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27 de janeiro de 2001
 

O pouco que é muito

Benjamin Teixeira
pelo espírito Eugênia.

Exija-se pouco, mas um pouco que possa ser continuado. É muito mais importante agir sempre, com menos recursos, do que agir de vez em quando ou nunca, esperando lances espetaculares. A vida é um fenômeno cumulativo, ainda que se dê por um processo de concentração gradativa de forças até a eclosão repentina de resultados – qual o salto quântico dos elétrons, após atingida certa carga elétrica específica.

A espiga de milho cresce em medidas milimétricas mas, em questão de pouco tempo, surge, fabulosa de viço, para alimentar o homem. Retirá-la do pé antes da hora constituiria prejuízo dos resultados da maturidade da fruta.

O feto se desenvolve, em ritmo lento, mas em apenas nove meses, está pronto para o nascimento, bem como para todos os riscos de exposição à atmosfera e seus agentes infecciosos que isso implica. Precipitar o processo constituiria aborto ou grave risco de vida para a criança que nasceria forte e saudável, no tempo certo.

Respeite seus ritmos. Tente descobri-los e segui-los. É evidente que, amiúde, a preguiça e o vício da procrastinação, associados à covardia, podem fazer adiar o que pode ser feito de imediato. Mas, normalmente, na cultura imediatista e controladora que pervaga a civilização terrícola, muito mais fácil querer-se tirar leite de novilhas ou fazer inseminações em série com um bezerro como reprodutor.

Por outro lado, tente recomeçar sua vida do ponto em que ela está. Esqueça de tentar remendar os cacos de vidro de seus sonhos de cristal despedaçados. Olhe para a frente. O tempo e a energia que se consomem em consertar o esfacelado são muito maiores e para um resultado pior, que simplesmente reiniciar nova realidade. Claro que não propomos a irresponsabilidade quanto a compromissos assumidos com corações cativados, que merecem, ao menos, satisfações gentis pela nossa mudança de atitude. Todavia, desapegue-se do passado. Deixe que o ontem fique no ontem. Concentre-se no futuro, nas possibilidades de edificar um mundo melhor para você, pelo bom aproveitamento do seu presente. Mais que apenas enfocar o futuro, veja quanto de maravilhoso pode fazer por você hoje mesmo, neste instante, que é de fato o que tem. Não espere pelos resultados miraculosos em um hipotético amanhã que talvez nunca chegue. Enfoque a mente nos efeitos que pode gerar agora. Por que esperar pela perda de 20 quilos, se o simples fato de estar comendo menos já resultará, em questão de alguns meses, em ganho substancial de elegância? Por que esperar pelo sonho do domínio integral de idioma estrangeiro, que só vem com muitos anos de laborioso estudo, se pode já agora estudar por dez ou quinze minutos a nova língua? Pensar em grandes metas ou objetivos longínquos é altamente frustrante e, portanto, anti-psicológico, fazendo o indivíduo desistir da viagem, antes de dar o primeiro passo. Desse modo, em vez de fixar a mente no destino, considere as delícias do trajeto. A paisagem, os aromas, os exotismos, os contatos humanos, as idéias que se pode ter no percurso, os conhecimentos novos que são adquiridos.

Faça da vida uma adorável viagem rumo à felicidade, sem criar grandes expectativas, mas, ao mesmo tempo, desfrutando das maravilhas incontáveis que a Divina Providência lhe oferta, em cada ângulo do caminho. Não espere o muito, embora lute por ele. Enquanto ele não chega, saboreie o pouco ao seu alcance, e seja feliz como pode, porque, em última análise, importante reconhecer: talvez o muito nunca chegue, ou talvez não na medida que imagina.

(Texto recebido em 26 de janeiro de 2001.)






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