Espírito Irmã Brígida

20 de novembro de 2001
 

Às Portas do Inferno.

Benjamin Teixeira
pelo espírito
Irmã Brígida.

Conduziram sua mente à porta do inferno. Mas não se esqueça de que não se conhece o paraíso, sem antes se haver perpassado os horrores do purgatório. Jesus desceu à mansão dos mortos, reza a tradição cristã, a fim de poder ascender aos céus. São João da Cruz, o grande místico, fez referência à angustiosa noite escura da alma, que favorece a iluminação. Místicos de todos os tempos aludem aos tormentos e tentações que atravessaram, antes de atingirem a Luz Divina.

Você, também, que hoje atravessa terrível provação, tenha paciência. Jesus vela. Não descreia de seu amor soberano, por um momento que seja, por mais imundo e indigno que se sinta. Jesus o curará. Lembre-se de Dante, sendo compelido a fixar visões mefistofélicas e sinistras, a fim de, somente depois, divisar alguns relances do Éden.

Dir-lhe-ão que você não tem salvação, que você é caso perdido, que é um leproso da alma, aos pedaços. Mas Jesus cura toda lepra. Aproxime-se dEle, confiante, e Ele o cicatrizará em todas as chagas de seu espírito, e Ele reconstituirá os tecidos de sua consciência.

Insinuam-lhe estar na iminência da loucura e da total e irremissível deserção moral. Induzem-no a sentir-se sem nenhuma força para reagir às tentações suicidas, em todos os níveis, a começar pelo suicídio dos sonhos, dos ideais, dos princípios sagrados que regem sua alma. Não creia nisso – a voz da mentira soa, retumbante, tentando fazer calar uma voz mais profunda e forte, tonitruante: a voz da verdade, a voz de Deus, no imo de seu coração: a voz de sua consciência.

Transforme esse momento infeliz em um ensejo de exercitar a humildade. Não foi por acaso que chegou ao ponto em que está. Por mais que tenha havido a participação de seu livre-arbítrio e que tenha realmente sido negligente, a Divina Providência o permitiu, e se houve permissão divina, esteja certo: algo de bom reverterá para você dessa vivência amarga, algo de muito útil pode ser extraído dessa decepção consigo mesmo, uma lição que pode ser incorporada para sempre como um novo patamar de consciência.

Perdoe-se em seu deslize. Por mais que julgue que estivesse consciente do que fazia, na hora do lapso de conduta, não tinha plena ciência, em verdade. Quando se está plenamente lúcido do mal, não se incorre em erro. É a ignorância que permite que alguém resvale no mal. Então, arregace as mangas após a queda, levante-se e volte ao trabalho, imediatamente, recomeçando como se nada houvesse acontecido. Deus sabia de sua fraqueza e de que passaria por essa circunstância embaraçosa. E Deus, portanto, não tem nenhuma invectiva contra você. Não faz sentido, destarte, que, de sua parte, não se conceda o perdão, para recomeçar, com ânimo renovado, inclusive para que possa se compensar pela queda. Não que vá relaxar no esforço de melhoria íntima – seja determinado em se disciplinar e se comprometer, tanto quanto possível, em não mais reincidir na falta que o aflige, agora. Mas permita-se o recomeço, a oportunidade da renovação e, portanto, do ressarcimento pelos equívocos de ontem.

Vai, teus pecados estão perdoados – disse Jesus. Vai, e não tornes a pecar, complementa o Amigo Divino. Faça dessa a sua filosofia de acrisolamento moral. Por inúmeras vezes ainda se flagrará em erro, no longo carreiro evolutivo que o aguarda à frente. Que aja, assim sendo, de modo a viabilizar o seu progresso e, com isso, poder se notar em erro, mas em níveis cada vez mais profundos de complexidade e sutileza morais. A culpa prende o indivíduo às lições elementares, fixando-o à retaguarda, quando, amiúde, já é hora de singrar no rumo de horizontes mais largos.

(Texto recebido em 18 de novembro de 2001.)




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