Diálogos com outros Espíritos

22 de julho de 2002
 

Diálogo Mediúnico 18 – A Voz da Verdade.

Benjamin Teixeira
pelo
espírito Demétrius.

Muitas vozes tentam ludibriá-lo, numa verdadeira cacofonia psíquica de vetores de influências dissonantes.

Propor-lhe-ão comportamentos extraordinários, disciplinas crudelíssimas – nada disso terá efeito real. Ideias mirabolantes não vingam – goram. Passam rápidas como brumas ao vento. Somente o pouco continuado, feito simultaneamente, em diversos planos da alma, está em acordo com a natureza multidimensional e indivisa da mente. Ou seja: fazer o possível, ainda que pouco, mas em todos os departamentos psíquicos e existenciais, concomitantemente.

Não se deixe levar pela balbúrdia de situações passageiras. Procure os padrões que lhe subjazem. Nestes, encontrará a solidez, a perenidade e a verdade de sua alma, para o atual estágio evolutivo em que se encontra, com todos os seus potenciais, limitações e características próprios.

Isso não parece difuso demais?

Não se o indivíduo sabe ser honesto com ele mesmo e compreender que, por detrás das oscilações peculiares à sua natureza humana, um certo padrão (eis o que queremos dizer com “padrão”) de ser, agir e sentir, persiste, indicando, em meio às subidas e descidas do gráfico emocional, uma linha determinada de consciência, que evolui, que sofre ligeiras alterações de percurso, mas que, em seus aspectos fundamentais, continua a mesma. Esse padrão subliminar é o que o indivíduo é, e é o com que pode contar, para assumir compromissos com pessoas, causas e ideais. Quem foge a essa percepção profunda de si, condena-se ao malogro em votos de fé, em responsabilidades absorvidas, em projetos programados.

Mas a pessoa não pode, com a melhor das intenções, por uma escolha lúcida, concentrar-se num aspecto de si, sacrificando todos os demais em função dele?

Sim, pode. Mas nesse caso, vemos um sacrifício, e não o equilíbrio, a excelência, o ideal, nem mesmo o objetivo prosaico da felicidade e da paz, da tranqüilidade. Jesus já disse: “Misericórdia quero e não sacrifício”. Vivemos a era da felicidade. A felicidade deixou de ser um conceito vão e quem não a busca, ainda que não a viva, é tido como doente, demente ou louco. E isso está certo. A sensação geral de bem estar indica que o indivíduo está respeitando a própria natureza e atendendo, por conseqüência, ao chamado e aos desígnios do Criador a seu respeito. Assim, a felicidade se faz um bom barômetro da boa sintonia, de se estar no caminho da verdade e do bem genuínos, sem preconceitos, castrações, fanatismos ou repressões inúteis e prejudiciais.

E como distinguir quando agimos com preguiça e covardia, de quando sinceramente estamos fazendo uma renúncia prudente e auto-consciente do que foge a nossas possibilidades reais de ação, transformação e realização?

A voz da consciência é inconfundível. O tormento que se estabelece em uma mente estressada e desequilibrada sempre revela um afastamento do centro da alma. Somente gravitando em torno do próprio eixo – correspondente ao nível atual de evolução do indivíduo, incluindo suas possibilidades atuais de transcendência –, pode alguém encontrar a paz e a verdadeira felicidade.

Mais algo desejaria falar sobre o assunto?

Não.

(Diálogo travado em 22 de julho de 2002.)




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