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31 de dezembro de 2001
 

Assembléia sobre o trato com o primitivo em si

Não há certeza no fenômeno mediúnico, como não há na experiência intelectual mais lídima, nem em nada na vida. Se você assenta os pés da alma no terreno movediço das experimentações criativas do processo de crescimento, amadurecimento e individuação*, não deve esperar muita clareza e definição. É bom, assim, acostumar-se com a dúvida, o medo e o desânimo, não de forma sistemática, mas ao menos como visitantes freqüentes de sua casa mental.

Demétrius.

Tenha confiança em Deus. Quando tudo lhe parecer perdido e sem saída, recorde-se do Amor Infinito, da Providência Perfeita, e prossiga em seu caminho de ideal e amor. Não descreia de si, por maior a fraqueza que divise em sua alma. Nas mãos de Deus, tudo podemos fazer.

Eugênia.

Suas expressões de primitivismo ser-lhe-ão perdoadas, na medida em que se compensar, ante as Leis da Vida, fazendo o bem, em medida ainda maior. Não perca tempo se culpando: concentre-se em trabalhar, na extensão do bem ao próximo. Quem sabe até mesmo a Divina Bondade não lhe tenha permitido a experiência do erro, para lhe dar um estímulo maior à realização do melhor?

Gustavo Henrique.

Você sente sua alma leprosa, tamanha a quantidade de defeitos que nela adivinha? Então, qual os leprosos de Cafarnaum, procure o Mestre e confie-se-Lhe integralmente, para que Ele a cure de todas as enfermidades do espírito, fazendo-a ressurgir para uma vida nova. Ah… seu caso ainda lhe parece mais grave, e se sente totalmente fracassado, na plena morte do mal? Recorde-se, então, dos mortos ressuscitados por Jesus e entregue-se, ainda mais confiante, ao querido Rabi da Galiléia, e todos os seus problemas serão sanados.

Irmã Brígida.

A Bondade do Criador jamais fecha as portas do arrependimento e da reparação ao pecador. Se, portanto, sentes-te um revel da Divina Luz, saibas que se trata de uma impressão tua. Ninguém é condenado, inapelavelmente, a nada, sob as vistas do Senhor. São os incréus que se sentenciam a si mesmos a sofrimentos cruéis. Reveste-te, agora, de auto-perdão e recomeça vida nova, no propósito de corrigir-te e ressarcir-te pelo mal porventura praticado, por ação ou omissão.

Eustáquio.

Cuidado com os comportamentos e tendências obsessivos que bloqueiam os processos criativos, em nome de uma moral que lhe estanca as fontes da produtividade e da ação no bem. Seja ético, justo e bom, mas jamais um puritano pretensioso. Fanatismo e religiosidade genuína não se coadunam. Escolha o seu lado e opte pela felicidade. Você é animal, tanto quanto espiritual. Uma mistura complexa de besta e anjo. Cabe-lhe administrar esse conflito fundamental, nos rumos da transição evolutiva, reconhecendo, porém, que não será agora que a besta se converterá, totalmente, em anjo sublimado. O ser humano em você ainda cometerá muitos erros lamentáveis e, por muito tempo ainda, precisará da Mão de Deus para lhe levantar das quedas em que chafurdará.

Temístocles.

A verdade é uma só, mas se expressa de infinitas formas. Não se fixe nas configurações coletivas ou familiares da verdade, a troco de ser aceito e amado. Sim, não deve se mostrar um rebelde tolo e irreverente. Mas também não se converta num demônio de auto-castrações, em nome de ser o desprezível bonzinho que todo mundo diz que gosta e que ninguém, em verdade, valoriza. Ser inteiro, íntegro, autêntico é encontrar sua verdade pessoal, ainda que comporte algumas contradições que podem passar por mentiras, dependendo do prisma de quem avalia. Não fuja, porém, jamais, da sua intuição do melhor a fazer, à guisa de se tornar melhor, no campo hipotético de vagas virtudes a serem depuradas, normalmente conforme um padrão de convenções morais que nem sempre condiz com a verdade transcendente de Deus.

Anacleto.

Como você pode desprezar ser feliz? Uma ética não pode deixá-lo amargo, ou não será ética, mas uma ótica… equivocada. Discipline-se, mas não se angustie. Tente acertar, mas não tente se tornar uma máquina. O erro é humano, e, ainda que envide todos os esforços, continuará errando, e talvez até com tipos piores de erro, pelo fato de presumir não errar: a arrogância, o fanatismo, a tirania. Sendo assim, busque um ponto de equilíbrio: aceite sua falibilidade humana, sem se render a seus impulsos; eduque sua natureza animal, sem reprimi-la. Não é fácil encontrar esse ponto ideal, mas muito pior é viver nos extremos da descompensação.

Roberto.

* Conceito cunhado pelo psiquiatra e psicanalista Carl Gustav Jung, pai da psicologia profunda, e que, resumidamente, representaria o processo infinito de um indivíduo se tornar o que é, nos meandros do auto-conhecimento e do auto-desdobramento de seus potenciais adormecidos. (Nota do Médium)

(Texto recebido pelo médium Benjamin Teixeira em 29 de dezembro de 2001.)

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