Artigos sobre mediunidade

23 de fevereiro de 2001
 

Chamado aos Médiuns.

Benjamin Teixeira pelo espírito Gustavo Henrique.

Querem te desvairar. A vertigem da loucura se apodera de ti. Notas os estratagemas sutis dos que te combatem os esforços de homem de bem – estratagemas vis, meios ignóbeis, toda sorte de trama com o fim de fazer-te perder-se.

Não ousas entregar-te, mas notas, em contrapartida, a sanha assassina daqueles que te rivalizam o empenho. Sentes-te um reles mortal, à mercê de forças titânicas, que intentam surrupiarem-te os últimos haustos de força.

A sensação de impotência, entrementes, é de todo infundada. Quando se põe a fé em Deus, e se cria um devotamento integral a Sua Vontade, todo mal se afigura como de fato é: passageiro; e o bem, por fim, triunfa, sobranceiro.

Todavia, companheiro, se és médium, não conjectures tão-somente no campo das questões psicológicas, nem mesmo te detenhas nas cogitações filosóficas, pois as elucubrações mais refinadas não te compensarão a fuga do dever. Sendo um portador do medianimismo ostensivo e tendo encarnado com o mister de servir-te de tal talento em auxílio aos semelhantes, nenhuma psicoterapia ou tratamento médico, por mais sofisticados, resolverão tuas pendências íntimas. Se és médium, deves ofertar o corpo e a alma, em concurso fraterno aos companheiros albergados na outra dimensão da vida.

A mediunidade, em certos organismos mais sensíveis, constitui verdadeiro aparelho de indução compulsiva a transes (estados alterados de consciência). Nestes corpos, a necessidade de se mediunizar é, por assim dizer, compulsiva, um impulso neurofisiológico, por existirem departamentos no cérebro, em correspondência a setores da psique, com essa exclusiva função, acumulando tensão mental até a inevitável eclosão das energias represadas. Nesses casos, lamentáveis erupções psíquicas se dão, quase sempre acicatadas por personalidades perturbadoras do além, interessadas em dar vazão a seus instintos e propósitos menos dignos, fazendo uso das matrizes de sintonia encontradiças no próprio médium incauto, entrando em ressonância com elas e potencializando-lhes os aspectos piores. Eis, então, os surtos incontroláveis de raiva, de ciúme ou de inveja, bem como as fobias, neuroses e psicoses, entre elas a depressão e a famigerada e recém-categorizada síndrome do pânico. Isso quando tais ímpetos da estrutura mental não vêm à tona de modo sorrateiramente disfarçado, em forma de moléstias misteriosas, indecifráveis para a Medicina humana, de etiologia obscura, sintomatologia confusa e diagnose complexa, quase inviabilizando, com isso, o devido tratamento. O canal certo, natural, não é utilizado, e a força arranja uma forma de se expressar, geralmente de modo selvático e destrutivo.

A mediunidade é sagrado ministério de que não deves tentar esquivar-te. Por meio dela, seja na incorporação (psicofonia) misericordiosa, seja no passe generoso que oferta aos sofredores – respectivamente dessa e da outra dimensão de existência, a de cá – és um Canal de socorro e de disseminação das blandícias da paz e da bem-aventurança, em nome de Deus.

O consolo que distribuis é ungüento depositado sobre as próprias úlceras abertas. Assim, o aguilhão interior revolve-se por dentro de tua alma sensível, para que não olvides a premência de agir no campo do bem, como medianeiro equilibrado e humilde, infatigável na tarefa de lutar por um mundo melhor. Uma urgência indiscutível para a cura de teu espírito, para o teu próprio bem estar.

Não adies mais, assim, o impostergável. Agora é a hora de te servires da fé que te anima, em socorro dos mais infelizes do mundo. Nesse empenho do coração, descobrirás o que imaginavas perdido: o norte de ti mesmo, como uma trilha segura, rumo a Deus.

(Texto recebido em 22 de fevereiro de 2001.)




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