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3 de março de 2001
 

Estudo sobre o Medo.

Benjamin Teixeira
pelo espírito Anacleto.

Qual o tema de hoje?

Medo.

O que pode nos dizer sobre o medo?

Que é decorrente da insegurança íntima, e que a insegurança é diretamente relacionada à falta de alinhamento com o núcleo central de si, de conexão com a Vontade Divina ao próprio respeito.

O que se pode fazer para se combater o medo?

Tudo que favoreça a fé e a paz de consciência. Se notar, existem pessoas que se assustam facilmente – elas não estão em paz; sabem que estão fora de rota. São assustadiças porque se sentem algozes ou vis de alguma forma; projetam essa natureza má no mundo exterior, sentindo-se, com isso, ameaçadas a todo tempo. Às vezes, é bem verdade, essa impressão provém de uma percepção distorcida. A culpa, por exemplo, pode dar uma falsa auto-imagem de indignidade, fazendo com que o indivíduo se sinta abjeto e, portanto, sentindo-se merecedor de castigos e indigno da Proteção do Amor Divino.

De forma mais prática, o que deve fazer aquele que sente medo, seja por razões reais ou fictícias?

Que busque o seu centro. Não com sentimento de culpa, de dever ou impelido por angústia. Que procure a experiência da reverência, de contato com o numinoso, com o Divino, por meio de devoção sincera, pelo desejo genuíno de aprender, de acertar, de se melhorar, de sinceramente ouvir o que o Criador deseja de si, para aplicar efetivamente, e o desalinhamento psíquico-espiritual em que se encontra será corrigido lenta mas seguramente.

Parece que temos razões externas bem reais para o medo. É o que muitos aventariam, ao abordar essa questão. A violência urbana, a possibilidade de envolvimento em drogas de filhos e pupilos, a grande facilidade para se perder empregos e pessoas amadas. Parece que vivemos num mundo bem mais inseguro que no passado.

Diga-se não inseguro propriamente, mas mais livre e autêntico. Problemas que sempre existiram agora se fazem mais óbvios, como uma catarse coletiva que expelisse absessos do inconsciente das massas.
Indubitavelmente, existem riscos reais maiores, sobremaneira nos grandes conglomerados urbanos da atualidade. Mas, ainda que se esteja em um ambiente hostil, é a energia do indivíduo, o seu padrão mental que atraem a situação específica de que necessita para sua evolução. Se alguém está em sintonia com o Amor, o ódio do próximo se suaviza ante si. Veja-se o caso de São Francisco de Assis: soltaram leões famintos para devorá-lo e os animais famélicos adocicaram-se perto dele. É bem verdade que São Francisco é caso de exceção, mas o extremo de um espectro dá noção mais clara de sua existência. Podemos, por exemplo, lembrar das oscilações curiosas de sorte e azar no cotidiano das pessoas. Há quem se bata a todo momento com gente irritada e explosiva, grosseira e ofensiva, e essa mesma pessoa, em outro período de sua vida, às vezes no dia seguinte ao pior dia da fase ruim, pode se ver cercada de gente boa, generosa, gentil e simpática por todos os lados, além de se ver agraciada por toda forma de acontecimentos favoráveis, do semáforo que se abre à sua passagem, a conquistas profissionais importantes e instantes felizes com um grande amor. Tudo é uma questão de sintonia. Há homens que entram em presídios de segurança máxima e estão completamente seguros ali dentro: porque são respeitáveis, porque têm autoridade moral para intimidar qualquer atitude menos amistosa. Há outros que, vivendo prudentemente, são assassinados pela esposa, num surto de ciúme e loucura, porque tinham sérias pendências psicológicas e espirituais sendo indefinidamente adiadas. Que cada um se preocupe com o seu mundo interior, as matrizes que realmente definem seu destino, e o resto estará sendo condicionado por conseqüência.
Quanto aos filhos e pupilos poderem se envolver com maus caminhos, realmente é uma possibilidade concreta. Mas se se faz o que está ao próprio alcance, no sentido de orientar, esclarecer, oferecer amor e atenção, na medida máxima do possível, sem paranóias, sem sufocar a personalidade do protegido, não há porque, após isso, preocupar-se. Porque aquele que se envolver com más influências após receber tudo que se lhe poderia dar em termos de bons avisos, fá-lo-ia de qualquer forma: a tensão e a ansiedade de pais e responsáveis, ao reverso de ajudar, só lhes propelirão ainda mais a descer no vão do desequilíbrio, já que se sentirão ameaçados em seu direito de livre escolha. Não podemos interferir no direito divino ao livre arbítrio de nenhuma pessoa, inclusive daqueles que mais amamos, sob pretexto nenhum. Sempre que fazemos isso, pagamos caro pela nossa arbitrariedade, inclusive assistindo a padecimentos ainda maiores naqueles justamente que desejaríamos afastar do caminho da dor.

Mas e quanto às fobias? Não existem traumas de infância e de outras existências que as provocam? Não já está demonstrado, por meio de experimentação psicológica vastíssima, que essa é a etiologia das fobias? O mesmo diria da síndrome de pânico. Um conjunto de processos bioquímicos no cérebro são claramente os causadores da patologia. O que nos diria a respeito?

Sustento exatamente o mesmo ponto de vista. Está-se vendo não a causa profunda ou causa primeira e sim as causas secundárias, mais imediatas, antes que a problemática se desencadeie, antes que as tensões psíquicas acumuladas no inconsciente eclodam no nível da consciência. Por que é que algumas pessoas sofrem traumas e situações trágicas, com mais freqüência que a média? Mais ainda: não é de se estranhar que certos padrões de trauma costumem se repetir, como a deixar claro que alguma coisa na vítima atrai a experiência? E é exatamente isso: enquanto a lição implícita ao sacolejo da vida que a crise extrema do trauma representa não for assimilada, as vivências dolorosas se repetirão, às vezes em medidas mais acentuadas, para alertar o incauto para a urgência em resolver a pendência evolutiva. Ou seja, não se deve olhar para trás, e sim para a frente, para o propósito, para a finalidade instrutiva e de estímulo ao crescimento das fobias e da síndrome do pânico. Entre esse último e as fobias só existe uma diferença de grau do problema, não de espécie. O nível de urgência evolutiva no caso de quem sofre da síndrome do pânico atingiu o máximo do suportável. Eis que, assim, até a química cerebral é alterada, amiúde desde a formação fetal e antes ainda: desde a escolha de gametas que contenham material em sintonia com seus padrões íntimos, gerando assim uma propensão à supersensibilidade psíquica, se assim pudéssemos dizer. Tudo isso atesta o profundo respeito, infinito, que a Divina Providência tem por nosso direito à livre-escolha. Permite-nos chegar até situações extremas de angústia, por optarmos sair do caminho de Sua Vontade, nossa verdadeira felicidade, mas jamais impõe-nos qualquer decisão. Nós é que, premidos pela dor, somos levados a nos reconhecer em erro e corrigir a falha de percepção, de valores, de prioridades, de metas e, por conseqüência, de conduta.

(Diálogo entabulado entre o médium e o espírito, em 2 de março de 2001.)





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