Espírito Gustavo Henrique

8 de fevereiro de 2001
 

Para Mais Profunda Alegria


Benjamin Teixeira

pelo espírito Gustavo Henrique.


Recapitule as lições aprendidas nos últimos tempos. Não rememore, tão-somente, aquelas que lhe tenham sido gratas, mas recobre justamente as que lhe tenham custado muito caro ao coração. Há uma tendência, na mente humana, em bloquear justamente o mais importante a ser lembrado, por tocar em tópicos críticos da alma, em feridas abertas do espírito, que sangram mais e ardem terrivelmente, quando descobertas. Mas antes se ponham as chagas à luz do dia, para que sejam tratadas e curadas, a ficarem perpetuamente vertendo o sangue do ânimo de viver e expondo o organismo da psique às infecções da infelicidade.

Após fazer breve relatório do que aprendeu recentemente no sentido de evitar, anote tudo que, por reversa maneira, tenha-lhe sido estímulo à ventura. Existem pequenas circunstâncias, lições mínimas, sobre o que mais faz o indivíduo feliz. E se ele está atento, pode colhê-las, para reproduzi-las, quiçá em contextos que ainda mais potencializem a alegria.

É sua função buscar o melhor para si e para os outros. A vida pode se converter em magnífica colcha de regozijos, quando tecida com o fio do bom senso e da inteligência. Ouça suas emoções, mas dirija seu cotidiano pelas diretrizes da razão (devidamente instruída pelas primeiras). Seja dono de seu destino, conduzindo e intensificando seu bem estar, bem como drenando os pauis de seu mal estar.

Não adie para as férias que talvez não cheguem, ou aconteçam em clima de estresse, ou para a aposentaria – a que igualmente não viva suficiente para atingir – o momento de ventura que pode se dar hoje.

Reserve seu horário de almoço, para comer aquela comidinha barata, típica e deliciosa, no restaurante do mercado.

Tome de uma parte de sua noite para dar um volta à beira mar com a esposa, contemplando a luz do luar.

Reserve uma manhã de domingo, para assistir a desenhos animados ou brincar de esconde-esconde com seu filho.

Converta a aridez do cotidiano no oásis de felicidade que deve ser. A felicidade não é um estado de exceção: deve ser a regra, assim como a saúde, para o corpo, é o estado normal, e não a doença.

Procure se recompor, para que a tristeza de hoje não se perpetue, pela má reação a ela (sem a extração das lições que lhe subjazem), nem o seu júbilo decaia à condição de amargura, pelo desperdício da oportunidade bendita em desatinos.

Creia que você não está só nesse empenho. Uma nuvem de testemunhas ocultas (como dizia o Apóstolo) segue em seu encalço, registrando-lhe os esforços secretos e, sobretudo, inspirando-o, no afã de se libertar da canga bruta de seus vícios e adejar rumo à transcendência de si.

E, principalmente, pense em Deus, o Ser Supremo, que jamais relegá-lo-á a abandono – muito pelo contrário: buscando-O, encherá de blandícias o seu caminho, para que, quanto antes e da melhor forma, galgue níveis de mais plena e profunda alegria.

(Texto recebido em 7 de fevereiro de 2001.)




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