Espírito Gustavo Henrique

28 de abril de 2001
 

Retórica do Mal.

Benjamin Teixeira pelo espírito Gustavo Henrique.

A retórica do mal está em atordoar, confundir e desesperar, para fazer o indivíduo agir conforme seus interesses, qual se não houvesse alternativas outras para uma dada situação vivida, assim como o gado que é encurralado e acicatado em direção ao corredor do abate, impossibilitado de tomar outros rumos. Entrementes, se no caso dos irmãos animais, em condição de cativeiro, não existem, de fato, alternativas, dada sua inferioridade intelectiva em relação ao algoz racional, o mesmo não se dá com o ser humano, sob o ataque de influências malévolas. Sempre é possível, com um esforço contínuo por manter a lucidez, recobrar forças e meios para reagir e recompor-se, reassumindo o controle da casa mental e dos próprios atos.

Forças maquiavélicas pugnam por eclipsar a consciência da vítima quanto à urdidura das armadilhas em que é envolvida, obnubilando-lhe o senso crítico e o juízo de valor, toldando-lhe a capacidade de raciocinar com clareza, para melhor discernir e dominar a situação.

Hipnoses nefandas, comprometendo encarnações inteiras e laboriosos planejamentos existenciais, pondo a perder preciosíssimas oportunidades de crescimento e realização, acontecem, diuturnamente, na terrível cultura da propaganda subliminar que hoje comanda a civilização terrena, em função do sistema de consumo, que olvida e faz pôr na mais indesculpável negligência, franca e cinicamente, as mais caras e elevadas aspirações do espírito humano, em função de interesses comerciais subalternos e, por que não dizer, em última análise, inteiramente destituídos de sentido.

Mas há uma tática muito simples, que deve ser mentalizada com bastante vigor, a fim de que se recorde de dela fazer uso, e de fato o faça, peremptoriamente, quando estiver sob a saraivada de bombardeios hipnóticos e vampirizantes do mal: Quando se sentir angustiado e com a mente embaralhada, não haja por impulso: está numa condição mental por demais suspeita, com grande probabilidade de estar sob efeito de inimigos invisíveis, mas com certeza sob controle do lado pior de sua psique, que deve ser domado, e não propriamente liberado. Nessas circunstâncias, ore, asserene-se e acautele-se, deixando passar o momento ruim que atravessa, adiando quaisquer decisões ou posicionamentos a que se sinta obrigado a tomar, para depois do surto de loucura branda de que se vê acometido. Quando tudo estiver mais claro, quando a poeira houver assentado, torne a verificar o terreno e, só então, tome decisões e iniciativas. Se não tomar essa precaução – de esperar o momento de confusão e atordoamento passar, para então agir – estará se expondo a perigos de dimensão e implicações que por ora nem imagina, correndo sérios riscos de desviar-se de seu caminho existencial de felicidade e paz, e de comprometer sérios patrimônios existenciais postos sob sua confiança.

Prudência, prudência e um pouco mais de prudência. Só aja em regime de lucidez, plenamente consciente do que faz e do que realmente quer, e não por estar se sentindo arrastado para tanto, por forças estranhas e motivos vagos. Aprenda a respirar, entre uma agressão e a sua resposta; a estudar calmamente e dormir várias noites entre um momento de injustiça e a devida defesa, para que, inclusive, seja mais assertivo, prático e feliz nos resultados. E nunca, nunca mesmo ceda poder ao lado contra. E perder a cabeça, em quaisquer circunstâncias, por quaisquer razões, por mais sérias e justas que pareçam, sempre constituirá o tipo de derrota a que jamais deverá render-se. Seja dono de seu destino, e controle-se nos momentos mais emocionais, para que a razão possa ser sua mestra, e a intuição seu guia.

(Texto recebido em 27 de abril de 2001.)

 




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