Diálogos com outros Espíritos

19 de julho de 2002
 

Diálogo Mediúnico 17 – Sonhos.

Benjamin Teixeira
por
espíritos incógnitos.

Poderiam falar alguma coisa sobre sonhos?

Sim, claro.

O que podemos entender dos sonhos?

Que são um complexo mecanismo de descanso, compensação e regeneração da mente, favorecendo a manutenção do equilíbrio interno, do progresso psíquico e do bem estar geral do indivíduo.

Que tipos de sonhos teríamos?

A classificação, mais uma vez, corre por conta de quem a faz, conforme seus interesses de estudo. Mas poderíamos propor que existiriam: o onírico, o mediúnico, o intuitivo, o pré-cognitivo, o projetivo, o retro-cognitivo. O onírico, quando se trata de um processo de contato com as raízes do subconsciente pessoal, com a elaboração complexa dos conteúdos imagéticos, mnemônicos e emocionais em desalinho, em busca de uma ordem implícita no caos psíquico do momento. O mediúnico, como sendo uma reminiscência de encontros com entes queridos desencarnados, mentores ou perturbadores da outra dimensão, pelo desdobramento parcial da pessoa durante o sono. O intuitivo, como sendo o resultado do processamento profundo de informações, conceitos e idéias, pela mente, durante o sono, trazendo a lume conclusões intrincadas, por trabalho subliminar das forças superconscientes e subconscientes do indivíduo. O sonho pré-cognitivo costuma ser um alerta da própria mente, antevendo algo na iminência de ocorrer ou recordando-se de uma dada programática cármica a ponto de eclodir, assim se preparando para enfrentar o desafio existencial ou para evitar um desvio de rota. O projetivo seria o sonho como recordação de experiências fora do corpo, sem contatos propriamente com entidades desencarnadas. E, por fim, o retro-cognitivo, como uma rememoração de experiências passadas, dessa ou de outras vidas, com fins terapêuticos, tanto fomentada pela própria superconsciência do indivíduo, como incitada por seus guias espirituais.

Muito interessante. Que dizer do hábito de transcrever sonhos e tentar decifrá-los?

Hábito salutar. Não por acaso tem sido habito cultivado em todas as culturas da humanidade, sobremaneira em seus aspectos religiosos e psicológicos (como os artísticos). A decifração de sonhos é uma das técnicas mais favoráveis a ativar uma conexão entre mente racional e emocional, entre consciente e inconsciente, entre mente de vigília e subconsciência. É também um modo de trabalhar com os estados alterados de consciência, tão importantes ao equilíbrio e à saúde mental da criatura humana, sem gerar desajustes colaterais. Sendo o sonho o modo mais universal de transe que existe, a sua decodificação, a familiarização com sua linguagem simbólica, emocional e supra-racional é um caminho excelente para a otimização da existência.

E como isso deve ser feito? Há pessoas que procuram livros com significados estabelecidos para o sonho. Outras, ao reverso, só confiam na leitura psicanalítica clássica dos sonhos.

Isso nada tem a ver com o que acabamos de falar. Ninguém está completamente autorizado a interpretar sonhos para ninguém, por tratar-se a linguagem emocional algo de intrinsecamente relacionado a vivências personalíssimas, intraduzíveis para quem quer que seja, fulcrado na biografia do indivíduo e na teia complexíssima de suas impressões e experiências íntimas. A interpretação dos sonhos, que pode ter auxiliares e facilitadores externos, é uma jornada eminentemente solitária, como um processo de auto-descoberta e auto-conhecimento sem fim. Procure-se, primeiramente, acostumar-se com a própria linguagem emocional. O descrever os sonhos, transcrevendo-os meramente, sem a preocupação imediata por interpretar, é já um meio ótimo de fazer isso. Com o tempo, deve-se procurar fazer uma decodificação de elementos, perguntando-se o que se sentia com determinado elemento do sonho, o que tal personagem representa para si, o que dado enredo significa para o atual momento existencial vivido, etc. Ver-se-á, então, que o próprio inconsciente “tomará a palavra”, se é que assim podemos dizer, e tão natural como se recordar de uma lembrança perdida no fundo da memória, revelará o conteúdo de aprendizado e aviso dos sonhos, trazendo alertas importantes, sugestões e estímulos ao progresso e ao bem estar do indivíduo, em todos os sentidos, desde seu relacionamento com entes queridos até as mais sibilinas e profundas questões de sentido e propósito da vida.

Todo sonho deve ser anotado e estudado?

Não, assim como nem tudo na vida constitui sincronicidade ou um sinal divino. Estamos cercados de significado, mas é bom precatar-se contra excessos do misticismo vulgar, que em tudo vê uma revelação divina ou uma manifestação do sobrenatural. Isso é primitivismo por outro lado, recordando o estado místico-mágico de povos primevos, pré-racionais, que não faziam uso da lógica, para ler mensagens dos “deuses”, em cada acontecimento comezinho do caminho. Assim, existem sonhos que merecem atenção especial, e a pessoa reconhecê-los-á, pelo conteúdo emocional mais intenso. Aqueles que lhe parecem destituídos de importância, devem simplesmente ser ignorados.

Mas há pessoas que não se lembram de seus sonhos ou que, quando se lembram, afiguram-se-lhe tão vulgares ou sem sentido que nunca se sentiriam impelidas a fazer uma tradução dos mesmos.

Nesse caso é diferente. O psicotipo em foco sofre uma severa desconexão com a mente inconsciente, ou é portador de uma magnífica capacidade de relação com ela, durante o estado de vigília, ponto de dispensar compensações à noite – o que é muito raro na humanidade terrena. Ou seja, provavelmente o indivíduo padece de um baixo nível de auto-consciência, está-se escondendo, por mecanismo de defesa, de certas partes de si ou apavorado com eventuais retaliações morais, por recordar-se do que não o agrada.

Nesse caso, essas pessoas precisariam fazer, por um tempo, uma análise de tudo, até dos sonhos mais aparentemente prosaicos, até desenvolverem uma boa conexão com o seu inconsciente?

Sim. Porque, no caso delas, diferentemente do que falamos acima, não há perigo de que fiquem excessivamente supersticiosas. Dá-se, com elas, justamente o reverso: costumam ser profundamente racionais e lógicas, mantendo-se distanciadas do seu emocional e do supra-racional, distância essa que é a causa de sua patologia emocional-espiritual. Assim, esforçar-se de todo modo, por um tempo, para entretecer um vínculo entre as duas mentes: consciente e inconsciente é de suprema importância para seu bem estar e progresso.

Mais algo a dizer sobre sonhos?

Sim. Que hoje se confunde sonhos com ideais, na acepção vulgar do termo, o que bem revela, pela sabedoria popular (ou seja: sabedoria do inconsciente coletivo), que as questões superconscientes são abarcadas pela inconsciência trabalhada nos sonhos, e que nos cabe, de uma certa forma, não só trazer a razão aos sonhos, quando se está acordado, pela dissecação e análise de seus conteúdos, lições e significados profundos, como, de inversa maneira, trazer o sonho à razão, durante o estado de vigília, assim fazendo uma interfusão de sentimentos, intuições e sentido de propósito no ordinário das experiências cotidianas, assim propiciando-se a maximização do aproveitamento da vida e o alcance da plenitude, da paz e da felicidade, tanto quanto possível.

(Diálogo travado em 19 de julho de 2002. )




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