Diálogos com outros Espíritos

19 de março de 2001
 

Diálogo com Anacleto sobre o drama do Afeganistão e os destinos da Terra

 

Você nos poderia dizer algo sobre os horrores que estão ocorrendo no Afeganistão, em que o regime Taliban tem conduzido uma população faminta e analfabeta a morrer de fome e frio, a uma espécie de retorno a evos passados? Até o equivalente aos circos romanos, com execuções assistidas por mais de 30.000 pessoas, têm surpreendentemente acontecido, conglomerados humanos esses que se formam pela proibição de toda sorte de entretenimento no país. A ajuda internacional não pode chegar, por conta de um embargo diplomático e comercial motivado por a nação albergar um terrorista que destruiu duas embaixadas americanas e pelo fato de alojar, em seu território, por muito tempo, também, vasta produção de ópio. Isso sem falar na condição massacrante a que se tem submetido as mulheres. Por que, num tempo de tanto progresso em tantos âmbitos da atividade e do saber humanos, vemos um retorno tão impressionante ao passado?

A Terra ainda é planeta de transição – espíritos de níveis evolutivos diversos estagiam nela, concomitantemente. Alguns, entretanto, estavam em vias de perder oportunidade de reencarnar por aqui, já condenados ao expurgo para um orbe mais primitivo, por não conseguirem se compatibilizar com o novo padrão evolutivo em que o globo adentra. Intercessões numerosas, de respeitáveis entidades angélicas que compõem a direção dos destinos do planeta, para vários milhões de protegidos seus, fizeram surgir balizas mais largas para o processo de acomodação de tipos reencarnantes do plano físico. Assim, não por decretação do Plano Superior, mas por uma permissão que de lá partiu, Forças das Trevas criaram um contexto de ruína para o país, favorecendo uma atmosfera de caos propícia a, como uma UTI evolutiva, gerando dores acerbas entre os que lá vivem, ensejar-se um progresso espiritual mais rápido desses grandes contingentes humanos que não teriam mais chances de estar na Terra. Como se sabe, a dor é abençoada escola de transcendência. Nos períodos de maior crise e angústia, as consciências são forçadas a mudar seus parâmetros de pensar, sentir, agir e ser, transcendendo-os, por imperativo de sobrevivência psicológica. Saiba-se, porém, que destino tão cruel, para os padrões da Terra de hoje, como o encontrado por tantas almas no Afeganistão, é extremamente suave para o que esses pobres espíritos encontrariam no mundo primitivo para onde seriam desterradas desde já, não fora essa oportunidade preciosa. Enquanto, no Afeganistão, são obrigadas a retroceder, parcialmente, à Idade Média, se fossem para o orbe que lhes receberia, teriam que retornar, não em parte, mas totalmente, a uma fase de evolução civilizacional equivalente ao que vocês denominam de Período da Pedra Lascada, ou seja: ao Paleolítico. Estão em casebres pobres, e têm difícil acesso a hospitais, mas poderiam estar em cavernas, buscando reinventar o fogo.

Uma informação dessas, de certa maneira, não estimula as pessoas a se acomodarem, e não buscarem auxiliar as pessoas que sofrem, por julgarem que merecem?

Para a perspectiva tosca de psiques primárias e egoicas, pode ser que sim. Mas isso acontece por causa da visão narcisista de mundo que albergam em suas almas, e quaisquer atitudes que provenham desse tipo de prisma de observação adotado correm por conta, exclusivamente, de sua responsabilidade, por tratarem-se de escolha de ótica interpretativa que fizeram, no livre gozo de seu livre-arbítrio. Quando apresentamos esses dados estamos dizendo o que leva Deus a permitir que tais coisas aconteçam. Não falamos dos homens, falamos do Criador. Como algumas pessoas facilmente se colocam na condição do Ser Supremo, ainda que inconscientemente, facilmente se acomodam, dizendo serem as coisas como devem ser. Deus permite que tais coisas ocorram, mas não as quer. E o permitir inclui a sábia utilização para o bem do livre-arbítrio mal utilizado dos que estão fazendo o mal ou se omitindo de fazer o bem, pelo que serão responsabilizados e cobrados, pessoal e coletivamente.

Então, podemos fazer tudo que estiver ao nosso alcance para eliminar a dor do nosso semelhante, sem temer intervir nos desígnios divinos?

Exatamente. Se não for da Vontade de Deus que alguém seja beneficiado, todos os esforços nesse sentido redundarão improfícuos. Mas o mérito da tentativa subsistirá para o idealista cheio de empenho em realizar o melhor. Por outro lado, é justamente pelas boas ações dos homens de bem, quando não por complexas injunções sociais (como as determinações do progresso material que espalha riqueza por áreas inóspitas), que a Divina Providência altera contextos de sofrimento, convertendo desertos de dor em jardins de felicidade. Que cada um faça o máximo que estiver em seu alcance por fazer o bem. Cabe a Deus a tarefa de julgar quem deve ou não ser agraciado pelas benesses assim disseminadas.

Voltando à questão do Afeganistão, você pareceu deixar subentendido que esse pessoal reencarnado por lá está recebendo uma última chance, como se não fosse durar por muito tempo essa situação trágica. Implica dizer que estamos historicamente próximos de debelar a miséria do mundo terreno, não é isso? E, quanto aos que lá estão reencarnados, se não aproveitarem bem esse ensejo, o que lhes acontecerá?

Terão que se submeter à sina de degredados da Terra, para um planeta em fase de desenvolvimento civilizacional primitivo. A intercessão das autoridades angélicas considera a probabilidade de êxito de um percentual daqueles que estão por lá reencarnados, mas não determina que se decidam pelo caminho do bem, do progresso. Não há, portanto, ingerência no sagrado direito de livre-escolha do ser humano, ainda que isso implique a opção pela desgraça.

Por fim, no que tange à miséria desaparecer em breve do planeta, sim, a dedução foi acertada. Não passarão dois séculos sem que todos os rincões de miséria do orbe sejam de todo banidos dos mapas terrícolas. A própria organização sócio-econômica mundial, avançando, cada vez mais célere, para uma interdependência inextricável, fenômeno que se tem denominado, na imprensa e meios acadêmicos do plano físico, de globalização, propõe, irrefutavelmente, não ser possível a riqueza dos ricos sobreviver sem que a miséria dos pobres seja elidida. Assim, por uma questão, primeiramente, de interesse dos poderosos, de preservação de seus patrimônios e comodidades, a miséria será extinta do planeta. Por outro lado, organismos internacionais de fins humanitários assumirão um poder de influência que por ora não se imagina, e terão poder de fogo incomparável ao que se vê hoje, ante a mídia e a opinião pública mundial, revertendo, em muito poucas décadas, o quadro deplorável de injustiças e disparidades gritantes atualmente em que a comunidade internacional se apresenta. E, assim como a Europa, em poucos decênios, saiu da miséria do início do século XIX para a riqueza generalizada do século XX, todos os povos da Terra, ao final do século XXII, terão garantido bem mais que o necessário à vida digna.

É uma excelente notícia.

Mais uma vez, afirmo: não se trata sequer de uma profecia difusa, de caráter metafísico. Estou autorizado a falar nesses termos abertos, pelo cúpula governamental do planeta, justamente por constituir um retrato de uma necessidade dramática de sobrevivência da humanidade terrícola. Ou há melhor distribuição de renda, de oportunidades e de regalias do progresso material e tecno-científico por todos, ou o fim será certo para todos, igualmente. A tecnologia bélico-nuclear, bem como a bélico-biológica, entre outras, estão se disseminando incontrolavelmente. E, à medida que adentramos a Era da Informação, em que os povos pobres terão acesso, cada vez mais, às imagens de riqueza, conforto e prazeres dos povos ricos, será inexorável uma mudança na estrutura organizacional econômica dos povos, ou todos serão tragados por lutas fratricidas de proporções sem precedentes. Falo isso, todavia, apenas em caráter de ilustração, porque os melhores analistas dos grandes centros de inteligência do globo têm plena consciência disso, de modo que, por uma questão de segurança das nações mais importantes, campanhas complexas de integração de todos à dignidade humana plena serão empreendidas (o que, inclusive, já começou, embora modestamente, nos últimos anos), de modo que esse cenário apocalíptico que insinuamos delinear para o futuro humano tem chances que podemos considerar próximas a zero de vir a acontecer.

Obrigado, Anacleto. Que sejamos inspirados a fazer o nosso melhor, no sentido de construir essa nova era.<

Inspirados todos são, quando têm boa vontade de fazer o bem. A questão de vocês, portanto, não é de serem ou não bem inspirados, mas de estarem dispostos a arregaçar as mangas e agir, persistentemente, no campo do ideal que cada um sentir inflamar o seu peito. E eis que a Terra, então, por esse movimento de indivíduos de propósitos humanitários, será gradativa, mas definitivamente, transformada em um Novo Eliseu, onde, como já disse outrora: as almas dos justos poderão aportar, para gozar as justas delícias do paraíso. Mais ainda do que um movimento gradativo, será um processo cumulativo, que tem um teto definido para, em sendo atingido, desdobrar-se em uma guinada evolutiva gigantesca, de proporções internacionais. Estudiosos dos movimentos sócio-culturais, no plano físico mesmo, já entenderam que isso acontece com o alcance de uma determinada massa crítica de pessoas modificadas internamente, algo em torno de 15% das populações, que, uma vez convertidas aos novos paradigmas, provocam a metanóia, a transmentalização, transformação de todo o restante da população, quase que instantaneamente. Até se chegar, entrementes, a esses 15%, os progressos parecem irrisórios ou nulos, desanimando os caracteres mais tíbios. Assim se compreende que nenhum esforço, no sentido de mudar a face do planeta, ainda que pareça completamente estéril, é vão, porque, como as marteladas na pedra, que se partirá ao 100º golpe, compõe o volume de iniciativas que, por fim, desencadeará o grande processo final de transmutação do planeta.

Esse tempo não vai longe. E cabe, a cada um dos que desfrutam da excepcional oportunidade de estar reencarnado, nesse período crítico da história humana – algo pelo que também serão cobrados – fazer o seu máximo, dentro dos limites de suas possibilidades, e mesmo transcendo-as, para abreviar o espaço de tempo que os separa desse fase luminosa da História Humana na Terra.

Matheus-Anacleto (Espírito)
Em diálogo com Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
19 de março de 2001




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