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19 de novembro de 2002
 

Em Meio a Grande Dilema.

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Eugênia.

Tem dúvida sobre um caminho a tomar? Não sabe se se trata de obsessão ou de intuição, de uma dádiva divina ou de uma terrível tentação? Como distinguir claramente entre estar aberto e ser permissivo?

Existe, amigo, uma metodologia fundamental para isso: abra-se à experiência, mas não de forma plena, a ponto de envolver-se ou se comprometer com ela, de imediato ou de pôr em risco outras responsabilidades e compromissos que já tenha assumido. Vá ao encontro da vivência, sem, no entanto, mergulhar totalmente em seu cosmo, a fim de que possa avaliar melhor o seu conteúdo. Não fure a ética, seja decente, mas mantenha-se acima de convenções ou aprisionamentos culturais asfixiantes. Se não se aproximar do objeto de seu dilema, não poderá colher informações suficientes, para concluir, com segurança, se se trata de algo destrutivo ou de uma janela de oportunidade para a criatividade e a transcendência.

Ore muito, mantenha-se alerta durante todo o contato com o foco do conflito, mas vá até ele, destemidamente, a fim de que possa, então, com mais dados, compreendê-lo melhor e, então, poder tomar uma decisão fundamentada sobre ele, sem a leviandade das deliberações apressadas.

E, tendo feito isso, nada de culpa, de remorsos, por se ter mantido aberto e ter-se permitido conhecer alternativas novas para sua felicidade e progresso. Você pode ser amigo do seu chefe ou de seu patrão, vestir a camisa de sua empresa e ser um excelente e dedicado funcionário, mas nada o impede, ética ou espiritualmente, de estar aberto à possibilidade de checar outras oportunidades de emprego, de ascensão profissional. O mesmo, muito embora pareça às vezes chocante para os mais puritanos da crosta, pode-se dizer sobre o casamento. Se sua vida está infernal no relacionamento afetivo, se há muito tempo tem feito tudo por salvar o relacionamento e ainda assim nada surte efeito, não há nada demais em observar uma pessoa que lhe pareça candidata a um eventual futuro consórcio marital. Não há nada de errado em se fazê-lo, muito embora, como disse acima, mantendo-se, quando nesses campos melindrosos e minados de probabilidades duvidosas, sempre em prece, cauteloso e paciente, a fim de que a consciência possa auferir todos os elementos necessários para a montagem de um panorama preciso do que se passa.

Deus não castra liberdade de ninguém. O Criador quer sempre as criaturas no pleno gozo de seu livre-arbítrio, de sua singularidade, de seu poder de escolha, mudança e construção de destino. Nunca duvide disso. O deus que tolhe, que reprime e que exige obediência não é o Deus verdadeiro, e sim uma construção cultural, uma projeção de idéias equivocadas que se faz a respeito da Divindade, e que devem ser elididas, porque impedem o livre vôo dos seres sencientes rumo ao Absoluto, na direção da auto-trasncendência constante, propiciadora de libertação, sabedoria e bem-aventurança progressivos.

Nada de licenciosidade, de jogo mesquinho de interesses egóicos, de traições venais, de deslealdades ou de fuga a responsabilidades. Mas que a ética e a honestidade não o impeçam de manter a mente aberta e sua vida receptiva a horizontes mais amplos de felicidade, crescimento e paz…

(Texto recebido em 19 de novembro de 2002.)




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