelo relacionamento extra-conjugal que surge, ou ficar atado à existência anterior, que se fez intolerável. O propósito de manter-se os dois vínculos é que indica baixa maturidade psicológica e é moralmente condenável.

Mas há casos em que compromissos sérios são mantidos, graças ao “auxílio” de relacionamentos extra-conjugais, que se tornam válvulas de escape para uniões altamente desgastantes, mas que se deve ou que se quer levar adiante.

Existem outros meios de se buscarem forças. A pessoa pode, por exemplo, procurar compensações na prece, na prática da meditação, na leitura, em viagens, no laço afetivo com amigos, familiares e gurus, terapeutas ou conselheiros. Pode descobrir uma nova profissão ou um hobby novo. Mais uma vez reforçamos: não é por meios fisiológicos que se resolvem problemas psicológicos. O novo relacionamento pode trazer muito mais desajustes e tensões do que compensações, além de ser uma fuga vergonhosa, a algo que deve ser enfrentado dignamente.

Suas palavras, para muitas pessoas, podem soar anacrônicas e moralistas.

Será uma interpretação superficial do que dizemos. Todo o foco do que falamos está em resultados e benefícios para a pessoa. Não estamos pregando virtudes de modo autocrático, mas afirmando que, consoante princípios funcionais da mente humana e a finalidade evolutiva de todas as suas crises e processos mentais, somente em considerando esses apanágios indissociáveis de sua natureza logrará alguém ser feliz e alcançar a excelência do aproveitamento de uma existência.

Brilhante. Agradeço em nome de nossos leitores.
Algo mais desejam dizer a respeito disso?

Que, amiúde, racionalizações muito bem elaboradas dão a feição de amor ferido e motivos justos para se buscar consolo fora de casa a meras paixões sexuais de baixo calão. Ou seja, muita gente, com o pretexto de ser aberto e de estar buscando compensações para conflitos inconciliáveis na vida em família, busca aventuras animais apenas para dar vazão a seus instintos desgovernados. Deveriam educar-se, para melhor aproveitar suas energias, ao reverso de procurar elaborações sofísticas para justificar seu comportamento vil.

Mais algo a ser dito? Acho que muita gente, se aberta a ouvir, deverá sentir muita dor de cabeça lendo isso…

Se não se permitir ser presa, mais uma vez, das armadilhas ideológicas do ego, sempre cioso de defender seus delírios infantis e bestiais, sim. É uma questão de maior ou menor maturidade psicológica ou de maior ou menor nível de consciência do indivíduo.

Em nome da coletividade, obrigado pelos esclarecimentos.

Que cada um ouça sua consciência, procure a voz da paz, e não se equivocará quanto aos melhores caminhos a perseguir. Muita gente sofre uma crise de transcendência, e transforma-a num processo de decadência. Ou seja: sofre uma insuficiência afetiva, que não acontece por acaso, pois que convida o indivíduo a um salto de qualidade em sua vida, e, em vez de começar, por exemplo, um belo trabalho de solidariedade, no campo da impessoalidade, assim dando vazão, de modo nobre, às suas carências emocionais no campo do sentimento pessoal, prefere se aviltar e, assim, resvalar para degenerescências indesculpáveis e deprimentes, no campo da animalidade primitiva. É, portanto, além de um grande desperdício, uma atitude contra-producente que envilece a alma e a atormenta o espírito. Não deixa, assim, ninguém feliz, mas angustiado, ou, na melhor das hipóteses, cínico. Por fim, há personalidades deveras imaturas que não conseguem digerir frustrações a seus caprichos e que rompem com o sentido de responsabilidade e respeito pelo outro, com a maior facilidade. Para essas mentes pueris, bem como para os insensíveis que abundam nas comunidades humanas da Terra de hoje, só nos resta reservar a nossa piedade e paciência, já que sofrerão tantos reveses do destino quão mais resistentes forem ao amadurecimento de seus caracteres.

Hoje, a modernidade libera a todos do preconceito, o que faz com que situações falsas, forjadas na base das aparências e do medo das retaliações sociais e culturais a atitudes que destoassem dos padrões de costumes prevalentes se mostrem como realmente são. Como hoje há muita licença moral, as pessoas podem revelar, à vontade, sua natureza, tal qual é, no presente momento de seu histórico evolutivo. A questão, porém, é que, diferentemente da questão do preconceito, ninguém se liberta da própria consciência. E, assim, enquanto alguns sabem agir por uma questão de retidão, dentro de certas linhas de conduta irrepreensível, outros optam por dar larga expressão aos seus ímpetos primais, por não terem amealhado ainda, em si, motivos suficientes de ética e moral para agir judiciosa, conscienciosamente.

Incrível o poder de síntese de vocês, e, ao mesmo tempo, sua abrangência e profundidade. Têm algo mais a dizer sobre o assunto?

Não, estamos, agora, satisfeitos.

(Diálogo travado em 19 de janeiro de 2003.)

(*) Os espíritos “incógnitos”, que assim prefiro chamar por não quererem se identificar, são um grupo de entidades de altíssima envergadura evolutiva, que gostam de meditar, em conselho, suas opiniões, e emitir, coletivamente, seu veredicto sobre cada tema abordado. Alguns deles, conforme nos informou Eugênia, participaram da composição de respostas contidas em “O Livro dos Espíritos”, de Allan kardec, constituindo um colégio de almas do mesmo nível de expressão mental daqueles 32 que auxiliaram o codificador do Espiritismo em sua insigne tarefa. A profundidade e sabedoria das respostas dos “incógnitos” bem revela isso, sendo um vedadeiro prazer intelecto-espiritual lermos-lhe os escritos, como têm concordado os amigos mais inteligentes e cultos, que me têm comentado a respeito.

Nota do Médium




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