Espírito Demétrius

18 de dezembro de 2001
 

Assembléia sobre Vida no Lar.

A vida familiar é um colcha de retalhos de pequenas renúncias, onde o amor é tecido dia a dia, e onde o bem sempre vence, por meio da força do coração feminino, sempre disposto a dar-se e devotar-se, assim aglomerando e conciliando caracteres antagônicos.

Elvira.


O lar é o sacrário de Nosso Senhor Jesus Cristo, onde a manjedoura das expressões ainda primárias de amor desenvolvem o broto diminuto do amor divino que habita o coração dos homens, a fim de que o anjo que nele dormita desperte.

Irmã Brígida.


Não existe lar, na plena acepção da palavra, sem renúncia aos caprichos comezinhos do eu, tanto quanto não existe amor sem altruísmo. Pode-se constituir um colégio de amigos, sem o sacrifício de si, ou tórridas paixões, sem esquecimento das questões de ordem pessoal, mas jamais o verdadeiro sentido do lar é entendido dessa forma, já que é por meio dele que se exercita o amor incondicional, em medidas menores, para um dia poder ser aplicado, em medidas universais, a todas as criaturas.

Anacleto.


Tem gente querendo casar e se casando por brincadeira. Um sério entrelaçamento de destinos ocorre, no momento em que duas pessoas decidem constituir uma família, e não se faz isso sem pesada quota de concessões recíprocas, já que a área do ego de cada qual deverá ser interceptada pelo campo do ego do outro (e dos outros, quando houver filhos).

Roberto.


Imagine um conjunto de psiques diversas, compartilhando de uma mesma psicosfera, muitas delas divergentes entre si e com impulsos de alma completamente distintos e se terá uma noção de quanto esforço de superação de frustrações e processamento de conflitos tem que acontecer no lar. É fácil idealizar-se pessoas e situações perfeitas em que se poderia viver em paz. O desafio reside no hoje e no lugar em que se encontra. Não que se deva suportar qualquer coisa ou não se possa almejar a melhoria ou mesmo mudança de situação, mas que se deva assimilar a lição terapêutica e evolutiva do momento que passa.

Demétrius.


O amor corrige todas as arestas, faz transcender todas as diferenças, o amor consola, acalma e redime. Somente pela força do amor chegar-se-á à felicidade verdadeira, no seio do lar ou fora dele, já que essa força fundamental convida a criatura, por meio de suas manifestações, a desenvolver suas potencialidades ocultas na direção de Deus.

Eugênia.


Tragédia e comédia, confusão e certeza, dor e felicidade. O lar é tudo, em matéria de relacionamento interpessoal e crescimento espiritual. A forja dos maiores conflitos, a arena das maiores batalhas interiores, a força da união, a fonte do amor genuíno… Ninguém atinge as excelências da vida pública, na seara de vera espiritualidade, sem antes haver temperado a alma no laboratório do lar. Lá, as grandes fusões psíquicas acontecem e, sobretudo, as grandes transformações para a eternidade.

Temístocles.


Espíritos de longas datas conhecidos entre si encontram-se no instituto do lar, para o devido burilamento de suas psiques. Grandes afetos, grandes inimigos do passado se vêm novamente, para a superação de antigas mazelas e a purificação de suas consciências. Compelidos a conviverem mais uma vez, atritam-se para o desgaste das suas anfractuosidades morais, configurando idiossincrasias angélicas por ora desconhecidas dos homens.

Gustavo Henrique.


Tens, no lar, tua oficina de trabalho, tua escola de espiritualidade, teu laboratório de felicidade. Não penses colher alhures informes e estímulos melhores. Sim, podes ambicionar mais e melhor, mas não esqueças a lição humilde que lhe é sugeria pelo contato com os entes queridos, seja a paciência, o devotamento ou a compreensão. Nas pequenas conquistas diárias, no reduto do lar, encontrarás as respostas para os grandes dilemas da existência humana e descortinarás espaço para as grandes realizações do futuro.

Eustáquio.


(Texto recebido pelo médium Benjamin Teixeira, em 19 de dezembro de 2001.)




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