Diálogos com outros Espíritos

11 de julho de 2002
 

Psicologia Espírita

Benjamin Teixeira
por espíritos
incógnitos.

Podem nos dizer alguma coisa sobre Psicologia Espírita?

O próprio estudo etimológico da palavra “psicologia” já revela muito do que queremos dizer: psiquè, em grego, significa alma. Psicologia, portanto, literalmente, quer dizer: “o estudo da alma”. E o Espiritismo nada mais é do que um profundo e vastíssimo estudo da alma, em todos os níveis de sua evolução, aqui compreendendo alma na sua acepção livre de sinonímia de espírito.
Além do que, o ínclito codificador espírita já caracterizou, no subtítulo de sua “Revista Espírita”, publicada por 12 anos ininterruptos, como sendo: “Jornal de Estudos Psicológicos”. Psicologia, na mais plena conotação da palavra, e Espiritismo, destarte, confundem-se, em sua essência. Muito embora, como Ciência para o orbe terreno, a Psicologia tenha surgido somente em 1876, para a perspectiva da Espiritualidade Maior, já existia uma visão científica mais completa, com o tratado kardequiano, do que a que espocaria mais tarde.

Poderíamos dizer que a Psicologia Transpessoal, a denominada “Quarta Força da Psicologia”, considerando o Comportamentalismo como a primeira, a Psicanálise como a segunda e a Psicologia Humanista como a terceira, seria um despontar dessa Psicologia que toca na natureza do Espiritismo?

Sim. Mas há um longo terreno pela frente, até que haja plena coincidência entre um e outra, no que tange, sobremaneira, aos aspectos morais, cosmogônicos e escatológicos (a teleologia mais profunda do universo) e sobremaneira deístas, que o Espiritismo aborda como alicerce fundamental de sua filosofia, ao passo que a Psicologia Transpessoal sequer considera tais questões. Além do quê, a Psicologia Transpessoal ainda não goza do devido crédito que mereceria, no meio científico. A fixação no patológico, como etiologia básica para todos os distúrbios e mesmo atributos basilares da psique, ainda marca a comunidade psicológica, como se toda a espécie humana fosse constituída de um apanhado de zumbis tarados e dementes, em busca de canalizar a libido reprimida. A Psicologia Humanista começou a questionar esses postulados obviamente tendenciosos, embora seja curioso e interessante como matéria mesmo de estudo psicológico a forma como a comunidade psicológica, psicanalítica e psiquiátrica é resistente a aceitar uma visão mais equilibrada do ser humano, menos focada nas psicopatologias e mais centrada no ser humano como um todo, que estagia em diversos graus de amadurecimento psicológico.

O que mais teriam a nos dizer sobre isso?

Que o Espiritismo vai trazer a chave para uma série de enigmas até hoje não desvendados da ciência psicológica. Segismundo Freud, pouco antes de desencarnar, lamentava, amarga e profundamente, o intrigante paradoxo de a psicanálise explicar, mas mui dificilmente curar. Sem remontar ao espírito eterno, que jornadeia em corpos diversos, em processo de desenvolvimento de suas faculdades embrionárias de ser semi-divino, de ordem psíquica, intelectual e moral, jamais se terá um quadro completo que explique toda a intrincada teia da mente humana, com seus complexos, neurores, tendências sociais e aspirações à transcendência. Quando, por exemplo, fala-se que por volta de sete anos um misterioso “mata-borrão” passa pela mente da criança, apagando quase todas as memórias anteriores a esse período, na maior parte dos indivíduos, embora tal fenômeno tenha alguma base neurofisiológica, trata-se, em verdade, da fase final de acoplamento do espírito ao corpo físico, concluindo, assim, o processo de reencarnação iniciado com a fecundação do óvulo, no útero materno. Quando indivíduos têm cérebros bem dotados e mente limitada, ou, ao reverso, pessoas portadoras de estrutura neurofisiológica deficiente apresentam uma determinação e uma vontade de fazer e viver que superam todas as barreiras, realizando prodígios, percebe-se que algo mais está em jogo. Algo que não foi condicionado geneticamente, e que, em inúmeras circunstâncias, não pode se justificar, outrossim, pelos elementos sócio-culturais que conformaram a personalidade. O Espírito, assim, precede a personalidade, condicionando-a, e não o inverso.

Muito interessante. Desejam acrescentar mais alguma coisa?

Dizer que os estudos de Psicologia avançarão cada vez mais. Assim como a Medicina o Direito, que são funções eternas do ser humano, a Psicologia entrará em cena com força crescente, adquirindo prestígio e importância, fundindo-se, inclusive, a diversos departamentos e disciplinas figadais da atividade humana, como a Pedagogia e a própria Medicina. Hoje, até em questões mercadológicas, a Psicologia é criteriosamente ouvida, com o intuito menos digno de vender mais, pela manipulação de carências e desejos ocultos dos consumidores, gerando, amiúde, necessidades antes inexistentes. No futuro da Terra, a Psicologia será, mais do que hoje, colocada a serviço do ser humano e seu engrandecimento e, sobremaneira, de sua felicidade e pleno aproveitamento de sua passagem pela existência física.
Outrossim, queremos destacar que, entre os tipos de conhecimento mais importantes para a evolução do espírito que se podem adquirir, está o conhecimento da alma humana, aqui entendido não apenas como o que é coberto pelo espectro de análise e interesse da Psicologia atual, mas incluindo aquele que se estende para todo amplo território multidimensional que caracteriza a psique humana em sua completude, muito do que, a propósito, é hoje ventilado por linhas pouco respeitadas do esoterismo e da categoria gigante da “auto-ajuda”.

Mais algo desejam dizer sobre isso?

Não. Satisfeitos.

(Diálogo travado em 10 de julho de 2002.)




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