Diálogos com outros Espíritos

1 de março de 2001
 

Estudo Sobre o Amor.

Benjamin Teixeira
pelo espírito Anacleto.

Qual o tema de estudo para hoje?

Amor.

Esse tema não está um pouquinho batido?

Já foi devidamente implantado na Terra?

Não.

Então não foi suficientemente ventilado, ou sua completa compreensão naturalmente teria se desdobrado em aplicação plena.

E o que gostaria de dizer?

Que o amor é vida.

Isso já foi dito outrora e alhures, em diversas ocasiões da História das Idéias Religiosas.

Mas não se compreendeu direito. Entendeu-se como expressão poética; e, na verdade, é uma afirmação literal. Se os seres humanos soubessem que o impulso vital e o amor se confundem, não seriam tão egoístas.

Isso ainda parece uma colocação por demais filosófica, distante da compreensão do homem comum.

Não se se compreender o amor como o ar que se respira. Não importa a crença, as definições ideológicas, os hábitos, os sonhos ou o caráter de alguém: todos têm que respirar. O amor assim se afigura para os impulsos da alma. Sem ele, a psique fenece, enlouquece, desequilibra-se.

O que, em termos práticos, você poderia aconselhar, à guisa de fazer essa respiração acontecer de modo mais inteiro, digamos assim?

Que cada um experimente realizar atos de bondade, ainda que sem vontade. As pessoas, na Terra, costumam esperar momentos de especial inspiração para agirem com amor, quando os piores momentos são os que mais lhes reclamam tal atitude. Elas pensam que têm um saco de amor que, quando vazio, faz-lhes sentirem-se mal, e, por isso, devem se recolher, para não lhe levarem mais do que já lhe roubaram. É justamente o contrário. O amor é uma caixa que mais se enche quando mais dela sai. Que cada um experimente ser gentil, quando pior estiver. Que experimente ser sinceramente generoso, terno, simpático, quando mais opresso estiver o coração, e se surpreenderá com os resultados. Que dê, quando mais precisa, e notará uma fonte inesgotável de energia dentro de si.

No início isso afigurar-se-á tão difícil que parecerá uma violência contra si. Se envidar esforços na assimilação da lição, entretanto, o aprendiz aprenderá a ter controle da casa emocional, e usufruirá da alegria ímpar de ser dono da própria casa mental, e, principalmente, de ter auto-suficiência afetiva, suprindo a si mesmo de todos os estímulos necessários para uma vida feliz, tranqüila e produtiva.

Ironicamente, quando o indivíduo age assim, de toda parte gestos de bondade e de carinho espontâneos vêm em sua direção, quando não mesmo acontecimentos que lhe revelam sorte e novas oportunidades favoráveis de crescimento e felicidade. Na verdade, esses favores do destino não são nem um pouco casuais: é que o discípulo da verdade entrou em sintonia com o Depósito Universal de Vida, fluindo em sua direção mananciais infinitos de energia e possibilidades.

Acha que algo mais em particular deva ser dito sobre esse tema?

Que existe uma atitude infantil generalizada, no planeta, em relação ao amor. Normalmente, as pessoas se sentem muito maduras por se trancarem em seus mundos particulares, escondendo-se da maldade e da mesquinharia alheias. Curiosamente, agem assim por serem elas mesmas dessa forma. Não fossem, e se dariam, independentemente de haver maldade e mesquinharia no mundo externo. É típico das almas nobres atitudes altruístas, desvestidas de todo interesse pessoal. A grande maioria dos habitantes do orbe terreno se sente decepcionada e injustiçada, presa em um mundo cruel com sua pessoa boa e bem intencionada, quando está nesse mundo por estarem em sintonia com ele. Não fosse isso e perceberia corações sofridos e imaturos e não maldade deliberada nas atitudes de seus pares evolutivos.

Agem esses infantes espirituais mascarados de adultos no corpo, como crianças porque cobram que os outros venham suprir-lhes as necessidades emocionais de afeto. Cobram que os outros façam por elas, o que elas mesmas devem fazer por si. Querem obter aprovação e incentivos que facilmente seriam dispensáveis quando o nível de auto-estima e auto-confiança estão em padrões razoáveis. Fazem um comércio nas relações interpessoais. Só ligo para Fulano, se ele me telefonar primeiro; Só vou dar flores a minha mulher, se ela for sempre boa comigo, sem perceberem que tais comportamentos gentis por parte dos outros seriam naturalmente provocados se a iniciativa de ser cortês e amável partisse deles. Amiúde, inclusive, passa-se do comércio para a tirania, quando não se obtém o esperado. Essa seria a bondade hipócrita, recheada de interesse subalterno, pessoal: Como você é capaz de se negar a fazer Faculdade de Medicina, depois de tudo que fiz por você?. Nesse caso, a mãezinha frustrada ou o paizinho sofrido deveriam eles mesmos fazer a faculdade de seus sonhos e não impor um destino a uma alma livre, que veio para sua tutela com o escopo de se desenvolver e não de ser condicionada aos desejos pessoais de seus tutores biológicos.

Quem faz o cômputo do que dá, acaba ficando com nada. É um doce paradoxo, que premia as almas de escol, porque quanto mais desinteressado um espírito se faz de ser recompensado pelo bem que espalha, mais o bem vem em sua direção, potencializado e multiplicado de mil formas.

A cara zangada e séria do homem sisudo que se sente muito maduro, a carantonha de arrogância e prepotência da dama que se sente muito dona de si assemelham-se, na verdade, às caretinhas pueris da criancinha de tenra idade que faz biquinho e cruza os bracinhos quando não tem um capricho atendido. A carranca, quando não representa birra, constitui uma máscara fictícia a demonstrar poder artificial, para intimidar os inimigos potenciais, com a aparência de força – inimigos esses que enxerga em toda parte, em seus delírios fóbicos, acicatados pela mesma insegurança. Quem é forte não precisa ostentar sua força, confiante que está disso. Somente quem é muito inseguro de si é pomposo e arrogante. Os prepotentes do mundo são corações frágeis como casca de ovo.

(Diálogo entabulado em 28 de fevereiro de 2001.)

Nota do Médium:

Prezado visitante do Salto Quântico:

Havíamos prometido mensagens retroativas aos dias do Carnaval, quando o nosso provedor retornasse às suas atividades normais. Todavia, inobstante mantivesse a mesma carga horária disciplinar de atividades mediúnicas durante o feriado, os espíritos consumiram esse tempo em diálogos esclarecedores sobre o trabalho que realizamos de orientação coletiva, prestados na televisão, nas palestras públicas e no site. Somente nos últimos minutos antes de se esgotar meu tempo de exercício mediúnico dessa quarta-feira de Cinzas, é que Anacleto, que conversava comigo há uma hora, resolveu-se por transmitir lições sobre o amor, que foram provocadas por minhas perguntas a ele dirigidas (metodologia essa que ele mesmo pede que se empregue). Quanto às mensagens correspondentes aos dias de Carnaval, o grande filósofo do Além informou que não seriam transmitidas.

Muita paz e felicidade.

Benjamin Teixeira.
Aracaju, 28 de fevereiro de 2001.




Cadastre-se e receba mensagens por e-mail: